Saturday, August 28, 2010

Diario de Bordo XXXI: Cruzando o velho mundo






Entao, eu cheguei em Copenhagen para comprar o ticket para Berlim e, surpresa, arrumei uma promocao que segundo a moca do balcao fez com que o ticket ficasse super em conta. Para mim, depois de tanto tempo na Asia, as promocoes da Europa parecem uma brincadeira de mau gosto. Mas de qualquer forma e melhor do que pagar o preco inteiro. Entao, eu entrei no trem e no meio da viagem de trem, o trem vai dentro de um navio para cruzar o mar da Dinamarca para a Alemanha. E a primeira vez que eu viajo de trem dentro de um navio. Mais um tempinho e cheguei em Hamburgo onde troquei de trem para chegar a Berlim. A estacao central de Berlim e gigante e nada facil de se achar. Para piorar, as senhoras que trabalham na estacao vendendo bilhete de trem e metro fazem questao de ser muito estupidas e nada solicitas. Muito diferente da Escandinavia. Entao eu descobri onde era a plataforma, mas nao fazia a minima ideia de qual bilhete comprar. Comecei a xingar a maldita maquina em portugues e uma menina viu e, ainda que nao entendesse nada, percebeu que eu estava bem "p" da vida e me ajudou a comprar o bilhete. Eu estava seguindo para a casa do meu camarada alemao, Nils. Nos nos conhecemos no Laos e nos reencontramos na Coreia do Sul. Quando eu falei que ia dar um pulo em Berlim, ele ficou amarradaco e me convidou para ficar na casa dele. Apos encontrar a casa de meu amigo Nils, fomos dar uma volta e conhecer a vizinhanca dele. Para comecar, a primeira impressao e que Berlim e uma cidade com muito mais vida que as cidades escandinavas. Um monte de bares abertos, lojas e pessoas andando nas ruas. A primeira impressao foi otima.
No meu primeiro dia em Berlim, Nils me emprestou uma bicicleta e me levou para ver a cidade. Berlim e uma cidade sensacional para se visitar. Diferente do mesmo roteiro de quase todas as cidades europeias Berlim e uma cidade com uma historia recente muito rica e com muitas coisas para ver. A Europa e muito organizada e legal, mas e quase sempre a mesma historia: museu, igreja, estatua de um cara em cima de um cavalo, chafariz e parte para a proxima cidade. Em Berlim, ate a igreja mais legal para visitar e uma igreja que foi bombardeada na guerra. Nils me levou por tudo que e canto da cidade fazendo um um tour expresso para nao perder tempo em coisas chatas que tem a mesma cara em tudo que e canto e foi otimo. Ate que chegamos em uma garagem de carros de luxo e passamos um bom tempo vendo carros de luxo antigos e super modernos lado a lado. Depois voltamos ao tour vimos o monumento em memoria dos judeus vitimas do holocausto que e um tanto perturbador, partes remanescentes do muro de berlim e o Tacheles que e um predio antigo que foi ocupado por artistas e tem uma atmosfera muito legal. Nesse dia, rodamos mais de quarenta quilometros de bicicleta o que exigiu um descanso.
Ficou para o dia seguinte, a visita a parte da muro de Berlim que ainda estava de pe. Como era de se esperar, os artistas locais deixaram sua marca no muro com trabalhos de arte sensacionais. Essa area do muro tem alguns bares a beira do rio que eles chamam de "praia". Nao da pra se banhar no rio, mas a areia ta la e o clima e bem legal.
