Saturday, August 28, 2010

Diario de Bordo XXXI: Cruzando o velho mundo






Entao, eu cheguei em Copenhagen para comprar o ticket para Berlim e, surpresa, arrumei uma promocao que segundo a moca do balcao fez com que o ticket ficasse super em conta. Para mim, depois de tanto tempo na Asia, as promocoes da Europa parecem uma brincadeira de mau gosto. Mas de qualquer forma e melhor do que pagar o preco inteiro. Entao, eu entrei no trem e no meio da viagem de trem, o trem vai dentro de um navio para cruzar o mar da Dinamarca para a Alemanha. E a primeira vez que eu viajo de trem dentro de um navio. Mais um tempinho e cheguei em Hamburgo onde troquei de trem para chegar a Berlim. A estacao central de Berlim e gigante e nada facil de se achar. Para piorar, as senhoras que trabalham na estacao vendendo bilhete de trem e metro fazem questao de ser muito estupidas e nada solicitas. Muito diferente da Escandinavia. Entao eu descobri onde era a plataforma, mas nao fazia a minima ideia de qual bilhete comprar. Comecei a xingar a maldita maquina em portugues e uma menina viu e, ainda que nao entendesse nada, percebeu que eu estava bem "p" da vida e me ajudou a comprar o bilhete. Eu estava seguindo para a casa do meu camarada alemao, Nils. Nos nos conhecemos no Laos e nos reencontramos na Coreia do Sul. Quando eu falei que ia dar um pulo em Berlim, ele ficou amarradaco e me convidou para ficar na casa dele. Apos encontrar a casa de meu amigo Nils, fomos dar uma volta e conhecer a vizinhanca dele. Para comecar, a primeira impressao e que Berlim e uma cidade com muito mais vida que as cidades escandinavas. Um monte de bares abertos, lojas e pessoas andando nas ruas. A primeira impressao foi otima.
No meu primeiro dia em Berlim, Nils me emprestou uma bicicleta e me levou para ver a cidade. Berlim e uma cidade sensacional para se visitar. Diferente do mesmo roteiro de quase todas as cidades europeias Berlim e uma cidade com uma historia recente muito rica e com muitas coisas para ver. A Europa e muito organizada e legal, mas e quase sempre a mesma historia: museu, igreja, estatua de um cara em cima de um cavalo, chafariz e parte para a proxima cidade. Em Berlim, ate a igreja mais legal para visitar e uma igreja que foi bombardeada na guerra. Nils me levou por tudo que e canto da cidade fazendo um um tour expresso para nao perder tempo em coisas chatas que tem a mesma cara em tudo que e canto e foi otimo. Ate que chegamos em uma garagem de carros de luxo e passamos um bom tempo vendo carros de luxo antigos e super modernos lado a lado. Depois voltamos ao tour vimos o monumento em memoria dos judeus vitimas do holocausto que e um tanto perturbador, partes remanescentes do muro de berlim e o Tacheles que e um predio antigo que foi ocupado por artistas e tem uma atmosfera muito legal. Nesse dia, rodamos mais de quarenta quilometros de bicicleta o que exigiu um descanso.
Ficou para o dia seguinte, a visita a parte da muro de Berlim que ainda estava de pe. Como era de se esperar, os artistas locais deixaram sua marca no muro com trabalhos de arte sensacionais. Essa area do muro tem alguns bares a beira do rio que eles chamam de "praia". Nao da pra se banhar no rio, mas a areia ta la e o clima e bem legal.
Nos outros dias em que estive em Berlim, chovia bastante e nao dava para sair para ver muita coisa, entao eu e Nils (que havia tirado uns dias de folga) demos uma volta pela vizinhanca dele e saimos a noite para conhecer alguns de seus bares prediletos. Eis que no dia que eu resolvi seguir para Praga, abriu um sol sensacional em Berlim. O trem para Praga foi super tranquilo. A viagem foi muito agradavel. A paisagem e bem bonita e o tempo estava otimo. Cheguei na cidade, achei meu hostel sem grandes dificuldades e segui para uma pizzaria na esquina para comprar um pizza. Justo quando chego na pizzaria, desabou o ceu. Comecou uma chuva de granizo daquelas. Como a pizzaria estava fechando tive que correr pro hostel. Apesar da pequena distancia, cheguei completamente encharcado no hostel. Enquanto secava no hostel, conheci um brasileiro gente boa para caramba. Kairo e goiano, mas mora em Roma no momento. O hostel que nos estavamos era bem legal e pela primeira vez eu vi um hostel com piscina, acreditem ou nao. A unica desvantagem e que o hostel ficava um pouco longe do centro historico de Praga. No dia seguinte, eu e Kairo rodamos por Praga e vimos tudo que tinha pra ver. Apos um dia eu ja estava na pilha de seguir em frente. Praga e uma cidade muito bonita, mas em um dia nos andamos quase tudo e eu queria ver mais. Resultado: decidi que no dia seguinte ja ia seguir para Vienna. O Kairo ia voar de volta para Roma em dois dias e eu botei uma pilha e ele se juntou a mim. No dia seguinte, acordamos bem cedo e seguimos para a estacao de trem. Pegamos o primeiro trem e na hora do almoco estavamos em Vienna. Sem sombra de duvida, Vienna e a cidade mais bonita que eu vi na Europa desde que eu voltei da China. Extremamente bem conservada, com um centro historico sensacional e diversas coisas para ver. O problema e que a cidade e cara para cacete. Muito cara mesmo, resultado do numero absurdo de turistas em todos os cantos da cidade. Eu rodei com o Kairo durante horas para ver tudo queriamos. Vienna e uma cidade sensacional e eu gostaria muito de retornar, mas os precos absurdos me obrigaram a seguir em frente. O Kairo voltou para Praga para voar de volta para Roma e eu olhei o mapa e a capital mais proxima era Bratislava, na Eslovaquia. Tao perto que do ponto mais alto da cidade e possivel avistar a Austria, ja que a fronteira fica a apenas dezesseis quilometros de distancia.
