Tuesday, October 5, 2010

Diario de Bordo XXXII: Arabian Nights, a reta final da minha jornada






E la chegamos em uma das minhas cidades prediletas. Nunca ouvi ninguem falar nada de mal de Istanbul. Incrivel, surpreendente, fascinante e por ai vai. O interessante nessa terceira vez em Istanbul (ja que no ano passado eu comecei em Istanbul, rodei a Turquia e retornei) foi ver o fascinio pelos olhos de outra pessoa. Remo, meu companheiro de viagem alemao tambem ja havia estado la, mas Sun, nunca havia nem imaginado que algum dia chegaria a Turquia. Chegamos cedo a Istanbul e encontramos facilmente o Bahaus que e meu hostel favorito de todos que eu me hospedei ate o momento. La estava Toni na recepcao, Volcano de bobeira como sempre e Tariq, o chefe tomando conta do hostel e dos dois. A surpresa dessa vez foi como as coisas mudaram em Istanbul em tao pouco tempo. Como nesse ano Istanbul e a capital da cultura europeia e sede do mundial de basquete os precos decolaram. Tomamos uma chuveirada, deixamos as mochilas no hostel e fomos andar pela cidade. Primeira parada Blue Mosque, fascinante como sempre. Em seguida, fomos a Basilica Cisterna, um local que eu ainda nao conhecia. E que surpresa agradavel. Nao tenho palavras para descrever a beleza do local. Como sempre as fotos nao fazem jus ao local e a unica coisa que eu posso fazer e recomendar o lugar a todos. Apos a Basilica Cisterna fomos realizar um sonho da Sun, encontrar uma boa loja de turkish delite que ela viu num filme e sempre quis provar. Nada como comer turkish delite na Turquia. Demos mais uma longa caminhada pela cidade e depois fomos ver o por do sol proximo ao porto. O efeito Istanbul bateu em todos e ficamos rasgando elogios a cidade pelo resto do dia. A noite, eu ainda tentei dar uma saida pela cidade com dois brasileiros e um portugues que eu conheci no hostel, mas como estavamos em mes de Ramada, a noite estava fraca. Comi um kebab e voltamos pro hostel onde ficamos batendo papo ate tarde.
No dia seguinte, Sun e Remo acordaram cedo e foram caminhar pela cidade e eu dormi um pouco mais. Acordei na hora do almoco e fui ao restaurante do meu amigo Tarik. Gente boa toda vida, ficamos conversando um tempao e depois voltei para encontrar Sun e Remo mais uma vez para irmos fazer o passeio de barco ate o lado asiatico de Istanbul durante o por do sol. Sensacional como sempre. Mais tarde conhecemos duas meninas no hostel e elas se juntaram a nos e fomos todos jantar no restaurante do Tarik. O novo restaurante em que ele esta trabalhando e muito melhor que o antigo e, para melhorar, ele nos deu um descontao. Comemos tanto que foi dificil caminhar de volta pro hostel.
Novo dia, dia de mais um adeus a Istanbul. Caminhamos pelos bazares de manha e depois fui dar mais um ate logo a meu amigo Tarik, a turma do hostel e a blue mosque e Hagia Sofya. Tambem foi hora de dar adeus a Remo. Nosso amigo alemao estava voltando para casa. Nos despedimos e la fomos eu e minha amiga sul coreana, Sun, para a estacao de onibus de Istanbul pegar o onibus para Aleppo, na Siria. Inicialmente, o onibus devia levar dezoito horas, mas, como sempre, atrasou um pouquinho e acabou levando vinte horinhas. Nada demais, pois os onibus turcos sao super confortaveis e toda hora eles oferecem cha e lanche. Para melhorar, o rapaz que trabalhava no onibus era gente boa toda vida e gracas ao wifi, se tornou meu amigo no Facebook. Wifi nos proporcionou algum entretenimento tambem e meu novo amigo Kemal me mostrou raps turcos e outras coisas na internet que ajudaram bastante a passar o tempo. Chegamos na fronteira e deu um frio na barriga por estar comecando algo totalmente novo. O que esperar de um pais que recebe tanta propaganda negativa dos governos ocidentais, especialmente do governo Bush? Cruzar a fronteira foi um tanto tranquilo e o visto para brasileiro e o mais barato de todos, o que foi uma boa surpresa. Mais duas horas apos a fronteira e chegamos a Aleppo. Eu e Sun saimos do onibus e perguntei a direcao para a a area dos hoteis a um rapaz que estava na rua proximo a estacao de onibus. Ele se ofereceu para nos levar ate o hostel que estavamos procurando. Eu ja estava esperando o golpe quando ele nos deixou na porta do hostel e seu despediu com um simpatico "bem vindo a Siria". Achamos um lugar para ficar e fomos andar pela cidade.
Aleppo foi uma experiencia sensacional. Todo mundo foi super simpatico e agradavel e so o fato de todas as mulheres estarem usando o veu foi totalmente diferente do que estamos acostumados a ver. O bazar local e antiquissimo e no melhor estilo do que eu imaginava encontrar no oriente medio com corredores apertados pelo meio da cidade e diversas cores e aromas. No nosso primeiro dia em Aleppo, a cidadela estava fechada e tivemos que deixar para o dia seguinte, mas foi otimo caminhar e conhecer as ruas da cidade.
Na manha seguinte, acordamos cedo para conhecer a cidadela que e mencionada em relatos historicos do seculo III AC. A cidadela da uma bela perspectiva da cidade que tem uma arquitetura bem uniforme e tradicional. A vista do alto da morro em que esta localizada a cidadela e otima. Passamos um bom tempo rodando pela cidadela e tirando fotos ate a hora do almoco quando corremos para comer a maravilhosa comida siria e seguir para Homs.
Pegamos o onibus para Homs e de la seguimos para Crac des Chevaliers, o belissimo castelo medieval foi construido no seculo XI e ampliado no seculo XII e foi intensamente utilizado na epoca das cruzadas. E considerado um dos mais importantes castelos medievais preservados no mundo. Nao so isso, e um dos lugares mais sensacionais que eu visitei ate o momento. Eu e Sun encontramos uma guesthouse ao lado do castelo e assistimos o sensacional por do sol do alto da montanha. O castelo era fundamental para o controle do fluxo comercial na regiao e a ampla visao que ele prorporciona deixa isso muito claro.
A noite ao lado do castelo era muito tranquila e os vilarejos ao redor sao lugares muito silenciosos. Boa oportunidade para dormir cedo e acordar bem cedo para ver o castelo antes da enxurrada de turistas que vao a cidade para passar o dia e voltam para as grandes cidades ao redor.
Acordamos para o nascer do sol, mas eu mal vi o nascer do sol e voltei para dormir mais uma horinha. Passado meu cochilo, tomamos cafe da manha e fomos ver o magnifico Crac des Chevaliers. Foi o castelo mais sensacional que eu ja visitei. A vista do alto do castelo e impressionante. Nao e a toa que tanta gente vai a Siria especialmente para visitar o castelo. Visto o castelo, pegamos a mochila e metemos o pe em direcao a Damasco. Pegamos uma van ate Homs, o onibus ate Damasco e menos de quatro horas depois chegamos. Damasco e a maior cidade da Siria e estavamos esperando um pouco de dificuldade para nos encontrar. O inicio nao foi muito facil. A estacao de onibus estava cercada de taxistas cobrando o olho da cara para ir a qualquer lugar e a solucao que eu arrumei nao foi das melhores. Simplesmente entrei no primeiro onibus que eu vi. Apos rodarmos alguns minutos falei o nome da area que estavamos procurando e o motorista do onibus nos falou para pegar outro onibus e no final das contas um senhor que passava na rua nos indicou uma van que nos deixou na area central da cidade. Parecia que ia ser dificil de encontrar o que queriamos, mas apos mais alguns "bem vindo a Siria" um cara que falava ingles perguntou se poderia nos ajudar e nos mostrou o caminho. A forma como ele nos abordou nao poderia ser mais emblematica do tempo que eu e Sun passamos na Siria. Ele se aproximou e disse: "Ola, bem vindo a Siria. Posso lhe ajudar por favor?" Foi a primeira vez que alguem pergunta se pode me ajudar por favor. Ate soa um pouco estranho. Mas enfim, chegamos a area dos hostels e os precos dos lugares que vimos eram muito altos (para os padroes sirios, e claro!). Caminhando pela rua dos hostels encontramos um cara chamado Abed que nos falou que tinha uma casa e alugava quartos para viajantes. Fomos conhecer o local e resolvemos ficar hospedados no local. A casa era muito simples com alguns quartos e nenhuma fechadura alem da porta da frente. Apesar da cidade ser um tanto grande e o pais pobre, a criminalidade e bem baixa. Inicialmente nao ficamos muito tranquilos de deixar nossas coisas ao Deus dara, mas, apos algumas horas em Damasco, percebemos que o clima era tranquilo. Surpreendentemente tranquilo, especialmente se considerarmos as besteiras que escutamos a respeito do pais. Caminhar pelas ruas de Damasco e uma viagem ao passado. As ruas sao confusas e e extremamente facil se perder por la, o que nao chega nem perto de ser um problema, pois onde se passa as pessoas sao extremamente agradaveis e sempre abrem um sorriso para os turistas.
Estar em Damasco durante o Ramada foi uma experiencia sensacional. Como os muculmanos nao podem comer enquanto o sol estiver no ceu, a vida na cidade comeca proximo a hora do almoco. Nove horas da manha e as ruas estavam vazias na maior parte dos locais. Em compensacao, quando dava meia noite os barbeiros estavam sempre cheios e as ruas abarrotadas de carros e gente.
No nosso segundo dia em Damasco, eu e Sun tiramos o dia para andar pela cidade antiga e visitar a mesquita Umayyad, um dos motivos de eu querer visitar a Siria. La se encontra o tumulo de Saladino, um dos maiores herois muculmanos de todos os tempos e e a maior mesquita de Damasco. Apos entrarmos na mesquita, sentamos no chao e algumas criancas comecaram a se aproximar e a brincar conosco. Nas area externa da mesquita, vimos muitas familias sentadas conversando e criancas brincando livremente. Realmente, nao tem nenhuma relacao com o que eu imaginava encontrar na Siria e nada poderia me fazer mais feliz do que encontrar um clima tao agradavel num lugar onde nos ocidentais julgamos tao perigosos. Mais uma vez eu me sinto um grande idiota por ter imaginado que alguma das informacoes que recebemos da imprensa internacional sobre o pais corresponde a realidade. E e ainda pior porque eu nao moro na Escandinavia ou na Coreia do Sul e sim no Rio de Janeiro.
Enfim, depois de um dia de caminhada muito agradavel por Damasco, fomos comprar nosso bilhete de onibus para Aman, na Jordania. Foi tao facil quanto poderia ser. Pegamos o onibus compramos os bilhetes e voltamos em menos de uma hora.
Novo dia, novo pais, esperavamos encontrar algo semelhante a Siria na Jordania e depois de uma longa viagem de onibus, descobrimos de cara que estavamos bem enganados. A Jordania e um pais muito diferente da Siria no que diz respeito ao turismo que e muito mais presente la e causa diversas distorcoes. Fora isso, o cambio extremamente valorizado encarece tudo no pais. E extremamente dificil pegar onibus, pois como a populacao e bem pequena, as linhas de onibus sao escassas e nao saem com frequencia. Entao, como queriamos ir direto de Aman para Madaba tivemos que pegar um taxi. Apos um dia inteiro de viagem e muito caminhar na confusa cidade de Madaba encontramos um hotel no centro da cidade que era bem caro, mas mesmo assim era o mais barato que conseguimos. Tudo era extremamente caro, comemos um sanduiche e fomos dormir.
No nosso segundo dia na Jordania, tivemos a oportunidade de comecar a ver um pouco do pais. Fomos a o Monte Nebo, de onde Moises avistou a terra santa, Bethany Beyond Jordan, o local onde Jesus Cristo foi batizado e o vale do Mar Morto. O vale e um dos locais mais abaixos do planeta, mas de 400 metros abaixo do nivel do mar. Foi legal, mas nada de mais. A area do rio onde ocorreu o batismo e area de fronteira entre Jordania e Israel a presenca de soldados armados em ambos os lados destroi a experiencia. O calor no vale e absurdo e o vento quando estavamos la era inexistente. De la tentamos seguir para Wadi Musa, mas claro nao havia onibus e so chegariamos no dia seguinte, logo, tivemos que pegar um taxi mais uma vez.
No final da tarde, chegamos a Wadi Musa e pegamos um hotel muito proximo do centro da cidade.
