Sunday, May 16, 2010

Diario de Bordo XXV: Kimchi!






Mais de nove horas no aviao cruzando a Russia de ponta a ponta e chego
a Coreia do Sul. Sem saber o que esperar como sempre, desembarco do
aviao e em menos de tres minutos ja estou com a minha mala me
encaminhando para a parte mais inconveniente e burocratica de se
viajar por diversos paises que e sem duvida nenhuma o maldito
carimbinho no passaporte que em muitos lugares pode levar algumas
horas e em outros lugares custa ate dinheiro. E, sem exagero nenhum, o
oficial da alfandega me devolveu meu passaporte em menos de quinze
segundos com um simpatico "Seja bem-vindo a Coreia do Sul". Sendo
assim, em menos de quatro minutos apos desembarcar, eu estava sentado
no Dukin Donuts tomando cafe da manha. Mas nada pode ser assim tao
facil e apos o cafe me preparei para procurar o hostel onde ficaria
hospedado. Fui no balcao de informacoes e a atendente muito simpatica
me deu todas as dicas de como chegar. Peguei o onibus do aeroporto e
sem nenhuma dificuldade encontrei o hostel. Seoul e uma das maiores e
mais densas cidades do mundo. Os enderecos sao complicados e muitas
das estacoes do metro e das ruas tem nome muito parecido, mas basta
virar pro lado e pedir ajuda que a maioria esmagadora das pessoas faz
questao de colaborar.
Na Coreia do Sul, eu encontraria tres amigos que conheci viajando pela
Asia: Nicole, a romena que conheci em Beijing e estava passando duas
semanas na Coreia, Nils, o alemao que conheci no Laos e tambem estava
passando alguns dias na Coreia e Lee, um dos muitos ingleses que
conheci na Tailandia e mora em Seoul. Primeiro encontrei Nicole no
hostel em que eu ficaria, mas que infelizmente estava cheio. Achamos
outro hostel do outro lado da cidade e por la ficamos. Apos nos
alojarmos, a primeira coisa que fiz foi vestir chinelo e camiseta para
sair para dar uma volta pela cidade. Nao que estivesse quente, mas eu
nao via calor desde fevereiro. Entao os quase vinte graus foram
suficientes para me dar uma folga do frio. Parti para descobrir uma
das maravilhas da Coreia: a comida. Inicialmente, eu ouvi falar do
churrasco coreano e do kimchi (sem falar do soju, e claro!), mas nao
podia imaginar que ia gostar tanto da culinaria coreana.
Especialmente, o kimchi que incialmente tem um sabor um tanto peculiar
e diferente, mas que e delicioso. Depois do almoco, liguei para meu
amigo Lee e marquei de nos encontrarmos perto de onde estavamos
hospedados que era coincidentemente um dos hostels mais proximos de
onde ele morava. Como todo o bom britanico, Lee nos levou para um bar
para beber uma cerveja. E ao descobrir que tanto eu quanto Nicole
nunca haviamos provado o churrasco coreano nos levou direto para seu
restaurante predileto. O churrasco coreano e extremamente simples e
saudavel. O garcom tras a carne numa bandeja e a grelha que esta no
meio da mesa e operada pelos proprios clientes, de modo que ninguem
pode reclamar que a carne esta muito mal ou bem passada, pois cada um
toma conta de seu proprio pedaco. As guarnicoes sao super leves com
alguns vegetais muito bem temperados. Nada de arroz ou batata frita.
Para completar a refeicao, o Lee pediu ao garcon que nos trouxesse
algumas garrafas de soju. Soju e a bebida clasica da Coreia e e
extremamente facil de beber alem de ser extremamente barata. Do
restaurante fomos para outro bar onde bebemos mais soju e de alguma
forma acordei no hostel sem lembrar muito do que havia acontecido apos
chegarmos no bar. Segundo Lee, essa e uma das caracteristicas do soju.