Na chegada em Bratislava, conheci na recepcao do hostel um japones chamado Kazu e resolvemos rodar juntos pela cidade. Diferente de Praga e Vienna, Bratislava e uma cidade sem muito o que ver. Tem todos os ingredientes basicos das boas cidades europeias. A cidade e limpa, bonita, organizada, mas em tres horas e possivel visitar todos os pontos de interesse da cidade duas vezes. Eu e Kazu rodamos pela cidade, vimos tudo e voltamos para o hostel para dar uma relaxada. Depois quando resolvemos sair para comer alguma coisa, vimos uma menina totalmente enrolada com um mapa. E conhecemos Sun, a sul coreana mais gente boa que eu conheci ate hohe. E olha que esse e um titulo importante, pois se tem um pais que so tem gente boa e a Coreia do Sul. Sun estava totalmente perdida em Bratislava. Ela tinha descoberto que existia um pais chamado Eslovaquia de manha cedo e resolveu dar uma checada. Pegou a balsa em Vienna e la foi. E la fomos eu, Kazu e Sun provar a cozinha tradcidional eslovaca. E eu pensava que depois de comer carne de gato, polvo vivo, carne de cobra e inseto nao haveria nada que pudesse me surpreender no campo gastronomico, mas se tem um equivoco que eu nao vou repetir e de experimentar os pratos tradicionais eslovacos. Eta, comidinha ruim! Um macarrao com um molho azedo para caramba com carne de porco que faz a comida pesar uma tonelada no estomago. No final da refeicao, sobrou comida no prato de todo mundo.
Novo dia, Kazu estava indo na direcao oposta, mas Sun estava totalmente perdida sem saber onde ir e resolveu seguir o mesmo caminho que eu. La fomos nos, de manha cedo para a estacao de onibus seguir para Budapeste. Como eu havia comprado meu bilhete antes, ficamos em fileiras separadas e no onibus conheci Remo, um alemao que estava seguindo mais ou menos na mesma direcao que nos. Conversamos por toda a viagem de onibus e chegando em Budapeste ele resolviu seguir para o mesmo hostel que nos. Sem muitas dificuldades conseguimos encontrar o hostel e la, nos esperando, estava Nicole minha amiga romena que eu conheci em Beijing e estava passando ferias com sua familia na Romenia. Como a cidade que a familia dela mora e muito pequena ela estava sem muito o que fazer e quando eu falei que estava seguindo para Biudapeste resolveu tirar uns dias para visitar a cidade tambem. E ai estava formado nosso grupo.
Fomos almocar juntos e descobri que nao adianta tentar. Na Europa, se voce nao esta em Portugal, na Espanha, na Italia ou na Grecia, a unica solucao e kebabs. A melhor solucao para qualquer tipo de refeicao. Enfim, nossa guia romena nos levou por todos os cantos de Budapeste que na minha opiniao e uma das melhores cidades para se caminhar de todas as cidades que eu visitei na Europa, pois alem do monte de coisa que tem para se ver, a grande maioria das coisas e bem proxima e os morros nos arredores do centro historico proporcionam ao visitantes uma belissima vista de quase toda a cidade. Budapeste e uma cidade sensacional. Bonita, limpa e muito mais barata que as cidades do oeste europeu. O hostel em que estavamos tambem tinha algo de especial a seu respeito. Uma daquelas coisas dificeis de explicar, o hostel ocupava todo um predio bem antigo caindo aos pedacos, mas o patio interno criava um ambiente bem agradavel para ficar de bobeira e bater papo. O barulho do patio interno faz com que seja impossivel dormir, mas esse e um dos charmes do lugar, pois fica todo mundo ate cedo batendo papo no patio central.
No nosso segundo dia em Budapeste, era o grande feriado nacional do pais. A cidade estava abarrotafa de gente e o clima estava otimo. Fomos no palacio onde estava tendo uma feira de produtos locais e artesanato e fomos ate o topo do palacio. Depois rodamos um pouco mais pela cidade e Sun e Remo compraram alguns desenhos de um artista local que era uma figuraca e nao parava de falar nem por um minuto. Voltamos para o hostel e no caminho enquanto estavamos tentando decidir onde ir, Nicole nos convidou para ir conhecer sua cidade e se hospedar na casa dela e claro que nos tres concordamos. Ainda que nao ficasse muito na direcao que nenhum de nos pretendia seguir, e claro que ninguem podia desperdicar uma oportunidade de conhecer a Transilvania, especialmente com um guia local. Entao fomos ver os fogos de aritificio a noite e na manha segunte pegamos uma van em direcao a Baia Mare, no norte da Transilvania.
