Friday, July 23, 2010

Diario de Bordo XVIII: Finalmente no teto do mundo






Quer um comeco ruim para uma viagem?Basta marcar para sair as seis horas da manha. A fronteira do Nepal com a China fica relativamente proxima a Kathmandu, entao fica dificil entender porque estavamos comecando nossa viagem tao cedo. Mas menos de uma hora depois do inicio percebemos o porque. A estrada do Nepal em direcao ao Tibet e pessima e e conhecida como friendship highway. Vai ser amigo assim la na Asia. Passamos por pelo menos tres deslizamentos de encosta que nos atrasaram mais de duas horas para chegar na fronteira. Na fronteira, os soldados chineses revistam tudo, ligam computador e procuram por documentos relativos a situacao politica no Tibet e qualquer motivo para negar a entrada dos gringos no pais. Sempre tem aquela historia do malandro que eles nao deixaram entrar e, coincidentemente, todo mundo conhece a historia, mas ninguem conhece o malandro. Depois de toda a burocracia, cruzamos a fronteira e fomos almocar no lado tibetano da fronteira. Apos o almoco, seguimos dirigindo por algum tempo por uma paisagem que a chuva havia transformado em um festival de montanhas verdes e pequenas cachoeiras por todos os lados. Nao e preciso dizer que nenhuma foto faz jus ao que estavamos vendo. No grupo em que eu estava viajando haviam dez pessoas. Tres poloneses vegans, tres americanos nerds para cacete, um grego porra louca, uma militar australiana e um moleque nascido no Peru que cresceu no Havai, alem de mim. De cara, eu, o grego, a australiana e o peruano nos demos muito bem e dali para frente fizemos nosso pequeno grupo.
A primeira parada foi em uma pequena cidade chamada Nyalam, no caminho dos indianos que seguem para o monte Kailash. A cidade fica abarrotada de indianos que seguem para visitar o Kailash que aparentemente e uma das montanhas sagradas para os hindus. Aparentemente, tudo e sagrado para os hindus, o que enche um pouco o saco, especialmente quando temos a oportunidade de presenciar a forma como eles tratam os individuos de castas inferiores, mas eu ja deixei de tentar entender.
A cidade era muito pequena e na primeira guesthouse, como era de se esperar, nao tinha chuveiro. Tava um frio do cacete, apesar de estarmos no verao por conta da altitude. Quando abre o sol e quente para cacete, mas quando nubla e um frio de rachar. Ja nesse dia, testemunhamos uma mudanca drastica na paisagem. Do lado nepales, o clima e tropical e umido, mas depois de passar o primeiro high pass pelos Himalaias, toda a umidade fica para tras. A motivo das chuvas da epoca das monsoes ficava mais do que clara quando viamos que as nuvens do lado nepales ficavam presas nos Himalaias e a chuva e humidade so caiam do lado de la porque do lado tibetano a sensacao era de estar de volta a Mongolia. Uma secura e nada crescendo, so montanhas e pedras.
No segundo dia, dirigimos de Nyalam ate Lha Tse. No caminho, vimos muitos campos agricolas verdes e amarelos que transformavam a paisagem cinze num espetaculo de cores. O ceu e outro espetaculo. Talvez seja a altitude, mas eu nunca vi azul tao intenso.
Passamos por alguns high passes de quase cinco mil metros de altitude e a falta de oxigenio alem de deixar algumas pessoas com dor de cabeca, fez com que alguns ipods parassem de funcionar temporariamente. Paramos em alguns lugares no caminho e a sensacao nesses momentos era sempre a mesma. Nos lugares de parada comum de turistas, as criancas e os adultos adotavam a mesma tatica de abordagem dos indianos que se davam ao trabalho de aprender duas palavras em ingles: "Hello-money, hello-money!" Isso me tirava do serio porque se tinha uma coisa que eu gostava da China e que eu nunca tinha ouvido isso antes em nenhuma das cidades chinesas pelas quais passei. Mas nos locais onde turistas normalmente nao paravam era sempre uma grande bagunca quando paravamos e conheciamos pessoas super agradaveis e a criancada se amarrava. Foi nesse dia em que passamos por um dos pontos em que e possivel avistar o Monte Everest. Infelizmente, ele estava bem coberto e por mais que conseguissemos ter uma nocao da dimensao da montanha pela sombra por tras das nuvens, nenhuma das fotos ficou boa. Pelo menos deu para ter uma nocao do que seria uma montanha de 8848m de altitude. Chegando a Lha Tse, ficamos surpresos com a guesthouse que era ainda pior que a anterior e alem de nao ter chuveiro, nao tinha vaso sanitario, somente um buraco no chao.