Pelo fato de ser tao leve e facil de beber quando a pessoa se da conta
de que passou do ponto ja e tarde demais. Acordei tarde, mas decidido
a ver um pouco de Seoul. Como o Lee tinha que trabalhar, fomos eu e
Nicole caminhar por Seoul. No metro que pegamos para o centro da
cidade, um senhor super simpatico nos aconselhou a saltar uma estacao
antes do que estavamos planejando e caminhar ate o centro da cidade o
que foi uma otima ideia. Vimos predios gigantescos e super modernos e
ao chegar ao centro da cidade descobrimos que segunda feira e o dia em
que todas as atracoes turisticas estao fechadas. Sem muito o que
fazer, caminhamos pela cidade e voltamos para encontrar Lee que estava
saindo do trabalho. O Lee teve a otima ideia de chamar seus amigo do
trabalho e nos levar para saborear uma das iguarias da Coreia do Sul:
polvo... vivo! E isso mesmo. Muitos restaurantes tem alguns tanques de
aquario em que o cliente pode escolher o peixe que eles preparam na
hora. No caso do polvo, eles tiram do tanque e cortam em pedacos
pequenos e o bicho fica la se mexendo no prato por um tempao. Quem ja
experimentou coloca o maior terror falando que teve gente que morreu
porque o polvo grudou na garganta e coisa e tal, mas a verdade e que e
bem saboroso. Tem um gosto de sushi so que e mais divertido porque e
uma luta do inicio ao fim. Foi sem duvida nenhuma uma experiencia
unica.
No dia seguinte, fomos visitar o maior e mais famoso mercado de
eletronicos de Seoul. Predios e predios de lojas de cameras, lap tops,
computadores em geral. Depois fomos ao palacio que estava fechado no
dia anterior. O cuidado que eles tem com os jardins chama a atencao.
Como estamos entrando na primavera, estava tudo florindo ao mesmo
tempo. Outra coisa que me chamou muita atencao foi a simpatia dos
coreanos. Estavamos tentando tirar uma foto saltando de uma
plataforma, um senhor que trabalhava no parque e tinha uma camera
super legal se ofereceu para tentar tirar a foto com sua camera e nos
mandar por email. Eu que ja vi todo tipo de sacanagem com turista por
todo canto que passei fiquei com o pe atras, mas ele foi super legal e
fez exatamente o que falou que faria. Tirou as fotos e na mesma noite
nos mandou por email com uma mensagem super legal, falando que
esperava que gostassemos muito da Coreia e que voltassemos o quanto
antes.
A noite, Lee marcou com alguns de seus colegas de trabalho de irmos a
um bar onde um dos professores apresentaria um numero de comedia, mas
ao chegarmos la tinha uma banda tocando e eles haviam cancelado o
show. Uma das meninas que estavam conosco teve a ideia de irmos para
outro bar. E la fomos nos para descobrir que estavamos adentrando algo
que eu nao conseguia conceber a existencia ate aquele momento: um bar
gay asiatico. No minimo curiosa e uma forma de descrever essa
experiencia. Por estarmos num grupo grande, os coreanos nos
respeitaram e nao mexeram com a gente e acabou sendo uma noite muito
diferente do normal.
No dia seguinte, era dia das criancas na Coreia do Sul e o Lee estava
de folga. Ele aproveitou para nos mostrar o maior palacio de Seoul e o
centro da cidade. Os palacios sao interessantes e muito bonitos, mas,
sem duvida, se ha algo impressionante na Coreia e a forma como tudo
funciona. Fomos abordados algumas vezes por estudantes que nos fizeram
algumas perguntas sobre o que estavamos achando de Seoul e da Coreia
em geral. Apos o passeio, mais um churrasco coreano e como o Lee tinha
que acordar cedo para trabalhar, marquei de encontrar com meu amigo
alemao Nils que estava num hostel do outro lado da cidade. Philip,
amigo de infancia de Nils, se juntou a ele no ultimo mes e eles
estavam viajando juntos desde entao. Claro que a primeira coisa que o
Nils fez questao de mostrar para mim e para Nicole foi sua mais nova
tatuagem. Ele se amarrou tanto em Vang Vien e no tubbing que tatuou um
"tube" (uma boia) nas costas. Inicialmente eu achei que fosse um zero,
mas e um tube, segundo ele. Em seguida, ele tinha que nos levar a um
bar que ele encontrou proximo de onde ele estava hopsedado que vendia
os buckets em Seoul, mas em Seoul os buckets custam treze dolares,
diferente de Vang Vien em que nao passam de dois dolares e cinquenta
centavos. Dividimos um bucket e fomos comer um pouco mais de comida
coreana e beber mais soju. Nils mostrou com orgulho sua mais nova
aquisicao, uma Itough que e uma camera que resiste a choque, e a prova
d'agua, de frio, de calor, enfim, e a prova de tudo. So que as fotos
que ela tira sao uma porcaria... Nao da pra ser perfeito.
