Apos meu tour relampago por Finlandia, Suecia e Noruega, era hora de visitar bons amigos na Dinamarca. A Dinamarca e, sem sombra de duvida, pais de gente muito boa, pois e um dos paises do mundo que tinha mais gente que eu gostaria de visitar, apesar da pequena populacao. Minha prioridade na Dinamarca era visitar meus amigos. Primeira coisa que eu fiz chegando de Oslo em Copenhagen foi pegar o trem para Aarhus. Direto para visitar Majbritt e Jesper. Depois da noite no onibus e mais tres horas no trem cheguei de manha em Aarhus. Eles foram me encontrar na estacao de trem e fomos direto para a casa dos pais do Jesper para que eu pudesse conhece-los. A casa em que eles moram fica a pouco menos de trinta minutos de Aarhus que e conhecida como a menor cidade grande do mundo (vai entender...).
Apesar da proximidade com a "cidade grande", o vilarejo em que eles moram tem menos de mil moradores. Todo mundo se conhece e a area e composta por pequenos ranchos. Todas as casas tem uma plantacaozinha e um jardim sempre super bem cuidado. O almoco foi sensacional e eles tinham todo tipo de comida dinamarquesa para eu provar. Eu que estava determinado a nao decepcionar, nao dei mole e comi ate nao poder mais. Passamos o dia relaxando, caminhando pelos arredores da casa e conhecendo alguns dos vizinhos. Todo mundo super agradavel e receptivo. A noite, fomos para Aarhus onde ficamos na casa dos pais da Majbritt. Jesper e Majbritt estavam esperando que entregassem as chaves do flat onde eles vao morar e nesse periodo estavam morando com seus pais. Os pais da Majbritt sao poloneses e um tanto diferente dos pais do Jesper. A unica semelhanca e que ambas as maes tiraram o periodo que eu estava com eles para tentar me engordar. Eu nao podia reclamar. A mae da Majbritt era uma figuraca. Apesar de so falar polones e dinamarques, curiosamente se fazia entender e nao parava de rir um minuto.
Incialmente meu plano era passar alguns dias em Aarhus e por alguns dias eu pensava em dois ou tres, mas com a companhia dos meus amigos acabei ficando onze dias. Nao seria demais se houvesse muito o que ver em Aarhus, mas no meu segundo dia, a Majbritt me levou para ver a cidade e em menos de uma hora ja haviamos visto tudo. Eles ainda me levaram na residencia de inverno nos arredores da cidade no mesmo dia. Uma casa muito bonita. Proxima a uma geladissima praia.
O unico problema do pais e sem sombra de duvida o clima. Em todos os dias que eu passei na Dinamarca, estava mais quente no Rio de Janeiro (onde e inverno) do que aqui.
No dia seguinte, deu uma esquentada e a Majbritt me levou na praia, enquanto Jesper foi pro trabalho. A praia mais organizada que eu ja vi. A area e toda cercada por vestiarios e banheiros. Tudo limpo e arrumado. Na praia ainda conhecemos um brasileiro que esta morando na Suecia chamado Denis. Segundo ele, depois de um ano qualquer um se acostuma com o frio. Depois dos menos vinte graus que eu passei na Mongolia, se tem uma coisa que eu nao quero me acostumar e com frio. De todas as coisas mais curiosas que eu vi ate agora foi a capacidade de evitar conflitos dos dinamarqueses. Comecamos a jogar frisbee e eu acertei um cara. Ele nao falou nada e eu percebi que a maior parte das pessoas em volta levava uma bolada ou frisbee desgovernado ver por outra e nao falava nada. Incrivel. Se fosse no Brasil dava tiro e tudo. A noite, fomos com os pais da Majbritt jogar boliche. Eu que nao jogo nada de boliche fui a grande decepcao e so consegui ficar na frente da mae dela.
Novo dia, fomos a Skanderborg, uma pequena cidade proxima a Aarhus que e palco do Skanderborg Festival segundo maior festival da Dinamarca. Esse ano a grande atracao era Roxette.
Eis que chega o dia de conhecer um dos mais incriveis pontos turisticos da Dinamarca e uma das maravilhas do mundo moderno: Legoland. E dificil de dizer quem gosta mais da Legoland, os pais ou as criancas. Mas que e o maior barato ver o mundo de Lego em miniatura, isso e. Entramos e logo quando comecamos a andar pelo parque, eu estava tentando tirar uma foto e pedi licenca de um senhor que estava na frente de uma das miniaturas de Lego e quando olhei para Majbritt ela estava com uma cara de boba que eu nunca vi, mas e de se entender pois era a primeira vez que ela via o principe da Dinamarca em carne e osso. Eu que ja ia pedir para tirar uma foto com ele, fui interrompido pelos meus amigos que me falaram que aqui todo mundo respeita a privacidade das pessoas famosas. Nao e a toa que ele estava caminhando como uma pessoa normal pelo parque com sua familia.
