Foi dificil deixar Istambul, mas dar adeus faz parte e assim seguimos, eu e Art pelas estradas da Turquia. Pegamos o carro no aeroporto e dirigimos ate Bursa.
Bursa foi a primeira capital do imperio turco otomano ou algo do tipo, mas nao tem nada pra ver. De positivo, a hospitalidade do povo turco foi o cartao de visita. Paramos num cafe para perguntar como chegar no hostel e um rapaz que estava travalhando no cafe deixou o trabalho e nos levou ate onde tinhamos que ir. Ele nao aceitou nada em troca e nao quis que o levassemos de volta. Dormimos, acordamos no dia seguinte e vimos a mesquita da cidade que e bem bonita. Quando ja estavamos indo embora da cidade decepcionados, eis que demos de cara com a inauguracao de um restaurante e ganhamos kebabs de graca. E dai em diante Bursa sera lembrada como uma cidade maravilhosa por nos. Mas sair de Bursa foi um pouco complicado. O transito e caotico e uns caras simplesmente estacionaram colados no nosso carro sem espaco para sair. Tivemos que literalmente levantar o carro com a ajuda de alguns senhores turcos para poder seguir em frente.
Seguimos no dia seguinte para Pamukkale. Pamukkale significa castelo de algodao em turco. A cidade tem duas atracoes turisticas: "hot springs" que sao nascentes de agua quente ricas em minerais que deixam a montanha de Pamukkale branca como neve o ano inteiro e as ruinas da cidade de Hierapolis no topo da montanha branca. Muito bonito e interessante, mas vimos tudo em duas horas e seguimos em direcao a Aphrodisias. Conseguimos chegar la faltando vinte minutos pras cinco da tarde, mas aparentemente, o pessoal la ja estava fechando e todo mundo estava indo embora. Viramos o carro estacionamos e entramos pela saida como se fosse nada estivesse acontecendo. Depois de mais de 100 km pra chegar la, nao podiamos aceitar um simples nao. Ninguem falou nada e em menos de vinte minutos de muita correria conseguimos ver tudo e tirar mais de 40 fotos do lugar. Em seguida fomos para Selcuk. La dormimos e nos preparamos para mais um dia de ruinas e historia.
No dia seguinte, vimos as ruinas da Basilica de Sao Joao que e o local onde supostamente se encontram os restos mortais de Sao Joao, o templo de Artemis que era uma das sete maravilhas do mundo, as ruinas da cidade de Ephesus e a casa da Virgem Maria que reza a lenda seria onde ela teria morado ate sua morte.
Desde que comecei minha viagem eu ja vi o tumulo de Sao Thiago em Santiago de Compostela, de Sao Pedro no Vaticano e agora o de Sao Joao em Selcuk, mais dois ou tres apostolos e passo de viajante a peregrino. No templo do Artemis so uma das 127 lendarias colunas ainda esta de pe, o resto do que foi recuperado esta exposto no British Museum em Londres segundo os pessoal do local.
As ruinas de Ephesus sao as que estao em melhor condicao de preservacao de todas as antigas cidades gregas. O estadio antigo da cidade tinha capacidade para 24.000 espectadores e esta praticamente intacto. La encontramos com Roman e Leonor que estavam no hostel em Istambul com a gente. Acabou que passamos o resto do dia com eles e seguimos juntos pra casa da Virgem Maria. Que foi uma grande decepcao. O preco do entrada e abusivo e assim que pegamos o ingresso descobrimos que o valor cobrado e para manutencao e preservacao da estrada que leva ate la e nao para entrar no monumento, sendo assim eles aceitam doacoes para ajudar na preservacao da area. Me senti de volta ao Vaticano. Pra piorar tudo que tem pra ver la e um casebre e ainda metem uma placa proibindo fotos dentro do recinto. Ta legal, ja vi esse filme. Tirei o flash da camera e tirei uma duzia de fotos pra fazer valer o ingresso. Tirar foto de monumento nao pode ser pecado e se a Virgem Maria pagasse o que eu paguei para entrar na casa de alguem aposto que tambem ia pelo menos querer tirar umas fotos.
Acabado o passeio fomos comer na cidade e seguir para Pergamum. La encontramos as ruinas da Acropole turca. E foi na Acropole turca que tive um momento muito estranho. As pessoas estavam jogando moedas dentro de um poco e fazendo pedidos. Como turista idiota que sou, fui perpetuar a tradicao e ao empunhar a moeda, nao fazia a minima ideia de qual seria meu desejo. Fiquei alguns minutos la ate que joguei a moeda e pedi simplesmente para ser feliz. Nesse momento, eu nao faco a minima ideia do que gostaria que fosse minha vida daqui a cinco ou dez dias, quanto mais daqui a dez anos.
Vimos tudo rapido e seguimos para Troia. Troia na verdade foi surpreendente porque as pessoas falaram tao mal que fomos sem expectativa nenhuma. No final, vimos muito mais do que esperavamos. Troia foi reconstruida oito vezes ate que os caras simplesmente desisitiram e deixaram as ruinas de lado e seguiram em frente para outras cidades. Troia devia ser uma cidade incrivel, mas seus habitantes nao deviam prezar pela inteligencia, pois reconstruir a cidade pela terceira vez ja devia ser sinal suficiente de que ali nao era o lugar ideal para se ter uma cidade. E a historia do cavalo... Fala serio! Sera que depois de toda a guerra e a cidade sitiada por tanto tempo, ninguem desconfiou de um cavalo de madeira que surgiu do nada?
Depois seguimos para Cannukale para dormir e descansar para a volta a Istambul no dia seguinte.
Quem lucrou mais com essa viagem foi meu amigo Art. Ele aprendeu que e muito melhor ser brasileiro do que americano na hora de ligar pra fazer reservas em hostels ou hoteis. Portanto toda vez que ele ligava para ver se tinha vaga em algum hostel, ele falava que era brasileiro e assim Art Rich virava Artur Ricardo. Alem de ganhar sempre um descontinho, ninguem espera gorjeta de brasileiro. O exato oposto dos americanos.
Entao no dia seguinte pegamos a balsa em Cannakale e seguimos viagem pra Istambul. A ideia era vermos a costa da Turquia e aproveitarmos a viagem de volta pra tirar algumas fotos e voltar sem pressa. Bem no estilo road trip. Foi otimo ate que chegamos num ponto em que podiamos pegar a rodovia ou continuar na costa pelo que parecia um atalho. Era uma escolha obvia 40 km por uma rodovia auxiliar ou 80 km para fazer o mesmo trajeto porque teriamos que andar para tras para poder pegar a estrada principal.
Comecamos na rodovia auxiliar e de repente, cade o asfalto? Foram quarenta quilometros de pedras, penhascos e desfiladeiros. Levamos duas horas para percorrer 40 km numa estrada que so fazia subir. Valeu pela paisagem. Apos essa "odisseia" chegamos a Istambul prontos para descansar e aproveitar o fim de semana.