Novo dia, hora de seguir rumo a Busan. Eu e Nicole fomos por volta da
hora de almoco e Nils e Philip foram mais tarde. Apesar da pouca opcao
de hostels na Coreia do Sul, a grande maioria deles estava cheio e eu
e Nicole achamos um que tinha duas camas, mas somente por uma noite e
tivemos que ir para outro lugar no dia seguinte. Nils e Philip, mais
uma vez ficaram do outro lado da cidade. A unica coisa que conseguimos
fazer depois de achar o hostel foi partir para mais um churrasco
coreano, sempre acompanhado de kimchi e voltar para o hostel para
dormir.
Busan e uma cidade de praia e eu estava esperando ver um pouco de sol,
calor e mar so para variar depois dos meses de inverno pela China,
Mongolia e Siberia. Sem duvida, o sol e o mar estavam la, mas a praia
foi uma grande decepcao. Para comecar, a praia proxima de onde
estavamos tinha uma ponte gigantesca ao fundo que destruia a paisagem.
Caminhamos ate Haeundae, a praia principal da cidade e tambem nao vi
nada demais. A agua estava muito gelada e ninguem estava no mar. A
maioria dos asiaticos que eu conheci tomam cuidado excessivo com a
pele. Eles querem ter a pele mais clara possivel. Os coreanos nao sao
nada diferentes, pelo contrario, e um dos paises em que as pessoas
mais cuidam da aparencia e em qualquer esquina e possivel encontrar
uma loja vendendo cremes anti envelhecimento e protetor solar. Por
isso, sem camisa na praia, so estrangeiro. Os coreanos estao sempre
cobertos, muitas vezes usando mascara para se proteger do sol debaixo
do guarda sol. A noite, mais uma vez encontramos Nils e Philip e fomos
dar uma volta e comer mais churrasco coreano. Apesar de ser
sexta-feira, nada estava acontecendo na cidade e fechamos a noite
cedo.
No sabado, eu e Nicole rodamos de bobeira pela praia esperando para
encontrar Nils e Philip e ter um sabado a noite digno. Nos encontramos
e fomos comer mais um churrasco coreano (de novo, eu sei!) e depois
fomos para um bar e em seguida para uma boate chamada Ghetto que
estava abarrotada de gente. Apos uma noite sensacional, eu e Nicole
nos despedimos de Nils e Philip que seguiriam viagem para Singapura.
No domingo, compramos nossos bilhetes para seguir para Seoul de novo.
De la a Nicole voltaria para Beijing e eu tentaria seguir para India.
Na segunda feira de manha, pegamos o KTX que e o trem coreano que vai
a mais de 300km/h ate Seoul. Da estacao direto para o aeroporto onde a
Nicole embarcou para Beijing e eu tentei, mas nao consegui pegar um
voo para New Delhi. Passei a noite no apartamento do Lee e no dia
seguinte, bem cedo segui para o aeroporto e peguei o primeiro voo para
New Delhi que consegui. O itinerario era Seoul - Hong Kong, Hong Kong
- Bangkok, Bangkok - New Delhi. O tempo total da viagem era de
dezessete horas. De tanto que eu ouvi falar da India, acabei comprando
um "Lonely Planet" que e o guia de viagem que a maior parte dos
viajantes de baixo orcamento usa para viajar, bem que eu tentei
evitar, mas ao que tudo indica na India eu vou precisar de toda a
informacao possivel e mais um pouco.

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