Tuesday, October 5, 2010

Diario de Bordo XXXII: Arabian Nights, a reta final da minha jornada






E la chegamos em uma das minhas cidades prediletas. Nunca ouvi ninguem falar nada de mal de Istanbul. Incrivel, surpreendente, fascinante e por ai vai. O interessante nessa terceira vez em Istanbul (ja que no ano passado eu comecei em Istanbul, rodei a Turquia e retornei) foi ver o fascinio pelos olhos de outra pessoa. Remo, meu companheiro de viagem alemao tambem ja havia estado la, mas Sun, nunca havia nem imaginado que algum dia chegaria a Turquia. Chegamos cedo a Istanbul e encontramos facilmente o Bahaus que e meu hostel favorito de todos que eu me hospedei ate o momento. La estava Toni na recepcao, Volcano de bobeira como sempre e Tariq, o chefe tomando conta do hostel e dos dois. A surpresa dessa vez foi como as coisas mudaram em Istanbul em tao pouco tempo. Como nesse ano Istanbul e a capital da cultura europeia e sede do mundial de basquete os precos decolaram. Tomamos uma chuveirada, deixamos as mochilas no hostel e fomos andar pela cidade. Primeira parada Blue Mosque, fascinante como sempre. Em seguida, fomos a Basilica Cisterna, um local que eu ainda nao conhecia. E que surpresa agradavel. Nao tenho palavras para descrever a beleza do local. Como sempre as fotos nao fazem jus ao local e a unica coisa que eu posso fazer e recomendar o lugar a todos. Apos a Basilica Cisterna fomos realizar um sonho da Sun, encontrar uma boa loja de turkish delite que ela viu num filme e sempre quis provar. Nada como comer turkish delite na Turquia. Demos mais uma longa caminhada pela cidade e depois fomos ver o por do sol proximo ao porto. O efeito Istanbul bateu em todos e ficamos rasgando elogios a cidade pelo resto do dia. A noite, eu ainda tentei dar uma saida pela cidade com dois brasileiros e um portugues que eu conheci no hostel, mas como estavamos em mes de Ramada, a noite estava fraca. Comi um kebab e voltamos pro hostel onde ficamos batendo papo ate tarde.
No dia seguinte, Sun e Remo acordaram cedo e foram caminhar pela cidade e eu dormi um pouco mais. Acordei na hora do almoco e fui ao restaurante do meu amigo Tarik. Gente boa toda vida, ficamos conversando um tempao e depois voltei para encontrar Sun e Remo mais uma vez para irmos fazer o passeio de barco ate o lado asiatico de Istanbul durante o por do sol. Sensacional como sempre. Mais tarde conhecemos duas meninas no hostel e elas se juntaram a nos e fomos todos jantar no restaurante do Tarik. O novo restaurante em que ele esta trabalhando e muito melhor que o antigo e, para melhorar, ele nos deu um descontao. Comemos tanto que foi dificil caminhar de volta pro hostel.
Novo dia, dia de mais um adeus a Istanbul. Caminhamos pelos bazares de manha e depois fui dar mais um ate logo a meu amigo Tarik, a turma do hostel e a blue mosque e Hagia Sofya. Tambem foi hora de dar adeus a Remo. Nosso amigo alemao estava voltando para casa. Nos despedimos e la fomos eu e minha amiga sul coreana, Sun, para a estacao de onibus de Istanbul pegar o onibus para Aleppo, na Siria. Inicialmente, o onibus devia levar dezoito horas, mas, como sempre, atrasou um pouquinho e acabou levando vinte horinhas. Nada demais, pois os onibus turcos sao super confortaveis e toda hora eles oferecem cha e lanche. Para melhorar, o rapaz que trabalhava no onibus era gente boa toda vida e gracas ao wifi, se tornou meu amigo no Facebook. Wifi nos proporcionou algum entretenimento tambem e meu novo amigo Kemal me mostrou raps turcos e outras coisas na internet que ajudaram bastante a passar o tempo. Chegamos na fronteira e deu um frio na barriga por estar comecando algo totalmente novo. O que esperar de um pais que recebe tanta propaganda negativa dos governos ocidentais, especialmente do governo Bush? Cruzar a fronteira foi um tanto tranquilo e o visto para brasileiro e o mais barato de todos, o que foi uma boa surpresa. Mais duas horas apos a fronteira e chegamos a Aleppo. Eu e Sun saimos do onibus e perguntei a direcao para a a area dos hoteis a um rapaz que estava na rua proximo a estacao de onibus. Ele se ofereceu para nos levar ate o hostel que estavamos procurando. Eu ja estava esperando o golpe quando ele nos deixou na porta do hostel e seu despediu com um simpatico "bem vindo a Siria". Achamos um lugar para ficar e fomos andar pela cidade.