Nos outros dias em que estive em Berlim, chovia bastante e nao dava para sair para ver muita coisa, entao eu e Nils (que havia tirado uns dias de folga) demos uma volta pela vizinhanca dele e saimos a noite para conhecer alguns de seus bares prediletos. Eis que no dia que eu resolvi seguir para Praga, abriu um sol sensacional em Berlim. O trem para Praga foi super tranquilo. A viagem foi muito agradavel. A paisagem e bem bonita e o tempo estava otimo. Cheguei na cidade, achei meu hostel sem grandes dificuldades e segui para uma pizzaria na esquina para comprar um pizza. Justo quando chego na pizzaria, desabou o ceu. Comecou uma chuva de granizo daquelas. Como a pizzaria estava fechando tive que correr pro hostel. Apesar da pequena distancia, cheguei completamente encharcado no hostel. Enquanto secava no hostel, conheci um brasileiro gente boa para caramba. Kairo e goiano, mas mora em Roma no momento. O hostel que nos estavamos era bem legal e pela primeira vez eu vi um hostel com piscina, acreditem ou nao. A unica desvantagem e que o hostel ficava um pouco longe do centro historico de Praga. No dia seguinte, eu e Kairo rodamos por Praga e vimos tudo que tinha pra ver. Apos um dia eu ja estava na pilha de seguir em frente. Praga e uma cidade muito bonita, mas em um dia nos andamos quase tudo e eu queria ver mais. Resultado: decidi que no dia seguinte ja ia seguir para Vienna. O Kairo ia voar de volta para Roma em dois dias e eu botei uma pilha e ele se juntou a mim. No dia seguinte, acordamos bem cedo e seguimos para a estacao de trem. Pegamos o primeiro trem e na hora do almoco estavamos em Vienna. Sem sombra de duvida, Vienna e a cidade mais bonita que eu vi na Europa desde que eu voltei da China. Extremamente bem conservada, com um centro historico sensacional e diversas coisas para ver. O problema e que a cidade e cara para cacete. Muito cara mesmo, resultado do numero absurdo de turistas em todos os cantos da cidade. Eu rodei com o Kairo durante horas para ver tudo queriamos. Vienna e uma cidade sensacional e eu gostaria muito de retornar, mas os precos absurdos me obrigaram a seguir em frente. O Kairo voltou para Praga para voar de volta para Roma e eu olhei o mapa e a capital mais proxima era Bratislava, na Eslovaquia. Tao perto que do ponto mais alto da cidade e possivel avistar a Austria, ja que a fronteira fica a apenas dezesseis quilometros de distancia.
Na chegada em Bratislava, conheci na recepcao do hostel um japones chamado Kazu e resolvemos rodar juntos pela cidade. Diferente de Praga e Vienna, Bratislava e uma cidade sem muito o que ver. Tem todos os ingredientes basicos das boas cidades europeias. A cidade e limpa, bonita, organizada, mas em tres horas e possivel visitar todos os pontos de interesse da cidade duas vezes. Eu e Kazu rodamos pela cidade, vimos tudo e voltamos para o hostel para dar uma relaxada. Depois quando resolvemos sair para comer alguma coisa, vimos uma menina totalmente enrolada com um mapa. E conhecemos Sun, a sul coreana mais gente boa que eu conheci ate hohe. E olha que esse e um titulo importante, pois se tem um pais que so tem gente boa e a Coreia do Sul. Sun estava totalmente perdida em Bratislava. Ela tinha descoberto que existia um pais chamado Eslovaquia de manha cedo e resolveu dar uma checada. Pegou a balsa em Vienna e la foi. E la fomos eu, Kazu e Sun provar a cozinha tradcidional eslovaca. E eu pensava que depois de comer carne de gato, polvo vivo, carne de cobra e inseto nao haveria nada que pudesse me surpreender no campo gastronomico, mas se tem um equivoco que eu nao vou repetir e de experimentar os pratos tradicionais eslovacos. Eta, comidinha ruim! Um macarrao com um molho azedo para caramba com carne de porco que faz a comida pesar uma tonelada no estomago. No final da refeicao, sobrou comida no prato de todo mundo.
Novo dia, Kazu estava indo na direcao oposta, mas Sun estava totalmente perdida sem saber onde ir e resolveu seguir o mesmo caminho que eu. La fomos nos, de manha cedo para a estacao de onibus seguir para Budapeste. Como eu havia comprado meu bilhete antes, ficamos em fileiras separadas e no onibus conheci Remo, um alemao que estava seguindo mais ou menos na mesma direcao que nos. Conversamos por toda a viagem de onibus e chegando em Budapeste ele resolviu seguir para o mesmo hostel que nos. Sem muitas dificuldades conseguimos encontrar o hostel e la, nos esperando, estava Nicole minha amiga romena que eu conheci em Beijing e estava passando ferias com sua familia na Romenia. Como a cidade que a familia dela mora e muito pequena ela estava sem muito o que fazer e quando eu falei que estava seguindo para Biudapeste resolveu tirar uns dias para visitar a cidade tambem. E ai estava formado nosso grupo.
