Sete horas ate Moscou, mais uma hora e meia e chego a Helsinki. De
cara o choque. Pouquissimas pessoas na rua e ninguem com olho nem um
pouquinho puxado. A saudade da China bateu na hora. Quando eu vi o
preco do onibus do aeroporto ate a cidade, ai que a saudade foi ainda
mais forte. Chegando na cidade, me esbarrei com um casal de suicos e
acabou que descobrimos que iamos para o mesmo hostel. No caminho
encontramos uma alema e ela nos mostrou onde era o hostel. Uma moleza
viajar na Europa. Facil, facil de achar o hostel. Ai vem a hora de ver
o preco do hostel e fica aquela impressao de que a diaria de um hostel
na Europa e o suficiente para passar uma semana na India. Tudo e pago,
mas tem uma pequena vantagem: as coisas normalmente sao limpas e
funcionam. O quarto era otimo e, por incrivel que pareca, eu cabia na
cama sem problemas. Ta ai uma sensacao que eu nao tinha faz tempo...
Enfim, mas como tudo e caro para cacete, nao da pra ficar de bobeira.
Cheguei em torno de sete da noite no hostel, tomei um banho, troquei
de roupa e meti o pe para ver a cidade. Sem duvida, o mais
impressionante e a quantidade de pessoas na rua. Nao tem praticamente
ninguem. O dia tava bonito e eu dei uma caminhada longa, esbarrei com
uns garotos em um parque e bati uma bola muito rapido e comecei a
andar aleatoriamente na cidade. Me perdi, mas nao esquentei. Afinal,
olhava para cima e la estava o sol dando aquela sensacao de que eram
umas seis da tarde. Ate que eu me liguei que eu cheguei no hostel as
sete da noite e apesar do sol, ja eram onze horas da noite. Esse papo
de sol da meia noite, eu sempre escutei, mas incredulo que sou nunca
acreditei. Agora, posso dizer que vi com meus proprios olhos. So
anoitece por algumas horas nesse periodo do ano, o que me faz so
imaginar e desejar nunca testemunhar o inverno deles. Depois da
caminhada, so me restou apagar.
Acordei de manha, apos uma boa noite de sono e comi o cafe da manha do
hostel. Me preparei para um India solitario, pois nao conheci ninguem
no hostel. Carreguei o ipod, botei um livro na mochila e comecei minha
caminhada por Helsinki. Fui numa igreja perto do hostel que era bem
bonita e na saida esbarrei de novo com a alema que tinha me indicado
onde era o hostel no dia anterior. Conversamos por alguns minutos e eu
e Krissi decidimos dar um role pela cidade juntos. Mais meia hora e
empacamos perdidos no mapa e conhecemos mais um grupo de cinco
estudantes de medicina de diferentes paises que estavam passando o dia
em Helsinki e seguimos todos juntos. Resultado em menos de uma hora, o
meu dia solitario se tornou um dia cheio de novas companhias. Rodamos
pela cidade por um tempo e depois pegamos a balsa para Suomenlinna,
uma ilha bem proxima a Helsinki que possui um forte e algumas praias.
As praias sao frias para cacete diga-se de passagem, mas e legal pelo
menos para ver a alegria da turma da Finlandia curtindo o verao.
Rodamos a ilha e paramos um tempo em uma das praias. Algum tempo
depois tivemos que voltar para a cidade. So eu e Krissi ficamos em
Helsinlki, o resto do nosso grupo estava hospedado na Estonia.
Compramos uma coisas no mercado e fomos curtir um piquenique num
parque perto do hostel as onze da noite com o ceu ainda claro.
Helsinki e uma cidade sensacional. Verde por todos os lados e o mar no
meio da cidade com algumas pequenas ilhas dao um ar muito legal a
cidade. Sem duvida a baixa densidade populacional e a tranquilidade do
estilo de vida finlandes sao um baita choque para quem acabou de
chegar de Beijing. Mas da para entender o gosto que as pessoas tem por
esse estilo de vida.