Aleppo foi uma experiencia sensacional. Todo mundo foi super simpatico e agradavel e so o fato de todas as mulheres estarem usando o veu foi totalmente diferente do que estamos acostumados a ver. O bazar local e antiquissimo e no melhor estilo do que eu imaginava encontrar no oriente medio com corredores apertados pelo meio da cidade e diversas cores e aromas. No nosso primeiro dia em Aleppo, a cidadela estava fechada e tivemos que deixar para o dia seguinte, mas foi otimo caminhar e conhecer as ruas da cidade.
Na manha seguinte, acordamos cedo para conhecer a cidadela que e mencionada em relatos historicos do seculo III AC. A cidadela da uma bela perspectiva da cidade que tem uma arquitetura bem uniforme e tradicional. A vista do alto da morro em que esta localizada a cidadela e otima. Passamos um bom tempo rodando pela cidadela e tirando fotos ate a hora do almoco quando corremos para comer a maravilhosa comida siria e seguir para Homs.
Pegamos o onibus para Homs e de la seguimos para Crac des Chevaliers, o belissimo castelo medieval foi construido no seculo XI e ampliado no seculo XII e foi intensamente utilizado na epoca das cruzadas. E considerado um dos mais importantes castelos medievais preservados no mundo. Nao so isso, e um dos lugares mais sensacionais que eu visitei ate o momento. Eu e Sun encontramos uma guesthouse ao lado do castelo e assistimos o sensacional por do sol do alto da montanha. O castelo era fundamental para o controle do fluxo comercial na regiao e a ampla visao que ele prorporciona deixa isso muito claro.
A noite ao lado do castelo era muito tranquila e os vilarejos ao redor sao lugares muito silenciosos. Boa oportunidade para dormir cedo e acordar bem cedo para ver o castelo antes da enxurrada de turistas que vao a cidade para passar o dia e voltam para as grandes cidades ao redor.
Acordamos para o nascer do sol, mas eu mal vi o nascer do sol e voltei para dormir mais uma horinha. Passado meu cochilo, tomamos cafe da manha e fomos ver o magnifico Crac des Chevaliers. Foi o castelo mais sensacional que eu ja visitei. A vista do alto do castelo e impressionante. Nao e a toa que tanta gente vai a Siria especialmente para visitar o castelo. Visto o castelo, pegamos a mochila e metemos o pe em direcao a Damasco. Pegamos uma van ate Homs, o onibus ate Damasco e menos de quatro horas depois chegamos. Damasco e a maior cidade da Siria e estavamos esperando um pouco de dificuldade para nos encontrar. O inicio nao foi muito facil. A estacao de onibus estava cercada de taxistas cobrando o olho da cara para ir a qualquer lugar e a solucao que eu arrumei nao foi das melhores. Simplesmente entrei no primeiro onibus que eu vi. Apos rodarmos alguns minutos falei o nome da area que estavamos procurando e o motorista do onibus nos falou para pegar outro onibus e no final das contas um senhor que passava na rua nos indicou uma van que nos deixou na area central da cidade. Parecia que ia ser dificil de encontrar o que queriamos, mas apos mais alguns "bem vindo a Siria" um cara que falava ingles perguntou se poderia nos ajudar e nos mostrou o caminho. A forma como ele nos abordou nao poderia ser mais emblematica do tempo que eu e Sun passamos na Siria. Ele se aproximou e disse: "Ola, bem vindo a Siria. Posso lhe ajudar por favor?" Foi a primeira vez que alguem pergunta se pode me ajudar por favor. Ate soa um pouco estranho. Mas enfim, chegamos a area dos hostels e os precos dos lugares que vimos eram muito altos (para os padroes sirios, e claro!). Caminhando pela rua dos hostels encontramos um cara chamado Abed que nos falou que tinha uma casa e alugava quartos para viajantes. Fomos conhecer o local e resolvemos ficar hospedados no local. A casa era muito simples com alguns quartos e nenhuma fechadura alem da porta da frente. Apesar da cidade ser um tanto grande e o pais pobre, a criminalidade e bem baixa. Inicialmente nao ficamos muito tranquilos de deixar nossas coisas ao Deus dara, mas, apos algumas horas em Damasco, percebemos que o clima era tranquilo. Surpreendentemente tranquilo, especialmente se considerarmos as besteiras que escutamos a respeito do pais. Caminhar pelas ruas de Damasco e uma viagem ao passado. As ruas sao confusas e e extremamente facil se perder por la, o que nao chega nem perto de ser um problema, pois onde se passa as pessoas sao extremamente agradaveis e sempre abrem um sorriso para os turistas.