Pouco mais de quatro horas depois chegamos a Baia Mare. La fomos diretos para a casa da familia da Nicole. Conhecemos os pais dela e o irmao, comemos e fomos dar uma volta pela cidade. A escolha de ir para a Transilvania apesar de espontanea foi a melhor que poderiamos ter feito. A cidade tinha um clima de cidade pequena muito agradavel e todo mundo foi muito simpatico. O pai da Nicole nao parava de sorrir um minuto. Ele e uma daquelas figuras que esta sempre de bem com a vida e adora ter visitantes. Nao so isso, a casa e gigantesca. Eu, Remo e Sun ficamos cada um em um quarto diferente com camas super confortaveis. Um otimo descanso na vida de hostels. A cidade tem um clima de cidade pequena com um cenario bem caracteristico: a cidade fica num belo vale cercado de montanhas. Andamos pela cidade quase em algumas horas e a noite fomos a uma boate que ficava a dez minutos de caminhada da casa da Nicole como alias quase tudo na cidade que nao fica a mais de vinte e cinco minutos de caminhada de distancia.
Novo dia, seguimos para conhecer os arredores da cidade. Visitamos a maior igreja de madeira do mundo que nem e tao grande assim, mas ja que nao existem tantas igrejas de madeira no mundo, ostenta um titulo de orgulho para regiao. Almocamos comida tradicional da regiao. Remo experimentou cerebro de porco grelhado. Apesar de soar estranho, era bem saboroso. Em seguida, fomos ao cemiterio feliz que e algo um tanto esquisito, onde as pessoas que morrem tem um texto comico escrito a respeito de suas vidas em suas sepulturas, e depois rodamos pelas montanhas da regiao curtindo a paisagem.
Novo dia, dia de dizer adeus a Baia Mare e seguir em direcao a Bran, local onde fica o castelo do Dracula. Passamos um dia tranquilo e apos nos despedirmos de Nicole e sua familia, eu, Remo e Sun pegamos o trem a noite.
Chegamos de manha bem cedo a Brasov, onde pegamos um onibus ate Bran. Chegamos antes das oito da manha e tivemos que esperar ate as nove horas para abrirem os portoes. O castelo foi uma grande decepcao por uma simples razao: e sem duvida o castelo mais agradavel que eu vi ate o momento. E a cidade e muito bonita e arrumada. Dificil de acreditar que uma lenda como a do Conde Dracula poderia ter ocorrido num lugar tao agradavel.
Apos uma hora de visita, o castelo foi totalmente infestado por turistas. Foi otimo termos chegado tao cedo. Terminada a visita a Bran, pegamos o onibus de volta e compramos nossas passagens para Varna, uma cidade balneario na costa da Bulgaria.
Viajar de trem na Romenia e na Bulgaria nao e tao facil quanto na Europa Ocidental. O nosso trajeto, apesar de nao envolver uma distancia muito grande, incluia duas trocas de trem: uma em bucareste, onde ocorreu tudo como o esperado, e outra em Ruse. Para nossa surpresa, ao chegarmos em Russe descobrimos que o trem no qual deviamos embarcar para Varna nao existia e teriamos que esperar ate a manha seguinte. Sem opcoes e tendo que matar oito horas ate a hora do nosso trem, fizemos um lanche no posto de gasolina que parecia ser o unico estabelecimento aberto nos arredores da estacao de trem e dormimos na estacao mesmo. No meio da noite, o guarda nos acordou e falou que nao podiamos dormir ali e perguntou onde iamos. Para nossa sorte, o trem ja estava esperando na estacao com uma hora de antecedencia. Entramos no trem e dormimos por algumas horas e entre um cochilo e outro aproveitamos para tirar algumas fotos da bela paisagem do interior da Bulgaria.
Chegamos em Varna proximo a hora do almoco. Fizemos um lanche num cafe proximo a estacao e comecamos a caminhar pela cidade procurando um lugar para ficar e achamos um hotel na quadra da praia com um preco otimo e uma atmosfera super agradavel. Tiramos o dia para relaxar na praia e descansar. Ja de cara passamos o choque cultural mais divertido que eu vi ate o momento. Os sim dos bulgaros e movendo a cabeca de um lado pro outro que seria o nosso nao e vice versa.
Fizemos uma refeicao sensacional e, a noite, voltamos a praia para uma caminhada. Se tem uma coisa que espanta nas praias da Bulgaria e a mania europeia de fazer topless que pode soar muito boa para quem nao esta aqui, mas que, dada a falta de preocupacao com a forma fisica das europeias, se torna um potencial gerador de pesadelos pelos proximos dez anos. E claro que quem faz topless aqui e quem ninguem quer ver fazendo topless.
Novo dia em Varna, demos uma volta na cidade e compramos nossas passagens para seguir em frente no dia seguinte. Visitamos a catedral da cidade e o centro historico. Em seguida, voltamos a praia e, por algum fenomeno relacionado ao vento que havia mudado, os salva-vidas nao deixavam ninguem mais de dois passos na agua. Os coroas que trabalham de salva-vidas na praia nao davam folga para niguem. Um festival de apito que enchia o saco. Quando deu cinco da tarde e os salva-vidas foram embora, todo mundo entrou no mar. Eu nao sei qual era o receio dos salva-vidas, mas ele nao se materializou, o que era de se esperar, pois o mar negro nao tem onda e nem e tem que andar bastante para encontrar as areas mais fundas. Fechamos o dia com um jantar num restaurante local sensacional, onde comemos para caramba.
Nosso ultimo dia em Varna foi muito tranquilo. Acordamos tarde, fizemos o check out e demos um role pela cidade esperamos a hora do nosso onibus que saia as nove da noite para Istanbul. Hora de voltar para uma das minhas cidades favoritas. Nao vejo a hora de chegar la!