Foi um dia para ser lembrado. Tres adultos indo em todos os brinquedos do parque e curtindo adoidado.
Na sexta-feira, eles queriam me mostrar a noite de Aarhus. E nao e que, depois de meses de Asia, fugindo de karaoke onde quer que eu fosse. Acabei participando de um jogo de karaoke com meus amigos na casa de uma das amigas da Majbritt. Uma lastima. Depois da performace sofrivel do meu dueto com o Jesper cantando Aretha Franklin, fomos conhecer os bares de Aarhus. E depois de bebermos algumas cervejas, meu amigo Jesper me convidou para ser seu padrinho de casamento. Nao tenho palavras para descrever a honra que e um convite desses. E tinha que ser feito da maneira dinamarquesa: bebado. A Majbritt ficou reclamando com ele que ela nao queria que ele fizesse o convite desse jeito, mas foi do jeito que tinha que ser.
No sabado, havia um almoco na casa de um dos tios do Jesper. Ao chegarmos na casa dele, vi uma cama elastica no jardim e nao deu outra. Em menos de tres minutos, eu estava voando na cama elastica. Alem de muita comida, o sabado incluia um jogo de softball e um de futebol que a chuva encurtou. Na volta dos jogos, eu acabei praticando um pouco de luta livre com os priminhos do Jesper. Depois de quase tres horas jogando os moleques de um lado para o outro, eu acabei me rendendo. Foi um dia sensacional.
Eu precisava descansar da surra que eu levei na cama elastica da molecada e fomos no domingo para a casa de praia da vo do Jesper. Comemos um pouco de peixe defumado e andamos um pouco pela gelida praia. Depois fomos para a casa dos pais do Jesper onde pude conhecer seu irmao Jonas. Batemos uma bola no gramado na frente da casa e comemos bastante como sempre.
Meus amigos bem que queriam que eu fosse com eles no Skandrborg Festival. Tanto que a Majbritt me levou com ela na segunda feira para a abertura do camping do festival para ajuda-la com a escolha da area onde colocar a barraca deles. Todo mundo esperando ate abrirem o portao quando comeca a correria para tentar arrumar um espacinho para acampar. O mais curioso e que uma vez que a barraca esta colocada, a maioria das pessoas vai embora para casa e so vai voltar la dois dias depois quando o festival comeca. A barraca fica la e ninguem mexe. E esquisito nao ter ninguem para roubar as coisas. A priminha do Jesper tinha que escrever uma redacao para a escola de tema livre e depois de me conhecer decidiu que o tema seria eu. Entao nos fomos a noite visita-la e eu dei para ela minha bandeira do Brasil que eu tinha comprado para a Copa do Mundo enquanto eu estava no Nepal. Ela ficou toda feliz e colou na porta do quarto dela, uma posicao de maior destque do que o poster que ela tem do High School Musical. Isso que e moral!
Decidi que quando o Skanderborg Festival comecasse eu iria seguir em frente e nos dias seguintes, rodei por Aarhus e ainda fui no Jardim Botanico da cidade e dei uma caminhada com a Majbritt pela cidade. Na quarta feira peguei o trem para Copenhagen. Quando fui me despedir da mae da Majbritt, ela falou que tinha feito um lanchinho para eu comer na viagem e me deu um saco maior que minha mochila de comida para levar. Sanduiche, fruta, suco. Gente finissima.
Nao foi tao dificil dizer adeus para meus amigos porque eles me prometeram que me visitariam em breve. Entao, nosso adeus nao passou de um ate logo.
Segui para Copenhagen para ver a maior cidade da Escandinavia. O que nao quer dizer muita coisa, pois continua sendo uma cidade com menos de dois milhoes de habitantes, o que na China nao passa de um vilarejo.
No meu primeiro dia em Copenhagen, meus amigos dinamarqueses que eu conheci em Beijing foram me mostrar a cidade. Frederik, Viktor e Niclas moram em Roskilde, mas foram ate a capital para me fazer companhia. Caminhamos pela cidade e vimos todos os predios historicos, o famoso porto de Copenhagen que eu ate agora nao entendi porque e famoso, passamos na porta do Tivoli e ainda fomos ate Cristiania, um lugar que eu nao fazia a minima ideia que existia.
Cristiania e um dos maiores pontos de interesse dos turistas que visitam Copenhagen e e compreesivel que seja, pela controversia em torno do local. Crisitiania comecou na decada de 70 como uma area hippie no meio de Copenhagen. Drogas sao vendidas como em um feira livre e a policia nao aparece. Curiosamente, um tema extremamente delicado como esse seria tratado de forma diferente em qualquer lugar, mas Crisitiania e motivo de orgulho para muitos dinamarqueses. E um exercicio de tolerancia e o ambiente e extremamente curioso, pois nao e so uma area de venda e consumo de drogas. A area e como se fosse um parque com muitas arvores e muitas criancas e idosos circulm pela area. Droga pesada nao entra.