Estar em Damasco durante o Ramada foi uma experiencia sensacional. Como os muculmanos nao podem comer enquanto o sol estiver no ceu, a vida na cidade comeca proximo a hora do almoco. Nove horas da manha e as ruas estavam vazias na maior parte dos locais. Em compensacao, quando dava meia noite os barbeiros estavam sempre cheios e as ruas abarrotadas de carros e gente.
No nosso segundo dia em Damasco, eu e Sun tiramos o dia para andar pela cidade antiga e visitar a mesquita Umayyad, um dos motivos de eu querer visitar a Siria. La se encontra o tumulo de Saladino, um dos maiores herois muculmanos de todos os tempos e e a maior mesquita de Damasco. Apos entrarmos na mesquita, sentamos no chao e algumas criancas comecaram a se aproximar e a brincar conosco. Nas area externa da mesquita, vimos muitas familias sentadas conversando e criancas brincando livremente. Realmente, nao tem nenhuma relacao com o que eu imaginava encontrar na Siria e nada poderia me fazer mais feliz do que encontrar um clima tao agradavel num lugar onde nos ocidentais julgamos tao perigosos. Mais uma vez eu me sinto um grande idiota por ter imaginado que alguma das informacoes que recebemos da imprensa internacional sobre o pais corresponde a realidade. E e ainda pior porque eu nao moro na Escandinavia ou na Coreia do Sul e sim no Rio de Janeiro.
Enfim, depois de um dia de caminhada muito agradavel por Damasco, fomos comprar nosso bilhete de onibus para Aman, na Jordania. Foi tao facil quanto poderia ser. Pegamos o onibus compramos os bilhetes e voltamos em menos de uma hora.
Novo dia, novo pais, esperavamos encontrar algo semelhante a Siria na Jordania e depois de uma longa viagem de onibus, descobrimos de cara que estavamos bem enganados. A Jordania e um pais muito diferente da Siria no que diz respeito ao turismo que e muito mais presente la e causa diversas distorcoes. Fora isso, o cambio extremamente valorizado encarece tudo no pais. E extremamente dificil pegar onibus, pois como a populacao e bem pequena, as linhas de onibus sao escassas e nao saem com frequencia. Entao, como queriamos ir direto de Aman para Madaba tivemos que pegar um taxi. Apos um dia inteiro de viagem e muito caminhar na confusa cidade de Madaba encontramos um hotel no centro da cidade que era bem caro, mas mesmo assim era o mais barato que conseguimos. Tudo era extremamente caro, comemos um sanduiche e fomos dormir.
No nosso segundo dia na Jordania, tivemos a oportunidade de comecar a ver um pouco do pais. Fomos a o Monte Nebo, de onde Moises avistou a terra santa, Bethany Beyond Jordan, o local onde Jesus Cristo foi batizado e o vale do Mar Morto. O vale e um dos locais mais abaixos do planeta, mas de 400 metros abaixo do nivel do mar. Foi legal, mas nada de mais. A area do rio onde ocorreu o batismo e area de fronteira entre Jordania e Israel a presenca de soldados armados em ambos os lados destroi a experiencia. O calor no vale e absurdo e o vento quando estavamos la era inexistente. De la tentamos seguir para Wadi Musa, mas claro nao havia onibus e so chegariamos no dia seguinte, logo, tivemos que pegar um taxi mais uma vez.
No final da tarde, chegamos a Wadi Musa e pegamos um hotel muito proximo do centro da cidade.