Acordamos muito cedo no dia seguinte para chegar antes dos grupos de turismo em Petra. Petra era a capital dos Nabateanos e foi fundada proximo ao seculo XI AC. E a principal atracao turistica da Jordania e muita gente vai ao pais so para ver a antiga cidade esculpida em pedra. A caminhada comeca por um siq que corta uma montanha ao meio. A melhor decisao que tomamos foi decidir chegar tao cedo quanto possivel. Conseguimos tirar fotos muito legais sem nenhum grupo de turismo passando no fundo. Andamos nove horas por Petra e subimos duas montanhas na area para ter vistas diferentes. Foi um dia sensacional. Apesar do cansaco, valeu muito a pena.
Apos Petra, voltamos para cidade, descobrimos como pegar um onibus para Aqaba que era nossa proxima parada, almocamos e fomos dormir.
Proximo objetivo: cruzar o golfo de Aqaba, entrar no Egito e seguir direto pro Cairo.
Acordamos muito cedo mais uma vez e pegamos um van ate Aqaba. De la seguimos ate o porto da cidade para descobrir que eles so vendiam os bilhetes na cidade, algo que nao faz o menos sentido. Menos de duas horas para a saida da barca, peguei mais um maldito taxi e comprei os tickets depois de uma confusao danada e consegui embarcar. Apesar do preco absurdo, o barco era uma porcaria e a unica coisa boa era que levava menos de duas horas para chegar do outro lado. No barco, conhecemos um casal egipcio muito agradavel com quem conversamos e pegamos algumas dicas sobre o pais. Apos alguma dificuldade para descobrir onde pagar pelo visto, conseguimos resolver tudo e dentro do proprio porto pegamos um onibus direto pro Cairo. O onibus nao tinha nenhum estrangeiro alem de nos e estava abarrotado de porcaria que as pessoas trouxeram no barco. Ficamos nas ultimas duas cadeiras abarrotados de malas por todos os lados. Depois de mais oito horas de viagem chegamos ao Cairo. A chegada foi tranquila e conseguimos arrumar um taxi para nos levar ate a area que queriamos ficar e achamos um hotel bem legal de cara onde nos hospedamos.
Cairo inicialmente me pareceu uma cidade um tanto agradavel, mas essa impressao se foi com o passar do dia. A todo momento que andavamos pela rua vinha algum desses vagabundos que tenta tirar dinheiro de gringo tentando nos levar para uma loja disso ou daquilo. Uma enchecao de saco sem tamanho. No primeiro momento no Cairo fomos diretos visitar o incrivel Museu Nacional do Egito. Eles tem tantos itens que chega a ser cansativo. Passamos a manha toda vendo toda a variedade de mumias, sarcofagos e joias de milhares de anos de idade. Apos nossa ida ao museu, almocamos e fomos tentar descobrir uma forma de chegar as piramides. E nao foi nada dificil, pois as piramides de Giza nao ficam muito longe do centro do Cairo e a cidade sofre com o excesso de vans e onibus. Infelizmente ao chegarmos as piramides ja haviam fechado, mas eu e Sun demos um passeio de cavalo ao redor da area das piramides e tivemos um bom aperitivo do que estava por vir no dia seguinte.
No comeco do ano, eu imaginava que seria muito legal se eu conseguisse finalizar minha jornada nas piramides do Egito. O que no inicio pareceu um sonho distante estava finalmente sendo realizado. Pegamos a van para as piramides no mesmo lugar do dia anterior e la fomos nos e o que era para ser o melhor da minha viagem se transformou num exercicio de paciencia dada a absurda quantidade de pessoas oferecendo passeios de camelo ou vendendo todo o tipo de coisa ao redor da area. Eu e Sun fomos ver a esfinge primeiro, depois entramos na piramide e para finalizar rodamos de camelo para que pudessemos ter um momento de paz sem ninguem oferecendo nada a cada cinco metros. Foi um momento super importante e legal para mim, mas, por conta da aporrinhacao constante, o melhor momento da visita foi quando voltamos ao hotel e pudemos ver as fotos no computador sem ninguem enchendo o saco. E uma pena que num pais como o Egito que e tao dependente do turismo, a enchecao de saco sem fim transformem as piramides numa experiencia para uma vez na vida. Os guardas que trabalham nas piramides chamam os turistas para pontos que teoricamente tem uma melhor visao da area e depois cobram o "baksheesh" que e uma gorjeta pelo privilegio. Eu sei que meu pais e corrupto e eu ja fui a muitos lugares corruptos, mas eu nunca vi um lugar como o Egito, onde os policiais tentam tirar dinheiro dos turistas como os vagabundos de plantao que vivem de achacar turistas. Foi extremamente decepcionante. Voltamos a area do nosso hotel, almocamos e fomos para a estacao de trem pegar nosso trem para Aswan.
O trem foi uma surpresa muito positiva. O bilhete incluia jantar e cafe da manha e as camas eram bem confortaveis. Como fomos obrigados a fazer o check out do hotel antes de irmos as piramides tive que dar um jeito de tomar um banho depois de um dia inteiro no Cairo. No banheiro do trem usei a pequena torneira da pia e foi o jeito que deu. Quando acabei tinha molhado ate o teto do banheiro do trem, mas foi uma sensacao otima. De manha cedo, chegamos a Aswan com a ideia de seguir para Abu SImbel. Infelizmente a area e extremamente protegida, pois e proxima da fronteira com o Sudao e para chegar la ou paga-se uma grana num voo ou tem que marcar em algum hotel de Aswan para ir no comboio que sai as 4h da manha com escolta policial e voltar na hora do almoco. Tendo que esperar o dia seguinte, aproveitamos para fazer um passeio de felucca, que e o tradicional barquinho a vela da regiao, pelo rio Nilo. As restricoes para se chegar aos templos de Abu Simbel estragou um pouco nossa visita. Nao tivemos a oportunidade de fazer o que fizemos em Petra, por exemplo, quando chegamos antes de todo mundo e tivemos uma experiencia muito melhor do que o resto das pessoas. Em Abu Simbel, nos chegamos juntos com a avalanche de turistas dos insuportaveis grupos turisticos e tivemos que ir embora na mesma hora que eles. Foi uma pena, pois os templos sao muito legais. Na volta, tinhamos marcado de pegar a felucca novamente em direcao a Luxor e na manha seguinte pegar um onibus que nos levaria ate Luxor onde pegariamos o trem de volta para o Cairo. Para nossa sorte o grupo de pessoas que foram na felucca era muito legais. Um casal da Australia, um ciclista canadense, um artista alemao, um senhor uruguaio que estava de mudanca para a Italia e um brasileiro que mora no Egito dando aulas de portugues, um frances maluco e minha companheira de viagem sul coreana, e claro. Foi absolutamente sensacional. No dia seguinte acordamos com o nascer do sol e aproveitamos para nadar no rio Nilo. Apos o cafe da manha, uma van nos buscou e nos levou junto com alguns outros turistas ate Luxor parando em alguns templos no caminho. So entramos no templo de Kom Ombo, pois ja tinhamos visto templos o suficiente. Na van, conheci mais um brasileiro perdido pelo Egito. Luis Carlos, um catarinense que mora em Maceio nos deu uma dica otima: Dahab na costa do mar vermelho.
Chegamos a Luxor e ainda tivemos tempo de ver o templo de Luxor no meio da cidade e tomar um banho no quarto de nosso amigo uruguaio que conhecemos na felucca, Tomas. Em seguida, metemos o pe para a estacao de trem para pegar o trem para o Cairo.
Como na ida a volta tambem foi otima. Dormimos bem e chegando de manha no Cairo fomos direto para a estacao de onibus para tentar um onibus que nos levasse ate Dahab. Planejavamos passar um dia e depois seguir adiante. A verdade e que tao dificil de viajar independente no Egito que eu e Sun ja estavamos de saco cheio do pais. Tanta enchecao de saco que por mais bonito que fosse nao estava valendo a pena.
Assim, chegamos no Cairo e la fomos procurar um onibus na estacao que ia pro Leste, mas de la os onibus so iam ate certo ponto. Pra Dahab tinhamos que pegar o onibus de outro lugar. Eu nunca vi uma cidade com tantas estacoes de onibus quanto o Cairo. Pra cada direcao que voce quer ir tem uma estacao de onibus diferente. Um saco. Entao caminhamos por meia hora ate encontrar a tal estacao. Compramos o bilhete e esperamos o onibus que saiu ao meio dia. No caminho, passamos por uma quantidade de postos de controle da policia absurdos. E em cada posto policial, os agentes tiravam alguns egipcios do onibus e mandavam o onibus seguir. Resultado, quando chegamos em Dahab so os gringos estavam no onibus.
Chegada insuportavel como sempre com um monte de gente em cima oferecendo hotel, mas para nossa sorte o brasileiro que eu conheci na van em Luxor havia me dado a dica de um lugar que ele havia ficado e o cara estava la atormentando tambem. Entao ja fomos com ele direto para a guesthouse. Como era de se esperar boa e barata. Foi um otimo negocio. Ja chegamos e marcamos para no dia seguinte seguir para o Blue Hole para fazer snorkling.
Novo dia, um sol maravilhoso e tivemos esperar uma hora e meia ate o cara que ia nos levar ate o Blue Hole aparecer. Se alguem acha que o povo no Brasil se atrasa devia experimentar o Egito. O dia que o cara me falou cinco minutos egipcios levou trinta e cinco (!!!).
Quando o cara chegou estavamos ainda mais aborrecidos com o Egito e foi so sentar na caminhonete que nos levaria ate o local que conhecemos um rapaz egipcio chamado Khaled e o coitado aturou nossas reclamacoes ate a chegada no local. Na van, tambem havia um rapaz da Jordania chamado Odai super gente boa e fomos conversando e reclamando ate o Blue Hole. Mas a chegada ao local mudou um tanto a nossa opiniao sobre o pais. O local e simplesmente deslumbrante. Maravilhoso, incrivel, fascinante. Tao incrivel que no primeiro dia desistimos dos nossos planos de ir a Israel e ficamos tres dias mergulhando em Dahab ao inves de seguir viagem. Queriamos fechar com chave de ouro e parecia que haviamos encontrado o lugar ideal para faze-lo.
Passamos horas e horas na agua nadando com os cardumes coloridos que cruzavam a area. Um espetaculo. Sun e Khaled nao sabiam nadar, mas depois de algumas horas os dois abandonaram os coletes salva vidas e comecaram a nadar so com o pe de pato.
Fazia parte dos planos de todos fazer coisas diferentes nos outros dias, mas desistimos dos planos e aproveitamos cada minuto no Blue Hole tres dias seguidos.
A noite fomos com Khaled e Odai para um bar local super legal e ficamos la fumando shisha e relaxando.
No segundo dia no Blue Hole, Odai nao foi conosco, mas um casal egipcio se juntou a nos. Islam e Mai estavam pela primeira vez tirando ferias sozinhos desde que sua filhinha nasceu. Tivemos mais um dia sensacional no Blue Hole que fechamos no mesmo restaurante do dia anterior. Como so tinhamos mais um dia, decidimos mais uma vez a ir ao Blue Hole. Seria a despedida perfeita. Odai voltou para a Jordania no dia seguinte e nos fomos todos ao Blue Hole. Eu, Sun, Khaled, Islam e Mai. Nesse dia dividimos o dia entre o Blue Hole e um canyon que tinha no caminho que tambem era muito bonito. Foi muito bonito e diferente. Perfeito para finalizarmos nossa visita a Dahab.
Novo dia, dia de seguir para o Cairo de onibus em mais uma longa viagem. Dessa vez tinhamos a companhia de nosso amigo egipcio Khaled. Dahab mudou totalmente nossa percepcao do Egito. Voltamos com uma opiniao totalmente diferente de quando fomos. Depois de uma longa viagem de onibus, Islam se ofereceu para nos buscar na rodoviaria e nos levar ate o aeroporto. Fomos ate o aeroporto e compramos os tickets para a manha do dia seguinte. Islam nos levou para encontrar Mai e conhecer sua filhinha, Salma. Uma figurinha unica. Fomos ao seu restaurante favorito onde Salma e celebridade. Todos os garcons e o maitre conhecem Islam e Mai como os pais da pequena Salma. Ela anda pela lugar fazendo uma bagunca incrivel e e a mascote de todos. Fizemos uma otima refeicao e fomos para o aeroporto, pois nossos voos eram muito cedo e nao havia como chegar na hora no aeroporto se fossemos para o centro do Cairo. E nosso passeio pelo Egito terminou como tinha que terminar: dormindo no aeroporto esperando por nossos voos. De manha cedo, acordei e segui para a area de embarque apos me despedir de minha amiga Sun, uma das pessoas mais sensacionais que conheci. Ela se adaptou tao bem a vida de viajante independente que parecia que era ela que estava viajando ha um ano e nao eu. Mas era hora de dizer adeus e seguir de volta para Portugal, minha ultima escala antes de voltar para casa.