Wednesday, August 11, 2010

Diario de Bordo XXX: Dinamarca, terra de gente boa






Apos meu tour relampago por Finlandia, Suecia e Noruega, era hora de visitar bons amigos na Dinamarca. A Dinamarca e, sem sombra de duvida, pais de gente muito boa, pois e um dos paises do mundo que tinha mais gente que eu gostaria de visitar, apesar da pequena populacao. Minha prioridade na Dinamarca era visitar meus amigos. Primeira coisa que eu fiz chegando de Oslo em Copenhagen foi pegar o trem para Aarhus. Direto para visitar Majbritt e Jesper. Depois da noite no onibus e mais tres horas no trem cheguei de manha em Aarhus. Eles foram me encontrar na estacao de trem e fomos direto para a casa dos pais do Jesper para que eu pudesse conhece-los. A casa em que eles moram fica a pouco menos de trinta minutos de Aarhus que e conhecida como a menor cidade grande do mundo (vai entender...).
Apesar da proximidade com a "cidade grande", o vilarejo em que eles moram tem menos de mil moradores. Todo mundo se conhece e a area e composta por pequenos ranchos. Todas as casas tem uma plantacaozinha e um jardim sempre super bem cuidado. O almoco foi sensacional e eles tinham todo tipo de comida dinamarquesa para eu provar. Eu que estava determinado a nao decepcionar, nao dei mole e comi ate nao poder mais. Passamos o dia relaxando, caminhando pelos arredores da casa e conhecendo alguns dos vizinhos. Todo mundo super agradavel e receptivo. A noite, fomos para Aarhus onde ficamos na casa dos pais da Majbritt. Jesper e Majbritt estavam esperando que entregassem as chaves do flat onde eles vao morar e nesse periodo estavam morando com seus pais. Os pais da Majbritt sao poloneses e um tanto diferente dos pais do Jesper. A unica semelhanca e que ambas as maes tiraram o periodo que eu estava com eles para tentar me engordar. Eu nao podia reclamar. A mae da Majbritt era uma figuraca. Apesar de so falar polones e dinamarques, curiosamente se fazia entender e nao parava de rir um minuto.
Incialmente meu plano era passar alguns dias em Aarhus e por alguns dias eu pensava em dois ou tres, mas com a companhia dos meus amigos acabei ficando onze dias. Nao seria demais se houvesse muito o que ver em Aarhus, mas no meu segundo dia, a Majbritt me levou para ver a cidade e em menos de uma hora ja haviamos visto tudo. Eles ainda me levaram na residencia de inverno nos arredores da cidade no mesmo dia. Uma casa muito bonita. Proxima a uma geladissima praia.
O unico problema do pais e sem sombra de duvida o clima. Em todos os dias que eu passei na Dinamarca, estava mais quente no Rio de Janeiro (onde e inverno) do que aqui.
No dia seguinte, deu uma esquentada e a Majbritt me levou na praia, enquanto Jesper foi pro trabalho. A praia mais organizada que eu ja vi. A area e toda cercada por vestiarios e banheiros. Tudo limpo e arrumado. Na praia ainda conhecemos um brasileiro que esta morando na Suecia chamado Denis. Segundo ele, depois de um ano qualquer um se acostuma com o frio. Depois dos menos vinte graus que eu passei na Mongolia, se tem uma coisa que eu nao quero me acostumar e com frio. De todas as coisas mais curiosas que eu vi ate agora foi a capacidade de evitar conflitos dos dinamarqueses. Comecamos a jogar frisbee e eu acertei um cara. Ele nao falou nada e eu percebi que a maior parte das pessoas em volta levava uma bolada ou frisbee desgovernado ver por outra e nao falava nada. Incrivel. Se fosse no Brasil dava tiro e tudo. A noite, fomos com os pais da Majbritt jogar boliche. Eu que nao jogo nada de boliche fui a grande decepcao e so consegui ficar na frente da mae dela.
Novo dia, fomos a Skanderborg, uma pequena cidade proxima a Aarhus que e palco do Skanderborg Festival segundo maior festival da Dinamarca. Esse ano a grande atracao era Roxette.
Eis que chega o dia de conhecer um dos mais incriveis pontos turisticos da Dinamarca e uma das maravilhas do mundo moderno: Legoland. E dificil de dizer quem gosta mais da Legoland, os pais ou as criancas. Mas que e o maior barato ver o mundo de Lego em miniatura, isso e. Entramos e logo quando comecamos a andar pelo parque, eu estava tentando tirar uma foto e pedi licenca de um senhor que estava na frente de uma das miniaturas de Lego e quando olhei para Majbritt ela estava com uma cara de boba que eu nunca vi, mas e de se entender pois era a primeira vez que ela via o principe da Dinamarca em carne e osso. Eu que ja ia pedir para tirar uma foto com ele, fui interrompido pelos meus amigos que me falaram que aqui todo mundo respeita a privacidade das pessoas famosas. Nao e a toa que ele estava caminhando como uma pessoa normal pelo parque com sua familia.
Foi um dia para ser lembrado. Tres adultos indo em todos os brinquedos do parque e curtindo adoidado.
