Nao acreditei quando eu abri meu guia e comecei a ler sobre meu proximo destino. Interlaken e uma das capitais suicas do desporto de inverno e dos esportes radicais.
Fiquei num quarto com um casal de amigos de Denver que esta estudando em Budapeste por um semestre: Evan e Ally. Evan foi muito simpatico desde o primeiro momento e logo estavamos amigos. Ao me perguntar se eu ja havia estado la e receber uma resposta negativa, ele falou para que me preparasse para estar num cartao postal. Desci para o bar do hostel e descobri que a cozinha estava fechada. Sem opcoes tive que comecar a me nutrir por liquidos, a escolha obvia foi uma Guiness. A noite de Interlaken e incrivel, era como uma cidade fantasma, mas ao descer um lance de escadas no interior do hostel cheguei num pub subterraneo gigante e lotado. Depois de umas cervejas acabei do lado de fora cheio de casaco, luva, gorro conversando com um costarriquenho com umas dreadlocks que so usava uma camiseta e jurava que frio e psicologico. Eu sou obrigado a concordar, mas nao soube decifrar qual o tipo de problema psicologico ele tinha. O ponto alto de Interlaken e o sky diving e eu conheci o dono da empresa que faz o saltos. Claro que ele e australiano. Os australianos e os neozelandeses estao por toda parte. Os australianos mesmo falam que dos 22 milhoes de habitantes que eles tem pelo menos quinze estao rodando o mundo. Uma coisa muito legal do hostel de Interlaken e que eles tem um Sao Bernardo gigante que anda solto dentro do hostel. Ele e tao bonachao que eu deitava perto da lareira com a cabeca em cima dele e ele nem se mexia.
Na manha seguinte, abrir os olhos foi uma agradavel surpresa. Da janela do quarto, eu via uma casinha de madeira com a bandeira da Suica soltando fumaca da chamine, as arvores amareladas do outono e as montanhas com o topo cheio de neve. Lembrei do que o Evan havia falado sobre estar num cartao postal e fiquei la embasbacado admirando uma das mais belas vistas que ja vi. O Evan mencionou que faria uma caminhada por uma dessas montanhas com um grupo e me convidou pra ir. Ele nao sabia dizer como funcionava a caminhada, mas se um monte de gente estava indo devia ser uma boa ideia. Encontrei algumas pessoas que eu conheci em Paris e descobri que existe uma empresa especializada em levar estudantes americanos que moram na Italia para viagens de fim de semana. Ela foi fundada por um rapaz chamado Tom com um amigo oito anos atras quando ele foi estudar em Florenca e comecou a organizar viagens para os amigos. Gostou do que estava fazendo e transformou em profissao. Logo, eu estava estava de penetra na caminhada do grupo de turismo da empresa do Tom. Logo percebi que o frio seco dos Alpes e muito mais tranquilo do que o frio umido com chuva que eu peguei em Bruges ou Amsterdam. Quando comecamos a subir comecei a suar e tirar casaco, luva, gorro e acabei de calca e camiseta nos Alpes. A vista do topo era inacreditavel, parecia montagem. Os lagos de Interlaken sao de um tom azul muito claro por serem formados por agua que escorre das geleiras. So vendo pra entender o que estou falando.
Todo mundo estava de boca aberta com a vista ate um babaca cismar que tinha que ficar em pe na beira do mirante pra tirar uma foto. Claro que esse babaca era eu e realmente a foto ficou muito maneira, mas quando as outras pessoas comecaram a imitar e fazer papagaiada na beira do precipicio, o Tom adiantou a descida.
Acabou que eu conheci tanta gente na caminhada que no final do dia, eu e umas quinze pessoas que conheci na caminhada se dirigiram ao quarto de um deles, onde estavam todos bebendo whiskey vagabundo com Coca-Cola, mas, como isso nao faz meu genero, fiquei so no bate-papo. Eles iam para um pequeno casino que havia na cidade, mas meus pes estavam destruidos e tive que ficar pra dormir. Uma das meninas me falou que nunca teria condicoes de jogar nenhum jogo de azar, mas no dia seguinte fiquei sabendo que ela colocou dez francos suicos numa maquininha e ganhou quinhentos de primeira. Nada mal...
No dia seguinte, foi legal descobrir que meu colega de quarto ja tinha ido embora, mas me deixou uma mensagem que dizia "Safe travels, let happiness be your means and your end." Achei muito maneiro. Depois do cafe da manha, tive que ir atras da maior contribuicao dos suicos pra sociedade moderna. E nao estou falando de chocolate suico e sim dos canivetes.
A Suica tambem tem uma peculiaridade, pois ainda que faca parte da comunidade europeia, nao adotou o Euro como moeda. Isso torna qualquer compra pequena um exercicio de matematica desagradavel. Entao a licao que tirei e que nao da pra contar com a honestidade dos suicos, mas eu ja devia ter aprendido isso pelo pouco que sei do sistema bancario deles.