Saturday, August 28, 2010

Diario de Bordo XXXI: Cruzando o velho mundo






Entao, eu cheguei em Copenhagen para comprar o ticket para Berlim e, surpresa, arrumei uma promocao que segundo a moca do balcao fez com que o ticket ficasse super em conta. Para mim, depois de tanto tempo na Asia, as promocoes da Europa parecem uma brincadeira de mau gosto. Mas de qualquer forma e melhor do que pagar o preco inteiro. Entao, eu entrei no trem e no meio da viagem de trem, o trem vai dentro de um navio para cruzar o mar da Dinamarca para a Alemanha. E a primeira vez que eu viajo de trem dentro de um navio. Mais um tempinho e cheguei em Hamburgo onde troquei de trem para chegar a Berlim. A estacao central de Berlim e gigante e nada facil de se achar. Para piorar, as senhoras que trabalham na estacao vendendo bilhete de trem e metro fazem questao de ser muito estupidas e nada solicitas. Muito diferente da Escandinavia. Entao eu descobri onde era a plataforma, mas nao fazia a minima ideia de qual bilhete comprar. Comecei a xingar a maldita maquina em portugues e uma menina viu e, ainda que nao entendesse nada, percebeu que eu estava bem "p" da vida e me ajudou a comprar o bilhete. Eu estava seguindo para a casa do meu camarada alemao, Nils. Nos nos conhecemos no Laos e nos reencontramos na Coreia do Sul. Quando eu falei que ia dar um pulo em Berlim, ele ficou amarradaco e me convidou para ficar na casa dele. Apos encontrar a casa de meu amigo Nils, fomos dar uma volta e conhecer a vizinhanca dele. Para comecar, a primeira impressao e que Berlim e uma cidade com muito mais vida que as cidades escandinavas. Um monte de bares abertos, lojas e pessoas andando nas ruas. A primeira impressao foi otima.
No meu primeiro dia em Berlim, Nils me emprestou uma bicicleta e me levou para ver a cidade. Berlim e uma cidade sensacional para se visitar. Diferente do mesmo roteiro de quase todas as cidades europeias Berlim e uma cidade com uma historia recente muito rica e com muitas coisas para ver. A Europa e muito organizada e legal, mas e quase sempre a mesma historia: museu, igreja, estatua de um cara em cima de um cavalo, chafariz e parte para a proxima cidade. Em Berlim, ate a igreja mais legal para visitar e uma igreja que foi bombardeada na guerra. Nils me levou por tudo que e canto da cidade fazendo um um tour expresso para nao perder tempo em coisas chatas que tem a mesma cara em tudo que e canto e foi otimo. Ate que chegamos em uma garagem de carros de luxo e passamos um bom tempo vendo carros de luxo antigos e super modernos lado a lado. Depois voltamos ao tour vimos o monumento em memoria dos judeus vitimas do holocausto que e um tanto perturbador, partes remanescentes do muro de berlim e o Tacheles que e um predio antigo que foi ocupado por artistas e tem uma atmosfera muito legal. Nesse dia, rodamos mais de quarenta quilometros de bicicleta o que exigiu um descanso.
Ficou para o dia seguinte, a visita a parte da muro de Berlim que ainda estava de pe. Como era de se esperar, os artistas locais deixaram sua marca no muro com trabalhos de arte sensacionais. Essa area do muro tem alguns bares a beira do rio que eles chamam de "praia". Nao da pra se banhar no rio, mas a areia ta la e o clima e bem legal.
Nos outros dias em que estive em Berlim, chovia bastante e nao dava para sair para ver muita coisa, entao eu e Nils (que havia tirado uns dias de folga) demos uma volta pela vizinhanca dele e saimos a noite para conhecer alguns de seus bares prediletos. Eis que no dia que eu resolvi seguir para Praga, abriu um sol sensacional em Berlim. O trem para Praga foi super tranquilo. A viagem foi muito agradavel. A paisagem e bem bonita e o tempo estava otimo. Cheguei na cidade, achei meu hostel sem grandes dificuldades e segui para uma pizzaria na esquina para comprar um pizza. Justo quando chego na pizzaria, desabou o ceu. Comecou uma chuva de granizo daquelas. Como a pizzaria estava fechando tive que correr pro hostel. Apesar da pequena distancia, cheguei completamente encharcado no hostel. Enquanto secava no hostel, conheci um brasileiro gente boa para caramba. Kairo e goiano, mas mora em Roma no momento. O hostel que nos estavamos era bem legal e pela primeira vez eu vi um hostel com piscina, acreditem ou nao. A unica desvantagem e que o hostel ficava um pouco longe do centro historico de Praga. No dia seguinte, eu e Kairo rodamos por Praga e vimos tudo que tinha pra ver. Apos um dia eu ja estava na pilha de seguir em frente. Praga e uma cidade muito bonita, mas em um dia nos andamos quase tudo e eu queria ver mais. Resultado: decidi que no dia seguinte ja ia seguir para Vienna. O Kairo ia voar de volta para Roma em dois dias e eu botei uma pilha e ele se juntou a mim. No dia seguinte, acordamos bem cedo e seguimos para a estacao de trem. Pegamos o primeiro trem e na hora do almoco estavamos em Vienna. Sem sombra de duvida, Vienna e a cidade mais bonita que eu vi na Europa desde que eu voltei da China. Extremamente bem conservada, com um centro historico sensacional e diversas coisas para ver. O problema e que a cidade e cara para cacete. Muito cara mesmo, resultado do numero absurdo de turistas em todos os cantos da cidade. Eu rodei com o Kairo durante horas para ver tudo queriamos. Vienna e uma cidade sensacional e eu gostaria muito de retornar, mas os precos absurdos me obrigaram a seguir em frente. O Kairo voltou para Praga para voar de volta para Roma e eu olhei o mapa e a capital mais proxima era Bratislava, na Eslovaquia. Tao perto que do ponto mais alto da cidade e possivel avistar a Austria, ja que a fronteira fica a apenas dezesseis quilometros de distancia.
Na chegada em Bratislava, conheci na recepcao do hostel um japones chamado Kazu e resolvemos rodar juntos pela cidade. Diferente de Praga e Vienna, Bratislava e uma cidade sem muito o que ver. Tem todos os ingredientes basicos das boas cidades europeias. A cidade e limpa, bonita, organizada, mas em tres horas e possivel visitar todos os pontos de interesse da cidade duas vezes. Eu e Kazu rodamos pela cidade, vimos tudo e voltamos para o hostel para dar uma relaxada. Depois quando resolvemos sair para comer alguma coisa, vimos uma menina totalmente enrolada com um mapa. E conhecemos Sun, a sul coreana mais gente boa que eu conheci ate hohe. E olha que esse e um titulo importante, pois se tem um pais que so tem gente boa e a Coreia do Sul. Sun estava totalmente perdida em Bratislava. Ela tinha descoberto que existia um pais chamado Eslovaquia de manha cedo e resolveu dar uma checada. Pegou a balsa em Vienna e la foi. E la fomos eu, Kazu e Sun provar a cozinha tradcidional eslovaca. E eu pensava que depois de comer carne de gato, polvo vivo, carne de cobra e inseto nao haveria nada que pudesse me surpreender no campo gastronomico, mas se tem um equivoco que eu nao vou repetir e de experimentar os pratos tradicionais eslovacos. Eta, comidinha ruim! Um macarrao com um molho azedo para caramba com carne de porco que faz a comida pesar uma tonelada no estomago. No final da refeicao, sobrou comida no prato de todo mundo.
Novo dia, Kazu estava indo na direcao oposta, mas Sun estava totalmente perdida sem saber onde ir e resolveu seguir o mesmo caminho que eu. La fomos nos, de manha cedo para a estacao de onibus seguir para Budapeste. Como eu havia comprado meu bilhete antes, ficamos em fileiras separadas e no onibus conheci Remo, um alemao que estava seguindo mais ou menos na mesma direcao que nos. Conversamos por toda a viagem de onibus e chegando em Budapeste ele resolviu seguir para o mesmo hostel que nos. Sem muitas dificuldades conseguimos encontrar o hostel e la, nos esperando, estava Nicole minha amiga romena que eu conheci em Beijing e estava passando ferias com sua familia na Romenia. Como a cidade que a familia dela mora e muito pequena ela estava sem muito o que fazer e quando eu falei que estava seguindo para Biudapeste resolveu tirar uns dias para visitar a cidade tambem. E ai estava formado nosso grupo.