Novo dia, minha amiga alema Krissi pegou o trem cedo para seguir para
o norte da Finlandia. Eu tinha que esperar ate o final do dia para
pegar a balsa para Stockholm. Aproveitei para caminhar pela super
agradavel cidade de Helsinki e comer algumas daquelas frutas que a
gente so fica sabendo que existe na aula de ingles porque o livro
nunca e feito com o nome de frutas tropicais. Entao comprei umas
blackberries, blueberries e cerejas. Nao que as frutas fossem ruins,
mas deu uma saudade das feiras de rua do Rio. Para comecar pelo preco
e pela falta de manga, tangerina, fruta de conde e outras maravilhas
tropicais que a gente so da valor quando nao tem.
Chegada a hora da balsa, a surpresa. A balsa era na verdade um
cruzeiro. Um baita navio com free shop, boate e cassino. Eu que tinha
me preparado para ler um livro e relaxar, tive que reajustar meus
planos. Conheci um turco que tambem estava viajando pela Escandinavia
e fomos ate o free shop comprar uns drinks e rodar pelo navio. Depois
de uma longa noite chegamos a Stockholm.
Primeira coisa que eu tinha que resolver era achar um hostel. Peguei
um onibus ate o centro e para minha surpresa, na Suecia internet
gratuita nao e tao comum quanto eu imaginava. Na Escandinavia, alem de
tudo ser caro para cacete, tudo e cobrado, ate ir no banheiro no
Mcdonalds custa dinheiro. Mas perguntando para um cara que trabalhava
na estacao de onibus, ele falou que os onibus interestaduais tinham
internet gratis. Entao la fui eu. Enquanto o onibus parava por alguns
minutos eu tentava usar a internet. No fim das contas, minha pao
durice deu certo e consegui marcar um hostel e ainda falar com meu
amigo Tim, o australiano que conheci em Koh Pangang e viajou comigo
ate o Cambodia. Ele estava de mudanca para a Suecia para viver com
Frida, uma sueca que ele conheceu no mesmo hostel que estavamos.
Enfim, encontrei um hostel e me alojei. La conheci um paulista muito
gente boa que estava rodando a Europa de bicicleta. Fernando,
corintiano roxo, parecia estar sofrendo da mesma carencia que eu: apos
a Copa, estavamos numa grande necessidade de falar de futebol em
portugues e nao conseguiamos encontrar ninguem com a visao brasileira
do futebol. So um monte de gente que achava que o time da Espanha era
bom para cacete e que Iniesta passava por jogador de futebol. Ta de
sacanagem, no meu Botafogo, Iniesta senta no banco pro Alessandro
jogar. Enfim, depois de algumas horas conversando de futebol,
encontrei meu amigo Tim e Frida. Foi muito legal me encontrar com
eles, pois eu e Tim sempre nos demos super bem. Eles me mostraram a
cidade e os pontos principais. Infelizmente, Tim tinha que ir de volta
para a Australia para renovar o visto no dia seguinte e teve que sair
fora cedo. Voltei para o hostel e bati mais uma bola com o Fernando e
depois fomos dormir para rodar pela cidade no dia seguinte.
Dado ao absurdo custo do metro em Stockholm, optamos por andar ate o
centro da cidade, o que foi uma boa ideia, pois nos esbarramos com o
turco que eu tinha conhecido no navio. E assim, Memeth se juntou a
nos. Fomos a catedral e rodamos pelo palacio, mas nao chegamos a
entrar. No final do dia ainda tentamos achar um lugar para tentar
tomar uma cerveja, mas ledo engano achar que a noite sueca e
minimamente proxima da noite brasileira. Todo mundo arrumadaco, bebida
cara para cacete e nenhum lugar cheio o suficiente. Tomamos uma
cerveja e reconhecemos a derrota.
No Facebook, comecei a falar com uma amiga que eu sabia que morava em
Stockholm e ela me convidou para dormir no dia seguinte na casa dela
para economizar uma grana no hostel e me garantiu que ela levaria eu e
Fernando para conhecer a noite de Stockholm. Eu conheci Kajsa em Koh
Pangang na Tailandia. Quem conhece e ja foi a Koh Pangang tem que
entender alguma coisa de noitada. E realmente foi uma boa ideia. Foi
uma noite legal e os lugares aos quais ela nos levou tinham precos
muito melhores do que os que nos vimos na noite anterior. Mas que deu
saudades da Asia, deu.
Novo dia, novo pais. Decidi metir o pe e seguir em direcao a Noruega.