Na sexta-feira, eles queriam me mostrar a noite de Aarhus. E nao e que, depois de meses de Asia, fugindo de karaoke onde quer que eu fosse. Acabei participando de um jogo de karaoke com meus amigos na casa de uma das amigas da Majbritt. Uma lastima. Depois da performace sofrivel do meu dueto com o Jesper cantando Aretha Franklin, fomos conhecer os bares de Aarhus. E depois de bebermos algumas cervejas, meu amigo Jesper me convidou para ser seu padrinho de casamento. Nao tenho palavras para descrever a honra que e um convite desses. E tinha que ser feito da maneira dinamarquesa: bebado. A Majbritt ficou reclamando com ele que ela nao queria que ele fizesse o convite desse jeito, mas foi do jeito que tinha que ser.
No sabado, havia um almoco na casa de um dos tios do Jesper. Ao chegarmos na casa dele, vi uma cama elastica no jardim e nao deu outra. Em menos de tres minutos, eu estava voando na cama elastica. Alem de muita comida, o sabado incluia um jogo de softball e um de futebol que a chuva encurtou. Na volta dos jogos, eu acabei praticando um pouco de luta livre com os priminhos do Jesper. Depois de quase tres horas jogando os moleques de um lado para o outro, eu acabei me rendendo. Foi um dia sensacional.
Eu precisava descansar da surra que eu levei na cama elastica da molecada e fomos no domingo para a casa de praia da vo do Jesper. Comemos um pouco de peixe defumado e andamos um pouco pela gelida praia. Depois fomos para a casa dos pais do Jesper onde pude conhecer seu irmao Jonas. Batemos uma bola no gramado na frente da casa e comemos bastante como sempre.
Meus amigos bem que queriam que eu fosse com eles no Skandrborg Festival. Tanto que a Majbritt me levou com ela na segunda feira para a abertura do camping do festival para ajuda-la com a escolha da area onde colocar a barraca deles. Todo mundo esperando ate abrirem o portao quando comeca a correria para tentar arrumar um espacinho para acampar. O mais curioso e que uma vez que a barraca esta colocada, a maioria das pessoas vai embora para casa e so vai voltar la dois dias depois quando o festival comeca. A barraca fica la e ninguem mexe. E esquisito nao ter ninguem para roubar as coisas. A priminha do Jesper tinha que escrever uma redacao para a escola de tema livre e depois de me conhecer decidiu que o tema seria eu. Entao nos fomos a noite visita-la e eu dei para ela minha bandeira do Brasil que eu tinha comprado para a Copa do Mundo enquanto eu estava no Nepal. Ela ficou toda feliz e colou na porta do quarto dela, uma posicao de maior destque do que o poster que ela tem do High School Musical. Isso que e moral!
Decidi que quando o Skanderborg Festival comecasse eu iria seguir em frente e nos dias seguintes, rodei por Aarhus e ainda fui no Jardim Botanico da cidade e dei uma caminhada com a Majbritt pela cidade. Na quarta feira peguei o trem para Copenhagen. Quando fui me despedir da mae da Majbritt, ela falou que tinha feito um lanchinho para eu comer na viagem e me deu um saco maior que minha mochila de comida para levar. Sanduiche, fruta, suco. Gente finissima.
Nao foi tao dificil dizer adeus para meus amigos porque eles me prometeram que me visitariam em breve. Entao, nosso adeus nao passou de um ate logo.
Segui para Copenhagen para ver a maior cidade da Escandinavia. O que nao quer dizer muita coisa, pois continua sendo uma cidade com menos de dois milhoes de habitantes, o que na China nao passa de um vilarejo.
No meu primeiro dia em Copenhagen, meus amigos dinamarqueses que eu conheci em Beijing foram me mostrar a cidade. Frederik, Viktor e Niclas moram em Roskilde, mas foram ate a capital para me fazer companhia. Caminhamos pela cidade e vimos todos os predios historicos, o famoso porto de Copenhagen que eu ate agora nao entendi porque e famoso, passamos na porta do Tivoli e ainda fomos ate Cristiania, um lugar que eu nao fazia a minima ideia que existia.
Cristiania e um dos maiores pontos de interesse dos turistas que visitam Copenhagen e e compreesivel que seja, pela controversia em torno do local. Crisitiania comecou na decada de 70 como uma area hippie no meio de Copenhagen. Drogas sao vendidas como em um feira livre e a policia nao aparece. Curiosamente, um tema extremamente delicado como esse seria tratado de forma diferente em qualquer lugar, mas Crisitiania e motivo de orgulho para muitos dinamarqueses. E um exercicio de tolerancia e o ambiente e extremamente curioso, pois nao e so uma area de venda e consumo de drogas. A area e como se fosse um parque com muitas arvores e muitas criancas e idosos circulm pela area. Droga pesada nao entra.
Copenhagen e uma cidade bem diferente das outras cidades da Escandinavia. Muitas pessoas nas ruas e muitas coisas acontecendo, mas ainda assim tudo muito caro.
No segundo dia que eu passei em Copenhagen, conheci um casal finlandes no hostel e andamos pela cidade mais uma vez, vendo basicamente as mesmas coisas que eu ja tinha visto no dia anterior, pois em um dia eu ja havia visto quase tudo na cidade.
No final do dia, segui para Roskilde para curtir um fim de semana dinamarques. Niclas me mostrou a cidade em uma hora. A noite fomos rodar pela cidade e comecar o fim de semana. Conheci alguns outros amigos deles e descobri alguns fatos sobre a Dinamarca. Segundo eles, a Dinamarca e o pais onde mais se consome alcool no mundo, o que preocupa alguns politicos e orgulha a juventude. E quanto mais aumenta o preco das bebidas alcoolicas, menos se vende alcool na Dinamarca, mas mais se vende logo do outro lado da fronteira na Alemanha. Todos os dinamarqueses que eu conheci tinham uma coisa em comum: faziam viagens periodicas ate a Alemanha para comprar cerveja.