Fomos almocar juntos e descobri que nao adianta tentar. Na Europa, se voce nao esta em Portugal, na Espanha, na Italia ou na Grecia, a unica solucao e kebabs. A melhor solucao para qualquer tipo de refeicao. Enfim, nossa guia romena nos levou por todos os cantos de Budapeste que na minha opiniao e uma das melhores cidades para se caminhar de todas as cidades que eu visitei na Europa, pois alem do monte de coisa que tem para se ver, a grande maioria das coisas e bem proxima e os morros nos arredores do centro historico proporcionam ao visitantes uma belissima vista de quase toda a cidade. Budapeste e uma cidade sensacional. Bonita, limpa e muito mais barata que as cidades do oeste europeu. O hostel em que estavamos tambem tinha algo de especial a seu respeito. Uma daquelas coisas dificeis de explicar, o hostel ocupava todo um predio bem antigo caindo aos pedacos, mas o patio interno criava um ambiente bem agradavel para ficar de bobeira e bater papo. O barulho do patio interno faz com que seja impossivel dormir, mas esse e um dos charmes do lugar, pois fica todo mundo ate cedo batendo papo no patio central.
No nosso segundo dia em Budapeste, era o grande feriado nacional do pais. A cidade estava abarrotafa de gente e o clima estava otimo. Fomos no palacio onde estava tendo uma feira de produtos locais e artesanato e fomos ate o topo do palacio. Depois rodamos um pouco mais pela cidade e Sun e Remo compraram alguns desenhos de um artista local que era uma figuraca e nao parava de falar nem por um minuto. Voltamos para o hostel e no caminho enquanto estavamos tentando decidir onde ir, Nicole nos convidou para ir conhecer sua cidade e se hospedar na casa dela e claro que nos tres concordamos. Ainda que nao ficasse muito na direcao que nenhum de nos pretendia seguir, e claro que ninguem podia desperdicar uma oportunidade de conhecer a Transilvania, especialmente com um guia local. Entao fomos ver os fogos de aritificio a noite e na manha segunte pegamos uma van em direcao a Baia Mare, no norte da Transilvania.
Pouco mais de quatro horas depois chegamos a Baia Mare. La fomos diretos para a casa da familia da Nicole. Conhecemos os pais dela e o irmao, comemos e fomos dar uma volta pela cidade. A escolha de ir para a Transilvania apesar de espontanea foi a melhor que poderiamos ter feito. A cidade tinha um clima de cidade pequena muito agradavel e todo mundo foi muito simpatico. O pai da Nicole nao parava de sorrir um minuto. Ele e uma daquelas figuras que esta sempre de bem com a vida e adora ter visitantes. Nao so isso, a casa e gigantesca. Eu, Remo e Sun ficamos cada um em um quarto diferente com camas super confortaveis. Um otimo descanso na vida de hostels. A cidade tem um clima de cidade pequena com um cenario bem caracteristico: a cidade fica num belo vale cercado de montanhas. Andamos pela cidade quase em algumas horas e a noite fomos a uma boate que ficava a dez minutos de caminhada da casa da Nicole como alias quase tudo na cidade que nao fica a mais de vinte e cinco minutos de caminhada de distancia.
Novo dia, seguimos para conhecer os arredores da cidade. Visitamos a maior igreja de madeira do mundo que nem e tao grande assim, mas ja que nao existem tantas igrejas de madeira no mundo, ostenta um titulo de orgulho para regiao. Almocamos comida tradicional da regiao. Remo experimentou cerebro de porco grelhado. Apesar de soar estranho, era bem saboroso. Em seguida, fomos ao cemiterio feliz que e algo um tanto esquisito, onde as pessoas que morrem tem um texto comico escrito a respeito de suas vidas em suas sepulturas, e depois rodamos pelas montanhas da regiao curtindo a paisagem.
Novo dia, dia de dizer adeus a Baia Mare e seguir em direcao a Bran, local onde fica o castelo do Dracula. Passamos um dia tranquilo e apos nos despedirmos de Nicole e sua familia, eu, Remo e Sun pegamos o trem a noite.
Chegamos de manha bem cedo a Brasov, onde pegamos um onibus ate Bran. Chegamos antes das oito da manha e tivemos que esperar ate as nove horas para abrirem os portoes. O castelo foi uma grande decepcao por uma simples razao: e sem duvida o castelo mais agradavel que eu vi ate o momento. E a cidade e muito bonita e arrumada. Dificil de acreditar que uma lenda como a do Conde Dracula poderia ter ocorrido num lugar tao agradavel.
Apos uma hora de visita, o castelo foi totalmente infestado por turistas. Foi otimo termos chegado tao cedo. Terminada a visita a Bran, pegamos o onibus de volta e compramos nossas passagens para Varna, uma cidade balneario na costa da Bulgaria.
Viajar de trem na Romenia e na Bulgaria nao e tao facil quanto na Europa Ocidental. O nosso trajeto, apesar de nao envolver uma distancia muito grande, incluia duas trocas de trem: uma em bucareste, onde ocorreu tudo como o esperado, e outra em Ruse. Para nossa surpresa, ao chegarmos em Russe descobrimos que o trem no qual deviamos embarcar para Varna nao existia e teriamos que esperar ate a manha seguinte. Sem opcoes e tendo que matar oito horas ate a hora do nosso trem, fizemos um lanche no posto de gasolina que parecia ser o unico estabelecimento aberto nos arredores da estacao de trem e dormimos na estacao mesmo. No meio da noite, o guarda nos acordou e falou que nao podiamos dormir ali e perguntou onde iamos. Para nossa sorte, o trem ja estava esperando na estacao com uma hora de antecedencia. Entramos no trem e dormimos por algumas horas e entre um cochilo e outro aproveitamos para tirar algumas fotos da bela paisagem do interior da Bulgaria.
Chegamos em Varna proximo a hora do almoco. Fizemos um lanche num cafe proximo a estacao e comecamos a caminhar pela cidade procurando um lugar para ficar e achamos um hotel na quadra da praia com um preco otimo e uma atmosfera super agradavel. Tiramos o dia para relaxar na praia e descansar. Ja de cara passamos o choque cultural mais divertido que eu vi ate o momento. Os sim dos bulgaros e movendo a cabeca de um lado pro outro que seria o nosso nao e vice versa.
Fizemos uma refeicao sensacional e, a noite, voltamos a praia para uma caminhada. Se tem uma coisa que espanta nas praias da Bulgaria e a mania europeia de fazer topless que pode soar muito boa para quem nao esta aqui, mas que, dada a falta de preocupacao com a forma fisica das europeias, se torna um potencial gerador de pesadelos pelos proximos dez anos. E claro que quem faz topless aqui e quem ninguem quer ver fazendo topless.
Novo dia em Varna, demos uma volta na cidade e compramos nossas passagens para seguir em frente no dia seguinte. Visitamos a catedral da cidade e o centro historico. Em seguida, voltamos a praia e, por algum fenomeno relacionado ao vento que havia mudado, os salva-vidas nao deixavam ninguem mais de dois passos na agua. Os coroas que trabalham de salva-vidas na praia nao davam folga para niguem. Um festival de apito que enchia o saco. Quando deu cinco da tarde e os salva-vidas foram embora, todo mundo entrou no mar. Eu nao sei qual era o receio dos salva-vidas, mas ele nao se materializou, o que era de se esperar, pois o mar negro nao tem onda e nem e tem que andar bastante para encontrar as areas mais fundas. Fechamos o dia com um jantar num restaurante local sensacional, onde comemos para caramba.
Nosso ultimo dia em Varna foi muito tranquilo. Acordamos tarde, fizemos o check out e demos um role pela cidade esperamos a hora do nosso onibus que saia as nove da noite para Istanbul. Hora de voltar para uma das minhas cidades favoritas. Nao vejo a hora de chegar la!