Acordamos muito cedo no dia seguinte para chegar antes dos grupos de turismo em Petra. Petra era a capital dos Nabateanos e foi fundada proximo ao seculo XI AC. E a principal atracao turistica da Jordania e muita gente vai ao pais so para ver a antiga cidade esculpida em pedra. A caminhada comeca por um siq que corta uma montanha ao meio. A melhor decisao que tomamos foi decidir chegar tao cedo quanto possivel. Conseguimos tirar fotos muito legais sem nenhum grupo de turismo passando no fundo. Andamos nove horas por Petra e subimos duas montanhas na area para ter vistas diferentes. Foi um dia sensacional. Apesar do cansaco, valeu muito a pena.
Apos Petra, voltamos para cidade, descobrimos como pegar um onibus para Aqaba que era nossa proxima parada, almocamos e fomos dormir.
Proximo objetivo: cruzar o golfo de Aqaba, entrar no Egito e seguir direto pro Cairo.
Acordamos muito cedo mais uma vez e pegamos um van ate Aqaba. De la seguimos ate o porto da cidade para descobrir que eles so vendiam os bilhetes na cidade, algo que nao faz o menos sentido. Menos de duas horas para a saida da barca, peguei mais um maldito taxi e comprei os tickets depois de uma confusao danada e consegui embarcar. Apesar do preco absurdo, o barco era uma porcaria e a unica coisa boa era que levava menos de duas horas para chegar do outro lado. No barco, conhecemos um casal egipcio muito agradavel com quem conversamos e pegamos algumas dicas sobre o pais. Apos alguma dificuldade para descobrir onde pagar pelo visto, conseguimos resolver tudo e dentro do proprio porto pegamos um onibus direto pro Cairo. O onibus nao tinha nenhum estrangeiro alem de nos e estava abarrotado de porcaria que as pessoas trouxeram no barco. Ficamos nas ultimas duas cadeiras abarrotados de malas por todos os lados. Depois de mais oito horas de viagem chegamos ao Cairo. A chegada foi tranquila e conseguimos arrumar um taxi para nos levar ate a area que queriamos ficar e achamos um hotel bem legal de cara onde nos hospedamos.
Cairo inicialmente me pareceu uma cidade um tanto agradavel, mas essa impressao se foi com o passar do dia. A todo momento que andavamos pela rua vinha algum desses vagabundos que tenta tirar dinheiro de gringo tentando nos levar para uma loja disso ou daquilo. Uma enchecao de saco sem tamanho. No primeiro momento no Cairo fomos diretos visitar o incrivel Museu Nacional do Egito. Eles tem tantos itens que chega a ser cansativo. Passamos a manha toda vendo toda a variedade de mumias, sarcofagos e joias de milhares de anos de idade. Apos nossa ida ao museu, almocamos e fomos tentar descobrir uma forma de chegar as piramides. E nao foi nada dificil, pois as piramides de Giza nao ficam muito longe do centro do Cairo e a cidade sofre com o excesso de vans e onibus. Infelizmente ao chegarmos as piramides ja haviam fechado, mas eu e Sun demos um passeio de cavalo ao redor da area das piramides e tivemos um bom aperitivo do que estava por vir no dia seguinte.
No comeco do ano, eu imaginava que seria muito legal se eu conseguisse finalizar minha jornada nas piramides do Egito. O que no inicio pareceu um sonho distante estava finalmente sendo realizado. Pegamos a van para as piramides no mesmo lugar do dia anterior e la fomos nos e o que era para ser o melhor da minha viagem se transformou num exercicio de paciencia dada a absurda quantidade de pessoas oferecendo passeios de camelo ou vendendo todo o tipo de coisa ao redor da area. Eu e Sun fomos ver a esfinge primeiro, depois entramos na piramide e para finalizar rodamos de camelo para que pudessemos ter um momento de paz sem ninguem oferecendo nada a cada cinco metros. Foi um momento super importante e legal para mim, mas, por conta da aporrinhacao constante, o melhor momento da visita foi quando voltamos ao hotel e pudemos ver as fotos no computador sem ninguem enchendo o saco. E uma pena que num pais como o Egito que e tao dependente do turismo, a enchecao de saco sem fim transformem as piramides numa experiencia para uma vez na vida. Os guardas que trabalham nas piramides chamam os turistas para pontos que teoricamente tem uma melhor visao da area e depois cobram o "baksheesh" que e uma gorjeta pelo privilegio. Eu sei que meu pais e corrupto e eu ja fui a muitos lugares corruptos, mas eu nunca vi um lugar como o Egito, onde os policiais tentam tirar dinheiro dos turistas como os vagabundos de plantao que vivem de achacar turistas. Foi extremamente decepcionante. Voltamos a area do nosso hotel, almocamos e fomos para a estacao de trem pegar nosso trem para Aswan.