Fomos almocar juntos e descobri que nao adianta tentar. Na Europa, se voce nao esta em Portugal, na Espanha, na Italia ou na Grecia, a unica solucao e kebabs. A melhor solucao para qualquer tipo de refeicao. Enfim, nossa guia romena nos levou por todos os cantos de Budapeste que na minha opiniao e uma das melhores cidades para se caminhar de todas as cidades que eu visitei na Europa, pois alem do monte de coisa que tem para se ver, a grande maioria das coisas e bem proxima e os morros nos arredores do centro historico proporcionam ao visitantes uma belissima vista de quase toda a cidade. Budapeste e uma cidade sensacional. Bonita, limpa e muito mais barata que as cidades do oeste europeu. O hostel em que estavamos tambem tinha algo de especial a seu respeito. Uma daquelas coisas dificeis de explicar, o hostel ocupava todo um predio bem antigo caindo aos pedacos, mas o patio interno criava um ambiente bem agradavel para ficar de bobeira e bater papo. O barulho do patio interno faz com que seja impossivel dormir, mas esse e um dos charmes do lugar, pois fica todo mundo ate cedo batendo papo no patio central.
No nosso segundo dia em Budapeste, era o grande feriado nacional do pais. A cidade estava abarrotafa de gente e o clima estava otimo. Fomos no palacio onde estava tendo uma feira de produtos locais e artesanato e fomos ate o topo do palacio. Depois rodamos um pouco mais pela cidade e Sun e Remo compraram alguns desenhos de um artista local que era uma figuraca e nao parava de falar nem por um minuto. Voltamos para o hostel e no caminho enquanto estavamos tentando decidir onde ir, Nicole nos convidou para ir conhecer sua cidade e se hospedar na casa dela e claro que nos tres concordamos. Ainda que nao ficasse muito na direcao que nenhum de nos pretendia seguir, e claro que ninguem podia desperdicar uma oportunidade de conhecer a Transilvania, especialmente com um guia local. Entao fomos ver os fogos de aritificio a noite e na manha segunte pegamos uma van em direcao a Baia Mare, no norte da Transilvania.
Pouco mais de quatro horas depois chegamos a Baia Mare. La fomos diretos para a casa da familia da Nicole. Conhecemos os pais dela e o irmao, comemos e fomos dar uma volta pela cidade. A escolha de ir para a Transilvania apesar de espontanea foi a melhor que poderiamos ter feito. A cidade tinha um clima de cidade pequena muito agradavel e todo mundo foi muito simpatico. O pai da Nicole nao parava de sorrir um minuto. Ele e uma daquelas figuras que esta sempre de bem com a vida e adora ter visitantes. Nao so isso, a casa e gigantesca. Eu, Remo e Sun ficamos cada um em um quarto diferente com camas super confortaveis. Um otimo descanso na vida de hostels. A cidade tem um clima de cidade pequena com um cenario bem caracteristico: a cidade fica num belo vale cercado de montanhas. Andamos pela cidade quase em algumas horas e a noite fomos a uma boate que ficava a dez minutos de caminhada da casa da Nicole como alias quase tudo na cidade que nao fica a mais de vinte e cinco minutos de caminhada de distancia.
Novo dia, seguimos para conhecer os arredores da cidade. Visitamos a maior igreja de madeira do mundo que nem e tao grande assim, mas ja que nao existem tantas igrejas de madeira no mundo, ostenta um titulo de orgulho para regiao. Almocamos comida tradicional da regiao. Remo experimentou cerebro de porco grelhado. Apesar de soar estranho, era bem saboroso. Em seguida, fomos ao cemiterio feliz que e algo um tanto esquisito, onde as pessoas que morrem tem um texto comico escrito a respeito de suas vidas em suas sepulturas, e depois rodamos pelas montanhas da regiao curtindo a paisagem.