Wednesday, August 11, 2010

Diario de Bordo XXX: Dinamarca, terra de gente boa






Apos meu tour relampago por Finlandia, Suecia e Noruega, era hora de visitar bons amigos na Dinamarca. A Dinamarca e, sem sombra de duvida, pais de gente muito boa, pois e um dos paises do mundo que tinha mais gente que eu gostaria de visitar, apesar da pequena populacao. Minha prioridade na Dinamarca era visitar meus amigos. Primeira coisa que eu fiz chegando de Oslo em Copenhagen foi pegar o trem para Aarhus. Direto para visitar Majbritt e Jesper. Depois da noite no onibus e mais tres horas no trem cheguei de manha em Aarhus. Eles foram me encontrar na estacao de trem e fomos direto para a casa dos pais do Jesper para que eu pudesse conhece-los. A casa em que eles moram fica a pouco menos de trinta minutos de Aarhus que e conhecida como a menor cidade grande do mundo (vai entender...).
Apesar da proximidade com a "cidade grande", o vilarejo em que eles moram tem menos de mil moradores. Todo mundo se conhece e a area e composta por pequenos ranchos. Todas as casas tem uma plantacaozinha e um jardim sempre super bem cuidado. O almoco foi sensacional e eles tinham todo tipo de comida dinamarquesa para eu provar. Eu que estava determinado a nao decepcionar, nao dei mole e comi ate nao poder mais. Passamos o dia relaxando, caminhando pelos arredores da casa e conhecendo alguns dos vizinhos. Todo mundo super agradavel e receptivo. A noite, fomos para Aarhus onde ficamos na casa dos pais da Majbritt. Jesper e Majbritt estavam esperando que entregassem as chaves do flat onde eles vao morar e nesse periodo estavam morando com seus pais. Os pais da Majbritt sao poloneses e um tanto diferente dos pais do Jesper. A unica semelhanca e que ambas as maes tiraram o periodo que eu estava com eles para tentar me engordar. Eu nao podia reclamar. A mae da Majbritt era uma figuraca. Apesar de so falar polones e dinamarques, curiosamente se fazia entender e nao parava de rir um minuto.
Incialmente meu plano era passar alguns dias em Aarhus e por alguns dias eu pensava em dois ou tres, mas com a companhia dos meus amigos acabei ficando onze dias. Nao seria demais se houvesse muito o que ver em Aarhus, mas no meu segundo dia, a Majbritt me levou para ver a cidade e em menos de uma hora ja haviamos visto tudo. Eles ainda me levaram na residencia de inverno nos arredores da cidade no mesmo dia. Uma casa muito bonita. Proxima a uma geladissima praia.
O unico problema do pais e sem sombra de duvida o clima. Em todos os dias que eu passei na Dinamarca, estava mais quente no Rio de Janeiro (onde e inverno) do que aqui.
No dia seguinte, deu uma esquentada e a Majbritt me levou na praia, enquanto Jesper foi pro trabalho. A praia mais organizada que eu ja vi. A area e toda cercada por vestiarios e banheiros. Tudo limpo e arrumado. Na praia ainda conhecemos um brasileiro que esta morando na Suecia chamado Denis. Segundo ele, depois de um ano qualquer um se acostuma com o frio. Depois dos menos vinte graus que eu passei na Mongolia, se tem uma coisa que eu nao quero me acostumar e com frio. De todas as coisas mais curiosas que eu vi ate agora foi a capacidade de evitar conflitos dos dinamarqueses. Comecamos a jogar frisbee e eu acertei um cara. Ele nao falou nada e eu percebi que a maior parte das pessoas em volta levava uma bolada ou frisbee desgovernado ver por outra e nao falava nada. Incrivel. Se fosse no Brasil dava tiro e tudo. A noite, fomos com os pais da Majbritt jogar boliche. Eu que nao jogo nada de boliche fui a grande decepcao e so consegui ficar na frente da mae dela.
Novo dia, fomos a Skanderborg, uma pequena cidade proxima a Aarhus que e palco do Skanderborg Festival segundo maior festival da Dinamarca. Esse ano a grande atracao era Roxette.
Eis que chega o dia de conhecer um dos mais incriveis pontos turisticos da Dinamarca e uma das maravilhas do mundo moderno: Legoland. E dificil de dizer quem gosta mais da Legoland, os pais ou as criancas. Mas que e o maior barato ver o mundo de Lego em miniatura, isso e. Entramos e logo quando comecamos a andar pelo parque, eu estava tentando tirar uma foto e pedi licenca de um senhor que estava na frente de uma das miniaturas de Lego e quando olhei para Majbritt ela estava com uma cara de boba que eu nunca vi, mas e de se entender pois era a primeira vez que ela via o principe da Dinamarca em carne e osso. Eu que ja ia pedir para tirar uma foto com ele, fui interrompido pelos meus amigos que me falaram que aqui todo mundo respeita a privacidade das pessoas famosas. Nao e a toa que ele estava caminhando como uma pessoa normal pelo parque com sua familia.
Foi um dia para ser lembrado. Tres adultos indo em todos os brinquedos do parque e curtindo adoidado.
Na sexta-feira, eles queriam me mostrar a noite de Aarhus. E nao e que, depois de meses de Asia, fugindo de karaoke onde quer que eu fosse. Acabei participando de um jogo de karaoke com meus amigos na casa de uma das amigas da Majbritt. Uma lastima. Depois da performace sofrivel do meu dueto com o Jesper cantando Aretha Franklin, fomos conhecer os bares de Aarhus. E depois de bebermos algumas cervejas, meu amigo Jesper me convidou para ser seu padrinho de casamento. Nao tenho palavras para descrever a honra que e um convite desses. E tinha que ser feito da maneira dinamarquesa: bebado. A Majbritt ficou reclamando com ele que ela nao queria que ele fizesse o convite desse jeito, mas foi do jeito que tinha que ser.
No sabado, havia um almoco na casa de um dos tios do Jesper. Ao chegarmos na casa dele, vi uma cama elastica no jardim e nao deu outra. Em menos de tres minutos, eu estava voando na cama elastica. Alem de muita comida, o sabado incluia um jogo de softball e um de futebol que a chuva encurtou. Na volta dos jogos, eu acabei praticando um pouco de luta livre com os priminhos do Jesper. Depois de quase tres horas jogando os moleques de um lado para o outro, eu acabei me rendendo. Foi um dia sensacional.
Eu precisava descansar da surra que eu levei na cama elastica da molecada e fomos no domingo para a casa de praia da vo do Jesper. Comemos um pouco de peixe defumado e andamos um pouco pela gelida praia. Depois fomos para a casa dos pais do Jesper onde pude conhecer seu irmao Jonas. Batemos uma bola no gramado na frente da casa e comemos bastante como sempre.
Meus amigos bem que queriam que eu fosse com eles no Skandrborg Festival. Tanto que a Majbritt me levou com ela na segunda feira para a abertura do camping do festival para ajuda-la com a escolha da area onde colocar a barraca deles. Todo mundo esperando ate abrirem o portao quando comeca a correria para tentar arrumar um espacinho para acampar. O mais curioso e que uma vez que a barraca esta colocada, a maioria das pessoas vai embora para casa e so vai voltar la dois dias depois quando o festival comeca. A barraca fica la e ninguem mexe. E esquisito nao ter ninguem para roubar as coisas. A priminha do Jesper tinha que escrever uma redacao para a escola de tema livre e depois de me conhecer decidiu que o tema seria eu. Entao nos fomos a noite visita-la e eu dei para ela minha bandeira do Brasil que eu tinha comprado para a Copa do Mundo enquanto eu estava no Nepal. Ela ficou toda feliz e colou na porta do quarto dela, uma posicao de maior destque do que o poster que ela tem do High School Musical. Isso que e moral!
Decidi que quando o Skanderborg Festival comecasse eu iria seguir em frente e nos dias seguintes, rodei por Aarhus e ainda fui no Jardim Botanico da cidade e dei uma caminhada com a Majbritt pela cidade. Na quarta feira peguei o trem para Copenhagen. Quando fui me despedir da mae da Majbritt, ela falou que tinha feito um lanchinho para eu comer na viagem e me deu um saco maior que minha mochila de comida para levar. Sanduiche, fruta, suco. Gente finissima.
Nao foi tao dificil dizer adeus para meus amigos porque eles me prometeram que me visitariam em breve. Entao, nosso adeus nao passou de um ate logo.
Segui para Copenhagen para ver a maior cidade da Escandinavia. O que nao quer dizer muita coisa, pois continua sendo uma cidade com menos de dois milhoes de habitantes, o que na China nao passa de um vilarejo.
No meu primeiro dia em Copenhagen, meus amigos dinamarqueses que eu conheci em Beijing foram me mostrar a cidade. Frederik, Viktor e Niclas moram em Roskilde, mas foram ate a capital para me fazer companhia. Caminhamos pela cidade e vimos todos os predios historicos, o famoso porto de Copenhagen que eu ate agora nao entendi porque e famoso, passamos na porta do Tivoli e ainda fomos ate Cristiania, um lugar que eu nao fazia a minima ideia que existia.
Cristiania e um dos maiores pontos de interesse dos turistas que visitam Copenhagen e e compreesivel que seja, pela controversia em torno do local. Crisitiania comecou na decada de 70 como uma area hippie no meio de Copenhagen. Drogas sao vendidas como em um feira livre e a policia nao aparece. Curiosamente, um tema extremamente delicado como esse seria tratado de forma diferente em qualquer lugar, mas Crisitiania e motivo de orgulho para muitos dinamarqueses. E um exercicio de tolerancia e o ambiente e extremamente curioso, pois nao e so uma area de venda e consumo de drogas. A area e como se fosse um parque com muitas arvores e muitas criancas e idosos circulm pela area. Droga pesada nao entra.
Copenhagen e uma cidade bem diferente das outras cidades da Escandinavia. Muitas pessoas nas ruas e muitas coisas acontecendo, mas ainda assim tudo muito caro.
No segundo dia que eu passei em Copenhagen, conheci um casal finlandes no hostel e andamos pela cidade mais uma vez, vendo basicamente as mesmas coisas que eu ja tinha visto no dia anterior, pois em um dia eu ja havia visto quase tudo na cidade.
No final do dia, segui para Roskilde para curtir um fim de semana dinamarques. Niclas me mostrou a cidade em uma hora. A noite fomos rodar pela cidade e comecar o fim de semana. Conheci alguns outros amigos deles e descobri alguns fatos sobre a Dinamarca. Segundo eles, a Dinamarca e o pais onde mais se consome alcool no mundo, o que preocupa alguns politicos e orgulha a juventude. E quanto mais aumenta o preco das bebidas alcoolicas, menos se vende alcool na Dinamarca, mas mais se vende logo do outro lado da fronteira na Alemanha. Todos os dinamarqueses que eu conheci tinham uma coisa em comum: faziam viagens periodicas ate a Alemanha para comprar cerveja.
Duas noites em que eu curti em Roskilde com meus amigos e conheci um monte de dinamarqueses gente boa. Roskilde apesar de ter sido a primeira capital da Dinamarca nao tem muito o que visitar. Entao no domingo de manha, sai da casa de um Niclas para a casa de outro Niklas. O segundo Niklas e eu nos conhecemos indo do Cambodia para o Vietnam e passamos uns dias juntos em Saigon. A familia do Niklas e super legal e ele e um cara super gente boa. Daqueles caras que de longe da pra ver que e do bem. Alem dele eu tambem estava planejando visitar Maja, a companheira de viagem dele no Vietnam. O pai do Niklas viajou pelo Brasil em 1985. Do Rio ate Manaus indo pela costa ate cortar floresta adentro, eu acho que o cara viu mais do Brasil do que quase todos os brasileiros que eu conheco. E nao e a toa que ele e um cara tao gente boa, pois a familia dele e super legal. A cidade deles se chama Helsingor e e famosa por ser a terra do Kronborg, o castelo de Hamlet. E mais uma daquelas cidadezinhas sem predios altos com um monte de casinhas coloridas no tradicional estilo dinamarques. Tudo muito bonito, arrumado, limpo, enfim, um mundo que quem mora em cidades grandes so consegue acreditar vendo. O domingo estava meio chuvoso, entao demos um role de carro e fomos visitar os avos paternos do Niklas e vi a criacao de passaros do avo dele. Na volta, o jantar foi pizza. Os pais dele tentaram fazer um prato diferente e deu errado.
Na segunda feira, o tempo nao estava marvilhoso, mas pelo menos nao estava chovendo. Eu e Niklas fomos ate o Kronborg e visitamos o castelo, as galerias subterraneas e vimos a estatua de Holger the Dane. Diz a lenda que ele esta adormecido e que acordara quando a Dinamarca for ameacada para salvar o pais.
Depois do Kronborg, comemos um bagel e fomos para a casa do Niklas. Como ele falou para todo mundo que um amigo dele do Brasil estava vindo, um amigo dele ligou nos convidando para jogar pelo time dele a noite. E foi um grande fiasco. Nao que tenha sido tao ruim assim, mas eu nao jogava bola a tanto tempo que em vinte minutos nao aguentava mais andar. Pelo menos o nosso time deu um banho de bola no time adversario (gracas a todo o resto do time porque eu ja entrei em campo morto...). Maja ainda apareceu para dar um alo enquanto jogavamos.
No mesmo dia era aniversario do irmao do Niklas, Benjamin. Kim e Layla, os pais do Niklas fizeram um super jantar e ainda me mostraram como se joga o tradicional jogo dos reis. Mais um dia sensacional na minha viagem. Ainda tive a oportunidade de ouvir o parabens para voce da Dinamarca que nao tem nada a ver com o nosso. Depois do jantar sentamos e conversamos ate tarde e a vontade era que o tempo nao passasse. Mas fazer o que? Chega a hora de seguir em frente.
Na manha seguinte, acordei e segui com meu amigo Niklas ate a estacao para pegar o trem para a Alemanha. Chateado por deixar para tras todas aquelas pessoas sensacionais que conheci e visitei na Dinamarca, mas pronto para viver mais momentos inesqueciveis. Dificil vai ser algum pais ser tao "familiar" quanto a Dinamarca, fora o meu Brasil, e claro!

Thursday, August 5, 2010

Diario de Bordo XXIX: A chegada a terra dos vikings e dos precos absurdos...