O trem foi uma surpresa muito positiva. O bilhete incluia jantar e cafe da manha e as camas eram bem confortaveis. Como fomos obrigados a fazer o check out do hotel antes de irmos as piramides tive que dar um jeito de tomar um banho depois de um dia inteiro no Cairo. No banheiro do trem usei a pequena torneira da pia e foi o jeito que deu. Quando acabei tinha molhado ate o teto do banheiro do trem, mas foi uma sensacao otima. De manha cedo, chegamos a Aswan com a ideia de seguir para Abu SImbel. Infelizmente a area e extremamente protegida, pois e proxima da fronteira com o Sudao e para chegar la ou paga-se uma grana num voo ou tem que marcar em algum hotel de Aswan para ir no comboio que sai as 4h da manha com escolta policial e voltar na hora do almoco. Tendo que esperar o dia seguinte, aproveitamos para fazer um passeio de felucca, que e o tradicional barquinho a vela da regiao, pelo rio Nilo. As restricoes para se chegar aos templos de Abu Simbel estragou um pouco nossa visita. Nao tivemos a oportunidade de fazer o que fizemos em Petra, por exemplo, quando chegamos antes de todo mundo e tivemos uma experiencia muito melhor do que o resto das pessoas. Em Abu Simbel, nos chegamos juntos com a avalanche de turistas dos insuportaveis grupos turisticos e tivemos que ir embora na mesma hora que eles. Foi uma pena, pois os templos sao muito legais. Na volta, tinhamos marcado de pegar a felucca novamente em direcao a Luxor e na manha seguinte pegar um onibus que nos levaria ate Luxor onde pegariamos o trem de volta para o Cairo. Para nossa sorte o grupo de pessoas que foram na felucca era muito legais. Um casal da Australia, um ciclista canadense, um artista alemao, um senhor uruguaio que estava de mudanca para a Italia e um brasileiro que mora no Egito dando aulas de portugues, um frances maluco e minha companheira de viagem sul coreana, e claro. Foi absolutamente sensacional. No dia seguinte acordamos com o nascer do sol e aproveitamos para nadar no rio Nilo. Apos o cafe da manha, uma van nos buscou e nos levou junto com alguns outros turistas ate Luxor parando em alguns templos no caminho. So entramos no templo de Kom Ombo, pois ja tinhamos visto templos o suficiente. Na van, conheci mais um brasileiro perdido pelo Egito. Luis Carlos, um catarinense que mora em Maceio nos deu uma dica otima: Dahab na costa do mar vermelho.
Chegamos a Luxor e ainda tivemos tempo de ver o templo de Luxor no meio da cidade e tomar um banho no quarto de nosso amigo uruguaio que conhecemos na felucca, Tomas. Em seguida, metemos o pe para a estacao de trem para pegar o trem para o Cairo.
Como na ida a volta tambem foi otima. Dormimos bem e chegando de manha no Cairo fomos direto para a estacao de onibus para tentar um onibus que nos levasse ate Dahab. Planejavamos passar um dia e depois seguir adiante. A verdade e que tao dificil de viajar independente no Egito que eu e Sun ja estavamos de saco cheio do pais. Tanta enchecao de saco que por mais bonito que fosse nao estava valendo a pena.
Assim, chegamos no Cairo e la fomos procurar um onibus na estacao que ia pro Leste, mas de la os onibus so iam ate certo ponto. Pra Dahab tinhamos que pegar o onibus de outro lugar. Eu nunca vi uma cidade com tantas estacoes de onibus quanto o Cairo. Pra cada direcao que voce quer ir tem uma estacao de onibus diferente. Um saco. Entao caminhamos por meia hora ate encontrar a tal estacao. Compramos o bilhete e esperamos o onibus que saiu ao meio dia. No caminho, passamos por uma quantidade de postos de controle da policia absurdos. E em cada posto policial, os agentes tiravam alguns egipcios do onibus e mandavam o onibus seguir. Resultado, quando chegamos em Dahab so os gringos estavam no onibus.