Duas noites em que eu curti em Roskilde com meus amigos e conheci um monte de dinamarqueses gente boa. Roskilde apesar de ter sido a primeira capital da Dinamarca nao tem muito o que visitar. Entao no domingo de manha, sai da casa de um Niclas para a casa de outro Niklas. O segundo Niklas e eu nos conhecemos indo do Cambodia para o Vietnam e passamos uns dias juntos em Saigon. A familia do Niklas e super legal e ele e um cara super gente boa. Daqueles caras que de longe da pra ver que e do bem. Alem dele eu tambem estava planejando visitar Maja, a companheira de viagem dele no Vietnam. O pai do Niklas viajou pelo Brasil em 1985. Do Rio ate Manaus indo pela costa ate cortar floresta adentro, eu acho que o cara viu mais do Brasil do que quase todos os brasileiros que eu conheco. E nao e a toa que ele e um cara tao gente boa, pois a familia dele e super legal. A cidade deles se chama Helsingor e e famosa por ser a terra do Kronborg, o castelo de Hamlet. E mais uma daquelas cidadezinhas sem predios altos com um monte de casinhas coloridas no tradicional estilo dinamarques. Tudo muito bonito, arrumado, limpo, enfim, um mundo que quem mora em cidades grandes so consegue acreditar vendo. O domingo estava meio chuvoso, entao demos um role de carro e fomos visitar os avos paternos do Niklas e vi a criacao de passaros do avo dele. Na volta, o jantar foi pizza. Os pais dele tentaram fazer um prato diferente e deu errado.
Na segunda feira, o tempo nao estava marvilhoso, mas pelo menos nao estava chovendo. Eu e Niklas fomos ate o Kronborg e visitamos o castelo, as galerias subterraneas e vimos a estatua de Holger the Dane. Diz a lenda que ele esta adormecido e que acordara quando a Dinamarca for ameacada para salvar o pais.
Depois do Kronborg, comemos um bagel e fomos para a casa do Niklas. Como ele falou para todo mundo que um amigo dele do Brasil estava vindo, um amigo dele ligou nos convidando para jogar pelo time dele a noite. E foi um grande fiasco. Nao que tenha sido tao ruim assim, mas eu nao jogava bola a tanto tempo que em vinte minutos nao aguentava mais andar. Pelo menos o nosso time deu um banho de bola no time adversario (gracas a todo o resto do time porque eu ja entrei em campo morto...). Maja ainda apareceu para dar um alo enquanto jogavamos.
No mesmo dia era aniversario do irmao do Niklas, Benjamin. Kim e Layla, os pais do Niklas fizeram um super jantar e ainda me mostraram como se joga o tradicional jogo dos reis. Mais um dia sensacional na minha viagem. Ainda tive a oportunidade de ouvir o parabens para voce da Dinamarca que nao tem nada a ver com o nosso. Depois do jantar sentamos e conversamos ate tarde e a vontade era que o tempo nao passasse. Mas fazer o que? Chega a hora de seguir em frente.
Na manha seguinte, acordei e segui com meu amigo Niklas ate a estacao para pegar o trem para a Alemanha. Chateado por deixar para tras todas aquelas pessoas sensacionais que conheci e visitei na Dinamarca, mas pronto para viver mais momentos inesqueciveis. Dificil vai ser algum pais ser tao "familiar" quanto a Dinamarca, fora o meu Brasil, e claro!

Thursday, August 5, 2010

Diario de Bordo XXIX: A chegada a terra dos vikings e dos precos absurdos...






Sete horas ate Moscou, mais uma hora e meia e chego a Helsinki. De
cara o choque. Pouquissimas pessoas na rua e ninguem com olho nem um
pouquinho puxado. A saudade da China bateu na hora. Quando eu vi o
preco do onibus do aeroporto ate a cidade, ai que a saudade foi ainda
mais forte. Chegando na cidade, me esbarrei com um casal de suicos e
acabou que descobrimos que iamos para o mesmo hostel. No caminho
encontramos uma alema e ela nos mostrou onde era o hostel. Uma moleza
viajar na Europa. Facil, facil de achar o hostel. Ai vem a hora de ver
o preco do hostel e fica aquela impressao de que a diaria de um hostel
na Europa e o suficiente para passar uma semana na India. Tudo e pago,
mas tem uma pequena vantagem: as coisas normalmente sao limpas e
funcionam. O quarto era otimo e, por incrivel que pareca, eu cabia na
cama sem problemas. Ta ai uma sensacao que eu nao tinha faz tempo...
Enfim, mas como tudo e caro para cacete, nao da pra ficar de bobeira.
Cheguei em torno de sete da noite no hostel, tomei um banho, troquei
de roupa e meti o pe para ver a cidade. Sem duvida, o mais
impressionante e a quantidade de pessoas na rua. Nao tem praticamente
ninguem. O dia tava bonito e eu dei uma caminhada longa, esbarrei com
uns garotos em um parque e bati uma bola muito rapido e comecei a
andar aleatoriamente na cidade. Me perdi, mas nao esquentei. Afinal,
olhava para cima e la estava o sol dando aquela sensacao de que eram
umas seis da tarde. Ate que eu me liguei que eu cheguei no hostel as
sete da noite e apesar do sol, ja eram onze horas da noite. Esse papo
de sol da meia noite, eu sempre escutei, mas incredulo que sou nunca
acreditei. Agora, posso dizer que vi com meus proprios olhos. So
anoitece por algumas horas nesse periodo do ano, o que me faz so
imaginar e desejar nunca testemunhar o inverno deles. Depois da
caminhada, so me restou apagar.