Sete horas ate Moscou, mais uma hora e meia e chego a Helsinki. De
cara o choque. Pouquissimas pessoas na rua e ninguem com olho nem um
pouquinho puxado. A saudade da China bateu na hora. Quando eu vi o
preco do onibus do aeroporto ate a cidade, ai que a saudade foi ainda
mais forte. Chegando na cidade, me esbarrei com um casal de suicos e
acabou que descobrimos que iamos para o mesmo hostel. No caminho
encontramos uma alema e ela nos mostrou onde era o hostel. Uma moleza
viajar na Europa. Facil, facil de achar o hostel. Ai vem a hora de ver
o preco do hostel e fica aquela impressao de que a diaria de um hostel
na Europa e o suficiente para passar uma semana na India. Tudo e pago,
mas tem uma pequena vantagem: as coisas normalmente sao limpas e
funcionam. O quarto era otimo e, por incrivel que pareca, eu cabia na
cama sem problemas. Ta ai uma sensacao que eu nao tinha faz tempo...
Enfim, mas como tudo e caro para cacete, nao da pra ficar de bobeira.
Cheguei em torno de sete da noite no hostel, tomei um banho, troquei
de roupa e meti o pe para ver a cidade. Sem duvida, o mais
impressionante e a quantidade de pessoas na rua. Nao tem praticamente
ninguem. O dia tava bonito e eu dei uma caminhada longa, esbarrei com
uns garotos em um parque e bati uma bola muito rapido e comecei a
andar aleatoriamente na cidade. Me perdi, mas nao esquentei. Afinal,
olhava para cima e la estava o sol dando aquela sensacao de que eram
umas seis da tarde. Ate que eu me liguei que eu cheguei no hostel as
sete da noite e apesar do sol, ja eram onze horas da noite. Esse papo
de sol da meia noite, eu sempre escutei, mas incredulo que sou nunca
acreditei. Agora, posso dizer que vi com meus proprios olhos. So
anoitece por algumas horas nesse periodo do ano, o que me faz so
imaginar e desejar nunca testemunhar o inverno deles. Depois da
caminhada, so me restou apagar.
Acordei de manha, apos uma boa noite de sono e comi o cafe da manha do
hostel. Me preparei para um India solitario, pois nao conheci ninguem
no hostel. Carreguei o ipod, botei um livro na mochila e comecei minha
caminhada por Helsinki. Fui numa igreja perto do hostel que era bem
bonita e na saida esbarrei de novo com a alema que tinha me indicado
onde era o hostel no dia anterior. Conversamos por alguns minutos e eu
e Krissi decidimos dar um role pela cidade juntos. Mais meia hora e
empacamos perdidos no mapa e conhecemos mais um grupo de cinco
estudantes de medicina de diferentes paises que estavam passando o dia
em Helsinki e seguimos todos juntos. Resultado em menos de uma hora, o
meu dia solitario se tornou um dia cheio de novas companhias. Rodamos
pela cidade por um tempo e depois pegamos a balsa para Suomenlinna,
uma ilha bem proxima a Helsinki que possui um forte e algumas praias.
As praias sao frias para cacete diga-se de passagem, mas e legal pelo
menos para ver a alegria da turma da Finlandia curtindo o verao.
Rodamos a ilha e paramos um tempo em uma das praias. Algum tempo
depois tivemos que voltar para a cidade. So eu e Krissi ficamos em
Helsinlki, o resto do nosso grupo estava hospedado na Estonia.
Compramos uma coisas no mercado e fomos curtir um piquenique num
parque perto do hostel as onze da noite com o ceu ainda claro.
Helsinki e uma cidade sensacional. Verde por todos os lados e o mar no
meio da cidade com algumas pequenas ilhas dao um ar muito legal a
cidade. Sem duvida a baixa densidade populacional e a tranquilidade do
estilo de vida finlandes sao um baita choque para quem acabou de
chegar de Beijing. Mas da para entender o gosto que as pessoas tem por
esse estilo de vida.
Novo dia, minha amiga alema Krissi pegou o trem cedo para seguir para
o norte da Finlandia. Eu tinha que esperar ate o final do dia para
pegar a balsa para Stockholm. Aproveitei para caminhar pela super
agradavel cidade de Helsinki e comer algumas daquelas frutas que a
gente so fica sabendo que existe na aula de ingles porque o livro
nunca e feito com o nome de frutas tropicais. Entao comprei umas
blackberries, blueberries e cerejas. Nao que as frutas fossem ruins,
mas deu uma saudade das feiras de rua do Rio. Para comecar pelo preco
e pela falta de manga, tangerina, fruta de conde e outras maravilhas
tropicais que a gente so da valor quando nao tem.
Chegada a hora da balsa, a surpresa. A balsa era na verdade um
cruzeiro. Um baita navio com free shop, boate e cassino. Eu que tinha
me preparado para ler um livro e relaxar, tive que reajustar meus
planos. Conheci um turco que tambem estava viajando pela Escandinavia
e fomos ate o free shop comprar uns drinks e rodar pelo navio. Depois
de uma longa noite chegamos a Stockholm.
Primeira coisa que eu tinha que resolver era achar um hostel. Peguei
um onibus ate o centro e para minha surpresa, na Suecia internet
gratuita nao e tao comum quanto eu imaginava. Na Escandinavia, alem de
tudo ser caro para cacete, tudo e cobrado, ate ir no banheiro no
Mcdonalds custa dinheiro. Mas perguntando para um cara que trabalhava
na estacao de onibus, ele falou que os onibus interestaduais tinham
internet gratis. Entao la fui eu. Enquanto o onibus parava por alguns
minutos eu tentava usar a internet. No fim das contas, minha pao
durice deu certo e consegui marcar um hostel e ainda falar com meu
amigo Tim, o australiano que conheci em Koh Pangang e viajou comigo
ate o Cambodia. Ele estava de mudanca para a Suecia para viver com
Frida, uma sueca que ele conheceu no mesmo hostel que estavamos.
Enfim, encontrei um hostel e me alojei. La conheci um paulista muito
gente boa que estava rodando a Europa de bicicleta. Fernando,
corintiano roxo, parecia estar sofrendo da mesma carencia que eu: apos
a Copa, estavamos numa grande necessidade de falar de futebol em
portugues e nao conseguiamos encontrar ninguem com a visao brasileira
do futebol. So um monte de gente que achava que o time da Espanha era
bom para cacete e que Iniesta passava por jogador de futebol. Ta de
sacanagem, no meu Botafogo, Iniesta senta no banco pro Alessandro
jogar. Enfim, depois de algumas horas conversando de futebol,
encontrei meu amigo Tim e Frida. Foi muito legal me encontrar com
eles, pois eu e Tim sempre nos demos super bem. Eles me mostraram a
cidade e os pontos principais. Infelizmente, Tim tinha que ir de volta
para a Australia para renovar o visto no dia seguinte e teve que sair
fora cedo. Voltei para o hostel e bati mais uma bola com o Fernando e
depois fomos dormir para rodar pela cidade no dia seguinte.
Dado ao absurdo custo do metro em Stockholm, optamos por andar ate o
centro da cidade, o que foi uma boa ideia, pois nos esbarramos com o
turco que eu tinha conhecido no navio. E assim, Memeth se juntou a
nos. Fomos a catedral e rodamos pelo palacio, mas nao chegamos a
entrar. No final do dia ainda tentamos achar um lugar para tentar
tomar uma cerveja, mas ledo engano achar que a noite sueca e
minimamente proxima da noite brasileira. Todo mundo arrumadaco, bebida
cara para cacete e nenhum lugar cheio o suficiente. Tomamos uma
cerveja e reconhecemos a derrota.
No Facebook, comecei a falar com uma amiga que eu sabia que morava em
Stockholm e ela me convidou para dormir no dia seguinte na casa dela
para economizar uma grana no hostel e me garantiu que ela levaria eu e
Fernando para conhecer a noite de Stockholm. Eu conheci Kajsa em Koh
Pangang na Tailandia. Quem conhece e ja foi a Koh Pangang tem que
entender alguma coisa de noitada. E realmente foi uma boa ideia. Foi
uma noite legal e os lugares aos quais ela nos levou tinham precos
muito melhores do que os que nos vimos na noite anterior. Mas que deu
saudades da Asia, deu.
Novo dia, novo pais. Decidi metir o pe e seguir em direcao a Noruega.
A unica coisa que eu sabia da Noruega e que e o pais mais caro do
mundo. E nao e so um pouquinho mais caro que os outros. E muito mais
caro que qualquer outro canto. A viagem de trem foi belissima. Se um
dia eu tiver muita grana, gostaria de voltar e dar uma volta pelo
interior da Noruega.
Apesar de ser verao, eu sofri com um frio dos infernos quando cheguei
em Oslo. Nao foi dificil encontrar o hostel que e um dos poucos da
cidade. De cara conheci Reetta. Uma finlandesa que assim como meu
amigo brasileiro de Stockholm estava pedalando pela Europa. So que as
condicoes eram totalmente diferentes. Fernando estava totalmente
preparado e treinado, enquanto Reetta simplesmente acordou um dia,
meteu uma barraca debaixo do braco e pegou a bicicleta dela que custa
menos de cem euros e saiu pedalando. Resultado, agora ela estava de
saco cheio de pedalar e nao conseguia que nenhuma empresa de onibus ou
trem aceitasse levar ela e a bicicleta de volta. Ja que ela estava
empacada, resolveu dar um role por Oslo e fomos juntos. Caminhamos
pelas ruas de Oslo, passamos pelo palacio e fomos ate o parque de
esculturas no centro da cidade. Na volta, caminhamos beriando o mar e
retornamos ao hostel para Reetta decidir o que ela faria.
Aparentemente, a unica decisao que ela conseguiu tomar era que queria
beber uma cerveja antes de fazer qualquer coisa. No hostel, conhecemos
Audrey, uma canadense que estava tirando ferias na Escandinavia e que
se juntou a nos para tomar uma cerveja em algum bar de Oslo. Curtimos
a cerveja mais cara do mundo, no pais mais caro do mundo. E voltamos
para o hostel. Reetta tomou coragem e saiu pedalando depois da
cerveja. Impressionante, o efeito que alcool tem nessa turma do norte
da Europa...
No meu ultimo dia em Oslo, acordei e tive que tomar uma decisao
importante. A Noruega e o pais mais caro do mundo, mas o meu tenis
estava destruido e eu precisava de algum novo calcado. Qualquer que
fosse. Minhas sandalias de um dolar compradas na China tambem nao
aguentariam muito tempo. Entao resolvi que a solucao era bancar o
chines. Entrei numa loja peguei um tenis e perguntei pro vendedor
quanto era. Ele falou o preco e eu ataquei perguntando se aquele era o
melhor preco que ele poderia me dar. Depois de uma meia hora de
choradeira ao melhor estilo Beijing, sai da loja com quarenta por
cento de desconto e tres pares de meia de brinde. Claro que eu
adoraria ter comprado o ter comprado o tenis na China, mas nao se
encontra muitos sapatos que caibam no meu pe na Asia.
Feliz da vida pelo sucesso da minha estrategia segui ate o Centro do
Premio Nobel da Paz. Eu que nao sabia que o premio havia sido entregue
para o presidente e popstar, Barack Obama em 2009, fiquei totalmente
decepcionado. Soava como piada que o comandante do pais envolvido no
maior numero de conflitos simultaneos no mundo e que nao conseguiu
articular nenhuma decisao governamental desde que tomou posse tenha
sido agraciado com o premio. Parecia que o interesse do comite era
mesmo o de dar o premio por popularidade. Uma piada de mau gosto. E e
claro que eles tem milhares de argumentos para justificar a escolha.
Sem duvida os argumentos mais faceis de desconstruir do mundo. E so
perguntar se eles consideraram a guerra do Iraque e do Afeganistao e
eu acho que encerra a discussao. Mas a guia do museu, "socialista" que
ja foi para a Argentina (aargh!) e outros paises que sofrem com a
demagogia de esquerda que povoa os sonhos de europeus idiotas que
nunca sofreram as mazelas que esse tipo de utopia pode fazer ao seu
pais, jura que a escolha e super profissional e seria. Melhor deixar
para la. Voltei para o hostel e encontrei com a Audrey novamente e
fomos ate a Opera de Oslo. Ela e arquiteta e jura que o predio e uma
obra super importante. Eu que nao entendo nada, achei o predio feio
para cacete. Comemos uns sanduiches que haviamos comprado no
supermercado "admirando" o predio e, em seguida, tive que meter o pe
para pegar o onibus para Dinamarca. Esta na hora de visitar meus
amigos Jesper e Majbritt.