Chegada insuportavel como sempre com um monte de gente em cima oferecendo hotel, mas para nossa sorte o brasileiro que eu conheci na van em Luxor havia me dado a dica de um lugar que ele havia ficado e o cara estava la atormentando tambem. Entao ja fomos com ele direto para a guesthouse. Como era de se esperar boa e barata. Foi um otimo negocio. Ja chegamos e marcamos para no dia seguinte seguir para o Blue Hole para fazer snorkling.
Novo dia, um sol maravilhoso e tivemos esperar uma hora e meia ate o cara que ia nos levar ate o Blue Hole aparecer. Se alguem acha que o povo no Brasil se atrasa devia experimentar o Egito. O dia que o cara me falou cinco minutos egipcios levou trinta e cinco (!!!).
Quando o cara chegou estavamos ainda mais aborrecidos com o Egito e foi so sentar na caminhonete que nos levaria ate o local que conhecemos um rapaz egipcio chamado Khaled e o coitado aturou nossas reclamacoes ate a chegada no local. Na van, tambem havia um rapaz da Jordania chamado Odai super gente boa e fomos conversando e reclamando ate o Blue Hole. Mas a chegada ao local mudou um tanto a nossa opiniao sobre o pais. O local e simplesmente deslumbrante. Maravilhoso, incrivel, fascinante. Tao incrivel que no primeiro dia desistimos dos nossos planos de ir a Israel e ficamos tres dias mergulhando em Dahab ao inves de seguir viagem. Queriamos fechar com chave de ouro e parecia que haviamos encontrado o lugar ideal para faze-lo.
Passamos horas e horas na agua nadando com os cardumes coloridos que cruzavam a area. Um espetaculo. Sun e Khaled nao sabiam nadar, mas depois de algumas horas os dois abandonaram os coletes salva vidas e comecaram a nadar so com o pe de pato.
Fazia parte dos planos de todos fazer coisas diferentes nos outros dias, mas desistimos dos planos e aproveitamos cada minuto no Blue Hole tres dias seguidos.
A noite fomos com Khaled e Odai para um bar local super legal e ficamos la fumando shisha e relaxando.
No segundo dia no Blue Hole, Odai nao foi conosco, mas um casal egipcio se juntou a nos. Islam e Mai estavam pela primeira vez tirando ferias sozinhos desde que sua filhinha nasceu. Tivemos mais um dia sensacional no Blue Hole que fechamos no mesmo restaurante do dia anterior. Como so tinhamos mais um dia, decidimos mais uma vez a ir ao Blue Hole. Seria a despedida perfeita. Odai voltou para a Jordania no dia seguinte e nos fomos todos ao Blue Hole. Eu, Sun, Khaled, Islam e Mai. Nesse dia dividimos o dia entre o Blue Hole e um canyon que tinha no caminho que tambem era muito bonito. Foi muito bonito e diferente. Perfeito para finalizarmos nossa visita a Dahab.
Novo dia, dia de seguir para o Cairo de onibus em mais uma longa viagem. Dessa vez tinhamos a companhia de nosso amigo egipcio Khaled. Dahab mudou totalmente nossa percepcao do Egito. Voltamos com uma opiniao totalmente diferente de quando fomos. Depois de uma longa viagem de onibus, Islam se ofereceu para nos buscar na rodoviaria e nos levar ate o aeroporto. Fomos ate o aeroporto e compramos os tickets para a manha do dia seguinte. Islam nos levou para encontrar Mai e conhecer sua filhinha, Salma. Uma figurinha unica. Fomos ao seu restaurante favorito onde Salma e celebridade. Todos os garcons e o maitre conhecem Islam e Mai como os pais da pequena Salma. Ela anda pela lugar fazendo uma bagunca incrivel e e a mascote de todos. Fizemos uma otima refeicao e fomos para o aeroporto, pois nossos voos eram muito cedo e nao havia como chegar na hora no aeroporto se fossemos para o centro do Cairo. E nosso passeio pelo Egito terminou como tinha que terminar: dormindo no aeroporto esperando por nossos voos. De manha cedo, acordei e segui para a area de embarque apos me despedir de minha amiga Sun, uma das pessoas mais sensacionais que conheci. Ela se adaptou tao bem a vida de viajante independente que parecia que era ela que estava viajando ha um ano e nao eu. Mas era hora de dizer adeus e seguir de volta para Portugal, minha ultima escala antes de voltar para casa.

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