Acordei de manha, apos uma boa noite de sono e comi o cafe da manha do
hostel. Me preparei para um India solitario, pois nao conheci ninguem
no hostel. Carreguei o ipod, botei um livro na mochila e comecei minha
caminhada por Helsinki. Fui numa igreja perto do hostel que era bem
bonita e na saida esbarrei de novo com a alema que tinha me indicado
onde era o hostel no dia anterior. Conversamos por alguns minutos e eu
e Krissi decidimos dar um role pela cidade juntos. Mais meia hora e
empacamos perdidos no mapa e conhecemos mais um grupo de cinco
estudantes de medicina de diferentes paises que estavam passando o dia
em Helsinki e seguimos todos juntos. Resultado em menos de uma hora, o
meu dia solitario se tornou um dia cheio de novas companhias. Rodamos
pela cidade por um tempo e depois pegamos a balsa para Suomenlinna,
uma ilha bem proxima a Helsinki que possui um forte e algumas praias.
As praias sao frias para cacete diga-se de passagem, mas e legal pelo
menos para ver a alegria da turma da Finlandia curtindo o verao.
Rodamos a ilha e paramos um tempo em uma das praias. Algum tempo
depois tivemos que voltar para a cidade. So eu e Krissi ficamos em
Helsinlki, o resto do nosso grupo estava hospedado na Estonia.
Compramos uma coisas no mercado e fomos curtir um piquenique num
parque perto do hostel as onze da noite com o ceu ainda claro.
Helsinki e uma cidade sensacional. Verde por todos os lados e o mar no
meio da cidade com algumas pequenas ilhas dao um ar muito legal a
cidade. Sem duvida a baixa densidade populacional e a tranquilidade do
estilo de vida finlandes sao um baita choque para quem acabou de
chegar de Beijing. Mas da para entender o gosto que as pessoas tem por
esse estilo de vida.
Novo dia, minha amiga alema Krissi pegou o trem cedo para seguir para
o norte da Finlandia. Eu tinha que esperar ate o final do dia para
pegar a balsa para Stockholm. Aproveitei para caminhar pela super
agradavel cidade de Helsinki e comer algumas daquelas frutas que a
gente so fica sabendo que existe na aula de ingles porque o livro
nunca e feito com o nome de frutas tropicais. Entao comprei umas
blackberries, blueberries e cerejas. Nao que as frutas fossem ruins,
mas deu uma saudade das feiras de rua do Rio. Para comecar pelo preco
e pela falta de manga, tangerina, fruta de conde e outras maravilhas
tropicais que a gente so da valor quando nao tem.
Chegada a hora da balsa, a surpresa. A balsa era na verdade um
cruzeiro. Um baita navio com free shop, boate e cassino. Eu que tinha
me preparado para ler um livro e relaxar, tive que reajustar meus
planos. Conheci um turco que tambem estava viajando pela Escandinavia
e fomos ate o free shop comprar uns drinks e rodar pelo navio. Depois
de uma longa noite chegamos a Stockholm.
Primeira coisa que eu tinha que resolver era achar um hostel. Peguei
um onibus ate o centro e para minha surpresa, na Suecia internet
gratuita nao e tao comum quanto eu imaginava. Na Escandinavia, alem de
tudo ser caro para cacete, tudo e cobrado, ate ir no banheiro no
Mcdonalds custa dinheiro. Mas perguntando para um cara que trabalhava
na estacao de onibus, ele falou que os onibus interestaduais tinham
internet gratis. Entao la fui eu. Enquanto o onibus parava por alguns
minutos eu tentava usar a internet. No fim das contas, minha pao
durice deu certo e consegui marcar um hostel e ainda falar com meu
amigo Tim, o australiano que conheci em Koh Pangang e viajou comigo
ate o Cambodia. Ele estava de mudanca para a Suecia para viver com
Frida, uma sueca que ele conheceu no mesmo hostel que estavamos.
Enfim, encontrei um hostel e me alojei. La conheci um paulista muito
gente boa que estava rodando a Europa de bicicleta. Fernando,
corintiano roxo, parecia estar sofrendo da mesma carencia que eu: apos
a Copa, estavamos numa grande necessidade de falar de futebol em
portugues e nao conseguiamos encontrar ninguem com a visao brasileira
do futebol. So um monte de gente que achava que o time da Espanha era
bom para cacete e que Iniesta passava por jogador de futebol. Ta de
sacanagem, no meu Botafogo, Iniesta senta no banco pro Alessandro
jogar. Enfim, depois de algumas horas conversando de futebol,
encontrei meu amigo Tim e Frida. Foi muito legal me encontrar com
eles, pois eu e Tim sempre nos demos super bem. Eles me mostraram a
cidade e os pontos principais. Infelizmente, Tim tinha que ir de volta
para a Australia para renovar o visto no dia seguinte e teve que sair
fora cedo. Voltei para o hostel e bati mais uma bola com o Fernando e
depois fomos dormir para rodar pela cidade no dia seguinte.