Friday, July 23, 2010

Diario de Bordo XVIII: Finalmente no teto do mundo






Quer um comeco ruim para uma viagem?Basta marcar para sair as seis horas da manha. A fronteira do Nepal com a China fica relativamente proxima a Kathmandu, entao fica dificil entender porque estavamos comecando nossa viagem tao cedo. Mas menos de uma hora depois do inicio percebemos o porque. A estrada do Nepal em direcao ao Tibet e pessima e e conhecida como friendship highway. Vai ser amigo assim la na Asia. Passamos por pelo menos tres deslizamentos de encosta que nos atrasaram mais de duas horas para chegar na fronteira. Na fronteira, os soldados chineses revistam tudo, ligam computador e procuram por documentos relativos a situacao politica no Tibet e qualquer motivo para negar a entrada dos gringos no pais. Sempre tem aquela historia do malandro que eles nao deixaram entrar e, coincidentemente, todo mundo conhece a historia, mas ninguem conhece o malandro. Depois de toda a burocracia, cruzamos a fronteira e fomos almocar no lado tibetano da fronteira. Apos o almoco, seguimos dirigindo por algum tempo por uma paisagem que a chuva havia transformado em um festival de montanhas verdes e pequenas cachoeiras por todos os lados. Nao e preciso dizer que nenhuma foto faz jus ao que estavamos vendo. No grupo em que eu estava viajando haviam dez pessoas. Tres poloneses vegans, tres americanos nerds para cacete, um grego porra louca, uma militar australiana e um moleque nascido no Peru que cresceu no Havai, alem de mim. De cara, eu, o grego, a australiana e o peruano nos demos muito bem e dali para frente fizemos nosso pequeno grupo.
A primeira parada foi em uma pequena cidade chamada Nyalam, no caminho dos indianos que seguem para o monte Kailash. A cidade fica abarrotada de indianos que seguem para visitar o Kailash que aparentemente e uma das montanhas sagradas para os hindus. Aparentemente, tudo e sagrado para os hindus, o que enche um pouco o saco, especialmente quando temos a oportunidade de presenciar a forma como eles tratam os individuos de castas inferiores, mas eu ja deixei de tentar entender.
A cidade era muito pequena e na primeira guesthouse, como era de se esperar, nao tinha chuveiro. Tava um frio do cacete, apesar de estarmos no verao por conta da altitude. Quando abre o sol e quente para cacete, mas quando nubla e um frio de rachar. Ja nesse dia, testemunhamos uma mudanca drastica na paisagem. Do lado nepales, o clima e tropical e umido, mas depois de passar o primeiro high pass pelos Himalaias, toda a umidade fica para tras. A motivo das chuvas da epoca das monsoes ficava mais do que clara quando viamos que as nuvens do lado nepales ficavam presas nos Himalaias e a chuva e humidade so caiam do lado de la porque do lado tibetano a sensacao era de estar de volta a Mongolia. Uma secura e nada crescendo, so montanhas e pedras.
No segundo dia, dirigimos de Nyalam ate Lha Tse. No caminho, vimos muitos campos agricolas verdes e amarelos que transformavam a paisagem cinze num espetaculo de cores. O ceu e outro espetaculo. Talvez seja a altitude, mas eu nunca vi azul tao intenso.
Passamos por alguns high passes de quase cinco mil metros de altitude e a falta de oxigenio alem de deixar algumas pessoas com dor de cabeca, fez com que alguns ipods parassem de funcionar temporariamente. Paramos em alguns lugares no caminho e a sensacao nesses momentos era sempre a mesma. Nos lugares de parada comum de turistas, as criancas e os adultos adotavam a mesma tatica de abordagem dos indianos que se davam ao trabalho de aprender duas palavras em ingles: "Hello-money, hello-money!" Isso me tirava do serio porque se tinha uma coisa que eu gostava da China e que eu nunca tinha ouvido isso antes em nenhuma das cidades chinesas pelas quais passei. Mas nos locais onde turistas normalmente nao paravam era sempre uma grande bagunca quando paravamos e conheciamos pessoas super agradaveis e a criancada se amarrava. Foi nesse dia em que passamos por um dos pontos em que e possivel avistar o Monte Everest. Infelizmente, ele estava bem coberto e por mais que conseguissemos ter uma nocao da dimensao da montanha pela sombra por tras das nuvens, nenhuma das fotos ficou boa. Pelo menos deu para ter uma nocao do que seria uma montanha de 8848m de altitude. Chegando a Lha Tse, ficamos surpresos com a guesthouse que era ainda pior que a anterior e alem de nao ter chuveiro, nao tinha vaso sanitario, somente um buraco no chao.
Novo dia, hora de seguir de Lha Tse para Shiga Tse. Hora de comecar a visitar monasterios. A cidade era bem arrumadinha e o monasterio muito bonito. A grande decepcao ficou por conta da condicao de que alem de termos que pagar para entrar ainda tinhamos que pagar se quisessemos tirar fotografia do interior do monasterio. E era um valor para cada sala do interior do monasterio. Os monges ficavam fiscalizando para ver quando algum malandro tentasse dar um calote. Depois de visitar templos, igrejas e mesquitas sensacionais em que nao me cobraram um centavo para entrar tenho que confessar que a decepcao foi grande. Isso aconteceu em todos os templos em que visitamos no Tibet. Transformaram o budismo tibetano em um negocio da China.
Seguindo Tibet adentro, fomos de Shiga Tse para Gyan Tse no proximo dia. Nesse dia, nosso querido motorista tomou uma multa por excesso de velocidade e tivemos que esperar um tempao pro guarda chines liberar nosso onibus. No caminho, uma das atracoes do dia foi a visita a um moinho. Ninguem demonstrou o minimo interesse e essa visita durou bem pouco. E la seguimos para Gyan Tse para ver mais um monasterio. Vimos o monasterio e apos como tinhamos ainda algumas horas de bobeira na cidade, ao inves de ir as compras como os outros integrantes do nosso grupo, resolvemos subir uma das pequenas montanhas no meio da cidade e curtir a vista. Apesar de ser uma pequena montanha, a altitude nos matou no caminho. Tivemos uma vista muito bonita do antigo forte da cidade e do monasterio que haviamos visitado. O tempo estava otimo e foi um dos pontos altos da viagem. Se tem uma coisa pelo qual o nosso cronograma pecava e muito e que era muito voltado para o aspecto cultural da regiao, mas a paisagem era incrivel e totalmente diferente de qualquer lugar do mundo. Como estavamos sempre indo de monasterio em monasterio, tinhamos pouquissimo tempo para apreciar a paisagem. A noite que passamos em Gyan Tse tambem foi a fatidica noite da derrota de nossa patetica selecao para o ainda mais patetico time da Holanda. Dei gracas a Deus, Buddha e Maome por estar longe do Brasil e nao ter que aturar os jornais brasileiros falando a respeito da cagada que a selecao fez na Africa.
A manha seguinte foi dificil, apos a noite acordado ate tarde vendo o jogo, mas tinhamos um longo dia dirigindo ate Lhasa, a capital da "regiao autonoma do Tibet". No caminho, passamos pelo high pass mais alto de nosso percurso. Mais de 5200m de altitude e tinhamos a vista de um glacier a alguns metros de distancia. Eu queria chegar ate o glacier, mas claro que nao tinhamos tempo mais uma vez. Nesse dia, eu fiquei bem aborrecido com a correria para ver mais monasterios e a falta de flexibilidade de nosso cronograma para ver coisas realmente unicas e voltei pro onibus dando esporro no guia, no motorista e em quem tava reclamando, nao que fosse mudar alguma coisa, mas nao da para ficar aborrecido sozinho, entao eu passei a bola. Nesse dia, vimos tambem diversos lagos de agua azul cristalina sensacionais, resultado do derretimento dos glaciers presentes a toda volta. Os lagos foram um espetaculo a parte e evidenciaram o quanto estavamos perdendo oportunidadesde apreciar belezas naturais correndo de monasterio em monasterio vendo um monte de coisa parecida e sendo fiscalizado por monges que estavam mais interessados em nos cobrar pelas fotografias que tiravamos do que em exercitar o lado espiritual.
Depois de mais de quase um dia inteiro no onibus, chegamos a Lhasa, capital do Tibet. Em Lhasa, ficamos num hotel sensacional. Muito proximo do Jokheng Temple e da area historica da cidade. Comemoramos nosa chegada indo comer uma pizza de yak sensacional em um dos restaurantes da cidade.
Finalmente em Lhasa, a primeira coisa que visitamos foi o Potala Palace. O Potala Palace teve sua contrucao iniciada no seculo VII e era a residencia oficial do Dalai Lama ate ele abandonar a regiao e se exilar em Dharamsala na India. O palacio e muito bonito e tem uma vista belissima da cidade. A quantidade de peregrinos que vao ate Lhasa, despejar manteiga de yak proximos as imagens e surpreendente. Grande parte da cultura da regiao gira em torno do yak, o animal simbolo da regiao e um parente proximo dos nossos bovinos, mas se adapta muito bem ao frio e a altitude. O cha tibetano e feito de manteiga de yak com sal. Uma verdadeira porcaria, mas que faz parte da cultura local. A tarde, visitamos o Jokheng Temple, um dos mais antigos do Tibet. Fizemos a kora que e uma das expressoes religiosas dos fieis tibetanos. E bem simples, consiste em simplesmente dar uma volta no sentido horario em volta do templo. Muitos giram as rodas de oracoes e algumas pessoas tem suas proprias pequenas rodas de oracao e vao girando enquanto dao a volta no templo. Tambem tiramos um tempo para comprar alguns souvenirs dos vendedores tibetanos e eles acabaram sendo os vendedores mais agressivos que eu vi ate agora de todos os lugares pelos quais passei. Eles agarram no braco do cliente e ficam falando "Look, Look! How much you pay on this? Come on give me your best price" Dificil de se livrar para caramba.
No ultimo dia, fomos a mais um monasterio e a tarde voltamos a rodar por Lhasa e a comprar souvenirs. Visitar o Tibet era sem duvida nenhuma um dos meus sonhos e a visita mexeu bastante com minha opiniao sobre a libertacao e autonomia da regiao. Para comeco de conversa, o Tibet e um buraco negro para o governo chines que esta investindo uma fortuna para desenvolver a infra-estrutura local sem a possibilidade de ter retorno. Por outro lado, o Tibet parece uma area de interesse pela concentracao de glaciers e por ser a area de origem de muitos rios fundamentais para a Asia. Nao so isso, a area que o Tibet ocupa e gigantesca, mas abriga somente 2,7 milhoes de habitantes. Nao parece uma regiao que teria forca para reclamar sua propria independencia, especialmente contra o governo chines. Entao, ao que tudo indica, apesar de toda a atencao da midia internacional, o destino do Tibet e de ser parte da China.
A minha saida do Tibet seria por trem. Eu peguei o sky train ate Beijing. 48 horas de viagem super confortaveis na ferrovia em maior altitude do mundo. A mudanca de paisagem do primeiro dia para o segundo dia de viagem tambem e bem interessante. Do seco e arido TIbet para o verde do verao chines.
Chegando de volta a Beijing, passei um pouco por um choque que eu achei que nao fosse acontecer. Apos viajar por algum tempo em lugares menos densos populacionalmente, o impacto de chegar em um lugar que tem gente em tudo que e canto e em grande quantidade foi meio estranho. Mas depois de algumas horas ja havia me alojado na casa de minha amiga romena Nicole e acostumado a cidade.
Passei uma semana em Beijing e foi um grande choque estar na cidade durante a onda de calor, pois em marco eu estava na cidade durante a onda de frio atrasou a primavera por mais de um mes. Em todo o periodo em que estive la, o tempo esteve pessimo. Alguns dias chuvosos e nublado direto.
No tempo em que passei em Beijing tive alguns problemas com o cartao de credito, o que atrasou um pouco meu retorno para o velho continente. Saimos para curtir a noite chinesa e ainda encontrei com Laetita, uma suica que conheci no Cambodia e estava estudando chines em Beijing. Saimos todos juntos algumas vezes e depois de resolver todos os problemas com meu cartao e conseguir comprar minha passagem, estou seguindo num longo voo de Beijing com escala em Moscou para Helsinki.