O Tom foi tao gente boa comigo, mas tao gente boa que quando falei que ia pra Italia, ele me convidou pra ir no onibus da excursao dele. Ele falou que tinha espaco sobrando e nao teria problema. Entao foi assim que cheguei a Florenca na Italia. Alem de ir de penetra na caminhada, ainda peguei uma carona no onibus do cara e pra fechar a triplice coroa, cheguei antes de todo mundo e deitei em tres assentos no fundo do onibus, enquanto que um monte de gente se amontoava nas cadeiras da frente. Essa e pra deixar meus pais orgulhosos.
Eu estava querendo mesmo ir pra Roma, mas acabei me convencendo de que Florenca era um lugar que valia a visita. E como o onibus chegou muito tarde, passei o dia em Florenca. Uma cidade muito bonita e que possibilitou completar um objetivo da minha viagem: eu ja havia visto obras do Michelangelo, Leonardo e Rafael, mas ainda faltava ver alguma obra do Donatello. Agora ja posso falar com orgulho que eu vi obras feitas por todas as Tartarugas Ninjas.
Fui a alguns museus bonitos, mas foi uma overdose de arte e agora quando eu passo por um quadro do Leonardo da Vinci ou uma escultura do Michelangelo e como se passasse por uma Playboy em uma banca de jornal no Rio de Janeiro, ou seja, virou parte da paisagem.
Uma das coisas mais me orgulhava nessa viagem era minha barba. E a primeira vez que eu deixo crescer por tanto tempo. Mas Florenca me deu um sinal de que era hora de dar um fim a ela. Almocei uma pasta e quando me olhei no espelho depois do almoco pude notar que metade do prato ficou na barba. Ou seja, fim da barba.
Barba feita, e hora de seguir pra Roma!!!
A chegada em Roma foi tranquila e o hostel muito bom. Comi uma pizza e fui dormir.
Ao acordar no dia seguinte, notei que tinha um cara fazendo flexao de braco no escuro. Nem pensei duas vezes e mandei um: "Bom dia, mermao!" So carioca tem tanta neura com atividade fisica e ele respondeu da mesma forma. Comecamos a conversar e descobri que ele estava indo embora naquele dia, mas durante o cafe da manha, me apresentou um outro brasileiro que esta morando em Lisboa e ficaria mais um dia em Roma. E la fomos nos para o Vaticano. O Vaticano e a sede da obra de vida do maior empreendedor da historia, o apostolo Pedro. O cara fundou a igreja catolica, foi o primeiro papa e comecou um negocio tao bom que ate hoje ninguem cobra imposto deles. E ainda tem mais, alem de ser caro pra cacete pra visitar em todo canto tem uma lojinha de souvenir e um altarzinho pedindo doacao. A Basilica de Sao Pedro e maravilhosa, as catacumbas dos papas sao super interessantes e o museu tem tanta coisa pra ver que quando as pessoas chegam na metade simplesmente desistem e vao direto pra capela sistina que e uma overdose de pinturas sensacionais. De la fui ver algumas pracas e monumentos e fechei o dia na Fontana di Trevi.
A galera que trabalhava no hostel era tao gente boa que no final do dia eu fiquei la conversando com eles e ja estavam ate me arrumando emprego pra eu ficar em Roma. Moa, Jason e Isla viraram meus bons amigos logo. Jason e Isla sao neozelandeses e simplesmente tiraram tres anos da vida deles para viajar e conhecer o mundo. Quisera eu ter coragem pra fazer isso... Moa e uma sueca que nao gostava do frio e foi parar na Italia.
Ao chegar no meu quarto a noite, conheci um iraniano chamado Mansour que foi o meu amigo do dia seguinte. No nosso quarto ainda havia um dinamarques muito simpatico chamado Thomas que saiu cedo, mas encontrou com a gente no meio da rua na hora do almoco. E o que acontece quando juntamos um brasileiro, um dinamarques e um iraniano em Roma? Nada. Sao so mais tres turistas perdidos em Roma. Mas a culpa nao era nossa, pois Roma e a cidade mais confusa que eu ja vi. Nao tem nenhuma rua que siga em linha reta por mais de 50 metros. E uma zona do cacete. E toda hora que nos perdiamos o Thomas falava que precisava de mais uma cerveja e ficava cada vez mais dificil de achar os lugares no mapa e o Mansour reclamava que tava cansado e a gente sentava e o Thomas pedia outra cerveja. Foi um longo dia e so na Fontana di Trevi nos passamos umas cinco vezes. Mas eles foram muito boa companhia.
Eu adorei Roma e uma cidade incrivel, mas tem uma coisa em Roma que me impressionou mais que qualquer outro monumento que eu ja tenha visto na minha vida: o Coliseu. E indescritivel estar caminhando nas ruelas de Roma e dar de frente com um monumento monstruoso de mais de dois mil anos de idade. So e comparavel com a emocao de avistar o Engenhao ao passar pela linha amarela.
Eu estava me sentindo muito bem em Roma. Ja tinha feito um monte de amigos no hostel, logo, e hora de seguir em frente. Atenas ai vou eu!
Comparar o Coliseu com o "Vazião" é heresia com o Coliseu...
ReplyDeleteFico feliz que você esteja se divertindo enquanto eu ralo com as minhas crianças remelentas
O que importa e que vc esta feliz, Lucas.
ReplyDelete