Dado ao absurdo custo do metro em Stockholm, optamos por andar ate o
centro da cidade, o que foi uma boa ideia, pois nos esbarramos com o
turco que eu tinha conhecido no navio. E assim, Memeth se juntou a
nos. Fomos a catedral e rodamos pelo palacio, mas nao chegamos a
entrar. No final do dia ainda tentamos achar um lugar para tentar
tomar uma cerveja, mas ledo engano achar que a noite sueca e
minimamente proxima da noite brasileira. Todo mundo arrumadaco, bebida
cara para cacete e nenhum lugar cheio o suficiente. Tomamos uma
cerveja e reconhecemos a derrota.
No Facebook, comecei a falar com uma amiga que eu sabia que morava em
Stockholm e ela me convidou para dormir no dia seguinte na casa dela
para economizar uma grana no hostel e me garantiu que ela levaria eu e
Fernando para conhecer a noite de Stockholm. Eu conheci Kajsa em Koh
Pangang na Tailandia. Quem conhece e ja foi a Koh Pangang tem que
entender alguma coisa de noitada. E realmente foi uma boa ideia. Foi
uma noite legal e os lugares aos quais ela nos levou tinham precos
muito melhores do que os que nos vimos na noite anterior. Mas que deu
saudades da Asia, deu.
Novo dia, novo pais. Decidi metir o pe e seguir em direcao a Noruega.
A unica coisa que eu sabia da Noruega e que e o pais mais caro do
mundo. E nao e so um pouquinho mais caro que os outros. E muito mais
caro que qualquer outro canto. A viagem de trem foi belissima. Se um
dia eu tiver muita grana, gostaria de voltar e dar uma volta pelo
interior da Noruega.
Apesar de ser verao, eu sofri com um frio dos infernos quando cheguei
em Oslo. Nao foi dificil encontrar o hostel que e um dos poucos da
cidade. De cara conheci Reetta. Uma finlandesa que assim como meu
amigo brasileiro de Stockholm estava pedalando pela Europa. So que as
condicoes eram totalmente diferentes. Fernando estava totalmente
preparado e treinado, enquanto Reetta simplesmente acordou um dia,
meteu uma barraca debaixo do braco e pegou a bicicleta dela que custa
menos de cem euros e saiu pedalando. Resultado, agora ela estava de
saco cheio de pedalar e nao conseguia que nenhuma empresa de onibus ou
trem aceitasse levar ela e a bicicleta de volta. Ja que ela estava
empacada, resolveu dar um role por Oslo e fomos juntos. Caminhamos
pelas ruas de Oslo, passamos pelo palacio e fomos ate o parque de
esculturas no centro da cidade. Na volta, caminhamos beriando o mar e
retornamos ao hostel para Reetta decidir o que ela faria.
Aparentemente, a unica decisao que ela conseguiu tomar era que queria
beber uma cerveja antes de fazer qualquer coisa. No hostel, conhecemos
Audrey, uma canadense que estava tirando ferias na Escandinavia e que
se juntou a nos para tomar uma cerveja em algum bar de Oslo. Curtimos
a cerveja mais cara do mundo, no pais mais caro do mundo. E voltamos
para o hostel. Reetta tomou coragem e saiu pedalando depois da
cerveja. Impressionante, o efeito que alcool tem nessa turma do norte
da Europa...
No meu ultimo dia em Oslo, acordei e tive que tomar uma decisao
importante. A Noruega e o pais mais caro do mundo, mas o meu tenis
estava destruido e eu precisava de algum novo calcado. Qualquer que
fosse. Minhas sandalias de um dolar compradas na China tambem nao
aguentariam muito tempo. Entao resolvi que a solucao era bancar o
chines. Entrei numa loja peguei um tenis e perguntei pro vendedor
quanto era. Ele falou o preco e eu ataquei perguntando se aquele era o
melhor preco que ele poderia me dar. Depois de uma meia hora de
choradeira ao melhor estilo Beijing, sai da loja com quarenta por
cento de desconto e tres pares de meia de brinde. Claro que eu
adoraria ter comprado o ter comprado o tenis na China, mas nao se
encontra muitos sapatos que caibam no meu pe na Asia.
Feliz da vida pelo sucesso da minha estrategia segui ate o Centro do
Premio Nobel da Paz. Eu que nao sabia que o premio havia sido entregue
para o presidente e popstar, Barack Obama em 2009, fiquei totalmente
decepcionado. Soava como piada que o comandante do pais envolvido no
maior numero de conflitos simultaneos no mundo e que nao conseguiu
articular nenhuma decisao governamental desde que tomou posse tenha
sido agraciado com o premio. Parecia que o interesse do comite era
mesmo o de dar o premio por popularidade. Uma piada de mau gosto. E e
claro que eles tem milhares de argumentos para justificar a escolha.
Sem duvida os argumentos mais faceis de desconstruir do mundo. E so
perguntar se eles consideraram a guerra do Iraque e do Afeganistao e
eu acho que encerra a discussao. Mas a guia do museu, "socialista" que
ja foi para a Argentina (aargh!) e outros paises que sofrem com a
demagogia de esquerda que povoa os sonhos de europeus idiotas que
nunca sofreram as mazelas que esse tipo de utopia pode fazer ao seu
pais, jura que a escolha e super profissional e seria. Melhor deixar
para la. Voltei para o hostel e encontrei com a Audrey novamente e
fomos ate a Opera de Oslo. Ela e arquiteta e jura que o predio e uma
obra super importante. Eu que nao entendo nada, achei o predio feio
para cacete. Comemos uns sanduiches que haviamos comprado no
supermercado "admirando" o predio e, em seguida, tive que meter o pe
para pegar o onibus para Dinamarca. Esta na hora de visitar meus
amigos Jesper e Majbritt.