Novo dia, dia de dizer adeus a Baia Mare e seguir em direcao a Bran, local onde fica o castelo do Dracula. Passamos um dia tranquilo e apos nos despedirmos de Nicole e sua familia, eu, Remo e Sun pegamos o trem a noite.
Chegamos de manha bem cedo a Brasov, onde pegamos um onibus ate Bran. Chegamos antes das oito da manha e tivemos que esperar ate as nove horas para abrirem os portoes. O castelo foi uma grande decepcao por uma simples razao: e sem duvida o castelo mais agradavel que eu vi ate o momento. E a cidade e muito bonita e arrumada. Dificil de acreditar que uma lenda como a do Conde Dracula poderia ter ocorrido num lugar tao agradavel.
Apos uma hora de visita, o castelo foi totalmente infestado por turistas. Foi otimo termos chegado tao cedo. Terminada a visita a Bran, pegamos o onibus de volta e compramos nossas passagens para Varna, uma cidade balneario na costa da Bulgaria.
Viajar de trem na Romenia e na Bulgaria nao e tao facil quanto na Europa Ocidental. O nosso trajeto, apesar de nao envolver uma distancia muito grande, incluia duas trocas de trem: uma em bucareste, onde ocorreu tudo como o esperado, e outra em Ruse. Para nossa surpresa, ao chegarmos em Russe descobrimos que o trem no qual deviamos embarcar para Varna nao existia e teriamos que esperar ate a manha seguinte. Sem opcoes e tendo que matar oito horas ate a hora do nosso trem, fizemos um lanche no posto de gasolina que parecia ser o unico estabelecimento aberto nos arredores da estacao de trem e dormimos na estacao mesmo. No meio da noite, o guarda nos acordou e falou que nao podiamos dormir ali e perguntou onde iamos. Para nossa sorte, o trem ja estava esperando na estacao com uma hora de antecedencia. Entramos no trem e dormimos por algumas horas e entre um cochilo e outro aproveitamos para tirar algumas fotos da bela paisagem do interior da Bulgaria.
Chegamos em Varna proximo a hora do almoco. Fizemos um lanche num cafe proximo a estacao e comecamos a caminhar pela cidade procurando um lugar para ficar e achamos um hotel na quadra da praia com um preco otimo e uma atmosfera super agradavel. Tiramos o dia para relaxar na praia e descansar. Ja de cara passamos o choque cultural mais divertido que eu vi ate o momento. Os sim dos bulgaros e movendo a cabeca de um lado pro outro que seria o nosso nao e vice versa.
Fizemos uma refeicao sensacional e, a noite, voltamos a praia para uma caminhada. Se tem uma coisa que espanta nas praias da Bulgaria e a mania europeia de fazer topless que pode soar muito boa para quem nao esta aqui, mas que, dada a falta de preocupacao com a forma fisica das europeias, se torna um potencial gerador de pesadelos pelos proximos dez anos. E claro que quem faz topless aqui e quem ninguem quer ver fazendo topless.
Novo dia em Varna, demos uma volta na cidade e compramos nossas passagens para seguir em frente no dia seguinte. Visitamos a catedral da cidade e o centro historico. Em seguida, voltamos a praia e, por algum fenomeno relacionado ao vento que havia mudado, os salva-vidas nao deixavam ninguem mais de dois passos na agua. Os coroas que trabalham de salva-vidas na praia nao davam folga para niguem. Um festival de apito que enchia o saco. Quando deu cinco da tarde e os salva-vidas foram embora, todo mundo entrou no mar. Eu nao sei qual era o receio dos salva-vidas, mas ele nao se materializou, o que era de se esperar, pois o mar negro nao tem onda e nem e tem que andar bastante para encontrar as areas mais fundas. Fechamos o dia com um jantar num restaurante local sensacional, onde comemos para caramba.
Nosso ultimo dia em Varna foi muito tranquilo. Acordamos tarde, fizemos o check out e demos um role pela cidade esperamos a hora do nosso onibus que saia as nove da noite para Istanbul. Hora de voltar para uma das minhas cidades favoritas. Nao vejo a hora de chegar la!

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