Wednesday, July 21, 2010

Diario de Bordo XXVII: Nepal, a caminho do ceu.






Nada como cruzar a fronteira entre India e Nepal. Para comecar a
bagunca e tamanha que eu passei a fronteira sem visto nem nada so para
ver se alguem ia falar alguma coisa e nada. Entao eu voltei, peguei o
carimbo dos detestaveis guardas da fronteira indiana e tive a
satisfacao de bater um papo com os dois senhores que estavam tomando
conta da fronteira no lado nepales. Eles foram super agradaveis e
simpaticos e batemos um papo sobre Copa do Mundo e futebol. No Nepal,
futebol e muito mais famoso que o cricket, o que ja e um bom comeco.
Depois de um bom papo, decidi que iria a Lumbini que fica a trinta
minutos da fronteira ao inves de encarar mais sete a oito horas de
onibus ate Kathmandu ou Pokhara. Em Lumbini, me hospedei no monasterio
coreano que alem de um lugar para dormir fornece cafe, almoco e janta.
Sensacional para o preco se o cafe, almoco e janta nao fossem o mesmo
menu: dalbat. Dalbat e o prato tradicional do Nepal e e nada menos do
que arroz com lentilha. Apos duas refeicoes eu nao conseguia mais
olhar para dalbat, mas de nada adiantava porque Lumbini e uma cidade
muito pequena e a unica alternativa que eu achei foi chowmein que nao
e nada demais, mas pelo menos serve para variar um pouco o cardapio.
Eu esperava que Lumbini fosse um pouco como Bodhgaya, mas nao chegou
nem perto. O parque esta em construcao e o que ha de construido esta
em pessimo estado de conservacao. Se eu nao estivesse tao cansado,
teria ido para Kathmandu no dia seguinte, mas estava sem condicoes.
Acordei no dia seguinte e perdi o cafe da manha, o que nao era nada de
ruim, pois depois de almoco e janta nao dava mais para ver dalbat. Sai
para caminhar pelo parque e para ver o local de nascimento do budha
que ficava bem proximo do templo onde eu estava. No caminho, decidi
sentar para tomar um cha e conheci Andrea, uma americana da California
que foi a unica pessoa nao oriental que conheci em Lumbini. Ela estava
la para fazer o curso de meditacao vipassana. Sao dez dias sem falar,
o que no meu entender inviabiliza o curso para todas as mulheres do
mundo. Dez dias sem falar? Sai fora...
Enfim, rodamos pela cidade de Lumbini e vimos o local de nascimento do
budha, o pilar comemorativo construido pelo imperador Ashoka proximo
do local, enfim, mas nada que impressionasse. Ainda caminhamos pela
cidade, nos entupimos de manga e no fim mais uma refeicao de dalbat
para dormir cedo e seguir para Kathmandu no dia seguinte.
No templo coreano, havia uma holandesa chamada Helga que tambem estava
seguindo para Kathmandu no dia seguinte. Helga, assim como dezenas de
holandeses estao fazendo trabalho voluntario no Nepal. No caminho, ela
me deu varias dicas e ainda me recomendou um lugar para ficar bom,
bonito e barato. Ainda me recomendou uma agencia de turismo para
organizar qualquer tipo de passeio no Nepal. Aproveitei que a Copa do
Mundo estava rolando para assistir um pouco dos jogos e fui no dia
seguinte conhecer o tal cara que a Helga me recomendou. Para minha
surpresa, Nil Hari, o dono da empresa de turismo foi super gente boa e
me ajudou a matar dois coelhos com uma porrada so. Claro que estando
no Nepal eu teria que dar um passeio pelos Himalaias, mas apos tentar
duas vezes, parecia que seria possivel ir pro Tibet via Nepal. So que
ficaria muito caro. Entao Nil Hari me propos fazer um passeio basico
pela regiao do Anapurna, ver algumas das montanhas por conta propria o
que faria o passeio muito mais barato e seguir para o Tibet com a
ajuda dele.
Entao fiquei mais dois dias em Kathmandu e aproveitei no primeiro dia
para ver o Monkey Temple, o templo dos macacos, e o jogo do Brasil
contra a Coreia do Norte que foi uma piada. No segundo dia, fui
resolver os detalhes das permissoes que sao necessarias para entrar na
area de protecao dos Himalaias e, em seguida, peguei o onibus para
visitar uma area chamada Boudha que e famosa pela presenca massiva de
tibetanos e do budismo tibetano em Kathmandu. No onibus, conheci um
rapaz chamado Bishnu e pude ver a diferenca gritante entre Nepal e
India. Na India, todo mundo tentava tirar dinheiro de tudo que e
turista enquanto Bishnu estava satisfeito em fazer um novo amigo.
Nepal 10, India 0.
Novo dia, dia de seguir para Pokhara e ver os Himalaias.
Inacreditaveis sete horas e meia para percorrer algo em torno de 250
km. Por causa das montanhas, as estradas sao pessimas e super
perigosas. Cheguei, me alojei e me preparei para o dia seguinte seguir
para as montanhas. Por estar fora de temporada e por nao ter conhecido
ninguem em Kathmandu que tivesse planos similares aos meus, me
preparei para seguir sozinho. O plano era seguir uma rota simples que
deveria levar entre cinco e seis noites e fazer em no maximo quatro,
pois afinal estavamos no meio da Copa do Mundo. Acordei cedo e fui
pegar o onibus que deveria me levar ate Nayapul que e o local de
inicio da trilha. Claro que o onibus estava abarrotado e eu nao
conseguia entrar e acabei tendo uma experiencia que poucos
estrangeiros tem o "privilegio" de vivenciar. Eu, mais dez nepaleses e
duas cabras fomos no topo do onibus. Era um daqueles onibus que de vez
em quando vemos fotos na internet abarrotado de gente e bicho com
gente pendurada para tudo que e lado. No inicio, o cobrador nao me
deixou ir no teto, mas ai conheci mais um nepales chamado Karma gente
boa que e do exercito nepales e falou que nao tinha problema nenhum e
tudo se resolveu. Chegando em Nayapul comecou minha jornada. Eu estava
me planejando para ir sozinho, mas o comeco ja estava meio chato, foi
ai que depois de algumas horas de caminhada alcancei duas lituanas
perdidas no meio do caminho que estavam planejando seguir o mesmo
itinerario que eu so que em mais alguns dias. Depois de conversarmos
um pouco, decidimos unir forcas para seguir em frente, eu porque nao
queria seguir sozinho e elas porque nao tinham um plano exato e
estavam um pouco perdidas. Ruta e Audra, estavam viajando juntas ha
mais ou menos cinco meses e chegaram no Nepal via Tibet, caminho
oposto do que eu pretendia fazer. Mais incrivel do que todos os
lugares pelo que passamos juntos, foi ver as condicoes em que o povo
das montanhas vive no Nepal. Em quatro dias que passamos nas
montanhas, nada de estradas e somente um posto medico.
No segundo dia, chegamos a Ghorepani, o vilarejo de acesso a Poon
Hill, ponto mais alto pelo qual passariamos com 3200 m de altitude e
local perfeito para observar a regiao do Anapurna e algumas das
montanhas mais altas do mundo. Essa epoca do ano e offseason porque e
epoca de monsao e chove grande parte do tempo. Logo ficamos sabendo
que Poon Hill estava nublado fazia duas semanas a maior parte do
tempo. Durante a noite, caiu uma tempestade daquelas e pensavamos que
nao veriamos nada quando chegassemos em Poon Hill que ficava a
quarenta e cinco minutos de caminhada de Ghorepani. Acordamos de manha
e estava chovendo, tomamos cafe e comecamos a subida. A chegada no
topo foi sublime. O ceu estava claro o suficiente para que pudessemos
ver todos os picos e a danca das nuvens que estavam proximas faziam da
vista ainda mais espetacular. Passamos umas duas horas em Poon Hill,
tempo suficiente para que pudessemos ver tudo o que queriamos e para o
tempo ficar completamente nublado novamente como havia ficado nas
ultimas semanas. Foi muita sorte. Apos vermos Poon Hill, voltamos a
Ghorepani, pegamos nossas mochilas tomamos cafe da manha e nos
preparamos para voltar. Ainda passamos uma noite em Tadapani e ate
atingirmos Nayapul novamente e voltarmos para Pokhara.
Na volta a civilizacao, comemorei a chegada em Pokhara comendo um
churrasco coreano sensacional. Passamos mais um dia em Pokhara. De la,
minhas amigas lituanas foram para um safari pelo Chitwan National Park
e eu me encaminhei para Kathmandu para assistir um pouco da Copa e
organizar os detalhes da minha viagem para o Tibet.
Mais uma longa viagem que demorou ainda mais porque ao chegar em
Kathmandu pegamos duas horas de transito dentro da cidade. Voltei para
a mesma guesthouse e assiti um pouco da Copa ate minhas amigas
lituanas chegarem na cidade. No dia em que elas chegaram conheci mais
uma holandesa chamada Eline que tambem estava viajando pela Asia.
Andamos bastante por Kathmandu e visitamos a famosa Durbar Square e,
claro, assistir a todos os jogos possiveis da Copa do Mundo. E apos
tres meses e duas tentativas frustradas, eu finalmente me preparava
para ir a um dos destinos mais complicados e sagrados do mundo: Tibet,
o teto do mundo.