Copenhagen e uma cidade bem diferente das outras cidades da Escandinavia. Muitas pessoas nas ruas e muitas coisas acontecendo, mas ainda assim tudo muito caro.
No segundo dia que eu passei em Copenhagen, conheci um casal finlandes no hostel e andamos pela cidade mais uma vez, vendo basicamente as mesmas coisas que eu ja tinha visto no dia anterior, pois em um dia eu ja havia visto quase tudo na cidade.
No final do dia, segui para Roskilde para curtir um fim de semana dinamarques. Niclas me mostrou a cidade em uma hora. A noite fomos rodar pela cidade e comecar o fim de semana. Conheci alguns outros amigos deles e descobri alguns fatos sobre a Dinamarca. Segundo eles, a Dinamarca e o pais onde mais se consome alcool no mundo, o que preocupa alguns politicos e orgulha a juventude. E quanto mais aumenta o preco das bebidas alcoolicas, menos se vende alcool na Dinamarca, mas mais se vende logo do outro lado da fronteira na Alemanha. Todos os dinamarqueses que eu conheci tinham uma coisa em comum: faziam viagens periodicas ate a Alemanha para comprar cerveja.
Duas noites em que eu curti em Roskilde com meus amigos e conheci um monte de dinamarqueses gente boa. Roskilde apesar de ter sido a primeira capital da Dinamarca nao tem muito o que visitar. Entao no domingo de manha, sai da casa de um Niclas para a casa de outro Niklas. O segundo Niklas e eu nos conhecemos indo do Cambodia para o Vietnam e passamos uns dias juntos em Saigon. A familia do Niklas e super legal e ele e um cara super gente boa. Daqueles caras que de longe da pra ver que e do bem. Alem dele eu tambem estava planejando visitar Maja, a companheira de viagem dele no Vietnam. O pai do Niklas viajou pelo Brasil em 1985. Do Rio ate Manaus indo pela costa ate cortar floresta adentro, eu acho que o cara viu mais do Brasil do que quase todos os brasileiros que eu conheco. E nao e a toa que ele e um cara tao gente boa, pois a familia dele e super legal. A cidade deles se chama Helsingor e e famosa por ser a terra do Kronborg, o castelo de Hamlet. E mais uma daquelas cidadezinhas sem predios altos com um monte de casinhas coloridas no tradicional estilo dinamarques. Tudo muito bonito, arrumado, limpo, enfim, um mundo que quem mora em cidades grandes so consegue acreditar vendo. O domingo estava meio chuvoso, entao demos um role de carro e fomos visitar os avos paternos do Niklas e vi a criacao de passaros do avo dele. Na volta, o jantar foi pizza. Os pais dele tentaram fazer um prato diferente e deu errado.
Na segunda feira, o tempo nao estava marvilhoso, mas pelo menos nao estava chovendo. Eu e Niklas fomos ate o Kronborg e visitamos o castelo, as galerias subterraneas e vimos a estatua de Holger the Dane. Diz a lenda que ele esta adormecido e que acordara quando a Dinamarca for ameacada para salvar o pais.
Depois do Kronborg, comemos um bagel e fomos para a casa do Niklas. Como ele falou para todo mundo que um amigo dele do Brasil estava vindo, um amigo dele ligou nos convidando para jogar pelo time dele a noite. E foi um grande fiasco. Nao que tenha sido tao ruim assim, mas eu nao jogava bola a tanto tempo que em vinte minutos nao aguentava mais andar. Pelo menos o nosso time deu um banho de bola no time adversario (gracas a todo o resto do time porque eu ja entrei em campo morto...). Maja ainda apareceu para dar um alo enquanto jogavamos.
No mesmo dia era aniversario do irmao do Niklas, Benjamin. Kim e Layla, os pais do Niklas fizeram um super jantar e ainda me mostraram como se joga o tradicional jogo dos reis. Mais um dia sensacional na minha viagem. Ainda tive a oportunidade de ouvir o parabens para voce da Dinamarca que nao tem nada a ver com o nosso. Depois do jantar sentamos e conversamos ate tarde e a vontade era que o tempo nao passasse. Mas fazer o que? Chega a hora de seguir em frente.
Na manha seguinte, acordei e segui com meu amigo Niklas ate a estacao para pegar o trem para a Alemanha. Chateado por deixar para tras todas aquelas pessoas sensacionais que conheci e visitei na Dinamarca, mas pronto para viver mais momentos inesqueciveis. Dificil vai ser algum pais ser tao "familiar" quanto a Dinamarca, fora o meu Brasil, e claro!
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