A unica coisa que eu sabia da Noruega e que e o pais mais caro do
mundo. E nao e so um pouquinho mais caro que os outros. E muito mais
caro que qualquer outro canto. A viagem de trem foi belissima. Se um
dia eu tiver muita grana, gostaria de voltar e dar uma volta pelo
interior da Noruega.
Apesar de ser verao, eu sofri com um frio dos infernos quando cheguei
em Oslo. Nao foi dificil encontrar o hostel que e um dos poucos da
cidade. De cara conheci Reetta. Uma finlandesa que assim como meu
amigo brasileiro de Stockholm estava pedalando pela Europa. So que as
condicoes eram totalmente diferentes. Fernando estava totalmente
preparado e treinado, enquanto Reetta simplesmente acordou um dia,
meteu uma barraca debaixo do braco e pegou a bicicleta dela que custa
menos de cem euros e saiu pedalando. Resultado, agora ela estava de
saco cheio de pedalar e nao conseguia que nenhuma empresa de onibus ou
trem aceitasse levar ela e a bicicleta de volta. Ja que ela estava
empacada, resolveu dar um role por Oslo e fomos juntos. Caminhamos
pelas ruas de Oslo, passamos pelo palacio e fomos ate o parque de
esculturas no centro da cidade. Na volta, caminhamos beriando o mar e
retornamos ao hostel para Reetta decidir o que ela faria.
Aparentemente, a unica decisao que ela conseguiu tomar era que queria
beber uma cerveja antes de fazer qualquer coisa. No hostel, conhecemos
Audrey, uma canadense que estava tirando ferias na Escandinavia e que
se juntou a nos para tomar uma cerveja em algum bar de Oslo. Curtimos
a cerveja mais cara do mundo, no pais mais caro do mundo. E voltamos
para o hostel. Reetta tomou coragem e saiu pedalando depois da
cerveja. Impressionante, o efeito que alcool tem nessa turma do norte
da Europa...
No meu ultimo dia em Oslo, acordei e tive que tomar uma decisao
importante. A Noruega e o pais mais caro do mundo, mas o meu tenis
estava destruido e eu precisava de algum novo calcado. Qualquer que
fosse. Minhas sandalias de um dolar compradas na China tambem nao
aguentariam muito tempo. Entao resolvi que a solucao era bancar o
chines. Entrei numa loja peguei um tenis e perguntei pro vendedor
quanto era. Ele falou o preco e eu ataquei perguntando se aquele era o
melhor preco que ele poderia me dar. Depois de uma meia hora de
choradeira ao melhor estilo Beijing, sai da loja com quarenta por
cento de desconto e tres pares de meia de brinde. Claro que eu
adoraria ter comprado o ter comprado o tenis na China, mas nao se
encontra muitos sapatos que caibam no meu pe na Asia.
Feliz da vida pelo sucesso da minha estrategia segui ate o Centro do
Premio Nobel da Paz. Eu que nao sabia que o premio havia sido entregue
para o presidente e popstar, Barack Obama em 2009, fiquei totalmente
decepcionado. Soava como piada que o comandante do pais envolvido no
maior numero de conflitos simultaneos no mundo e que nao conseguiu
articular nenhuma decisao governamental desde que tomou posse tenha
sido agraciado com o premio. Parecia que o interesse do comite era
mesmo o de dar o premio por popularidade. Uma piada de mau gosto. E e
claro que eles tem milhares de argumentos para justificar a escolha.
Sem duvida os argumentos mais faceis de desconstruir do mundo. E so
perguntar se eles consideraram a guerra do Iraque e do Afeganistao e
eu acho que encerra a discussao. Mas a guia do museu, "socialista" que
ja foi para a Argentina (aargh!) e outros paises que sofrem com a
demagogia de esquerda que povoa os sonhos de europeus idiotas que
nunca sofreram as mazelas que esse tipo de utopia pode fazer ao seu
pais, jura que a escolha e super profissional e seria. Melhor deixar
para la. Voltei para o hostel e encontrei com a Audrey novamente e
fomos ate a Opera de Oslo. Ela e arquiteta e jura que o predio e uma
obra super importante. Eu que nao entendo nada, achei o predio feio
para cacete. Comemos uns sanduiches que haviamos comprado no
supermercado "admirando" o predio e, em seguida, tive que meter o pe
para pegar o onibus para Dinamarca. Esta na hora de visitar meus
amigos Jesper e Majbritt.
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