Novo dia, hora de seguir de Lha Tse para Shiga Tse. Hora de comecar a visitar monasterios. A cidade era bem arrumadinha e o monasterio muito bonito. A grande decepcao ficou por conta da condicao de que alem de termos que pagar para entrar ainda tinhamos que pagar se quisessemos tirar fotografia do interior do monasterio. E era um valor para cada sala do interior do monasterio. Os monges ficavam fiscalizando para ver quando algum malandro tentasse dar um calote. Depois de visitar templos, igrejas e mesquitas sensacionais em que nao me cobraram um centavo para entrar tenho que confessar que a decepcao foi grande. Isso aconteceu em todos os templos em que visitamos no Tibet. Transformaram o budismo tibetano em um negocio da China.
Seguindo Tibet adentro, fomos de Shiga Tse para Gyan Tse no proximo dia. Nesse dia, nosso querido motorista tomou uma multa por excesso de velocidade e tivemos que esperar um tempao pro guarda chines liberar nosso onibus. No caminho, uma das atracoes do dia foi a visita a um moinho. Ninguem demonstrou o minimo interesse e essa visita durou bem pouco. E la seguimos para Gyan Tse para ver mais um monasterio. Vimos o monasterio e apos como tinhamos ainda algumas horas de bobeira na cidade, ao inves de ir as compras como os outros integrantes do nosso grupo, resolvemos subir uma das pequenas montanhas no meio da cidade e curtir a vista. Apesar de ser uma pequena montanha, a altitude nos matou no caminho. Tivemos uma vista muito bonita do antigo forte da cidade e do monasterio que haviamos visitado. O tempo estava otimo e foi um dos pontos altos da viagem. Se tem uma coisa pelo qual o nosso cronograma pecava e muito e que era muito voltado para o aspecto cultural da regiao, mas a paisagem era incrivel e totalmente diferente de qualquer lugar do mundo. Como estavamos sempre indo de monasterio em monasterio, tinhamos pouquissimo tempo para apreciar a paisagem. A noite que passamos em Gyan Tse tambem foi a fatidica noite da derrota de nossa patetica selecao para o ainda mais patetico time da Holanda. Dei gracas a Deus, Buddha e Maome por estar longe do Brasil e nao ter que aturar os jornais brasileiros falando a respeito da cagada que a selecao fez na Africa.
A manha seguinte foi dificil, apos a noite acordado ate tarde vendo o jogo, mas tinhamos um longo dia dirigindo ate Lhasa, a capital da "regiao autonoma do Tibet". No caminho, passamos pelo high pass mais alto de nosso percurso. Mais de 5200m de altitude e tinhamos a vista de um glacier a alguns metros de distancia. Eu queria chegar ate o glacier, mas claro que nao tinhamos tempo mais uma vez. Nesse dia, eu fiquei bem aborrecido com a correria para ver mais monasterios e a falta de flexibilidade de nosso cronograma para ver coisas realmente unicas e voltei pro onibus dando esporro no guia, no motorista e em quem tava reclamando, nao que fosse mudar alguma coisa, mas nao da para ficar aborrecido sozinho, entao eu passei a bola. Nesse dia, vimos tambem diversos lagos de agua azul cristalina sensacionais, resultado do derretimento dos glaciers presentes a toda volta. Os lagos foram um espetaculo a parte e evidenciaram o quanto estavamos perdendo oportunidadesde apreciar belezas naturais correndo de monasterio em monasterio vendo um monte de coisa parecida e sendo fiscalizado por monges que estavam mais interessados em nos cobrar pelas fotografias que tiravamos do que em exercitar o lado espiritual.
Depois de mais de quase um dia inteiro no onibus, chegamos a Lhasa, capital do Tibet. Em Lhasa, ficamos num hotel sensacional. Muito proximo do Jokheng Temple e da area historica da cidade. Comemoramos nosa chegada indo comer uma pizza de yak sensacional em um dos restaurantes da cidade.
Finalmente em Lhasa, a primeira coisa que visitamos foi o Potala Palace. O Potala Palace teve sua contrucao iniciada no seculo VII e era a residencia oficial do Dalai Lama ate ele abandonar a regiao e se exilar em Dharamsala na India. O palacio e muito bonito e tem uma vista belissima da cidade. A quantidade de peregrinos que vao ate Lhasa, despejar manteiga de yak proximos as imagens e surpreendente. Grande parte da cultura da regiao gira em torno do yak, o animal simbolo da regiao e um parente proximo dos nossos bovinos, mas se adapta muito bem ao frio e a altitude. O cha tibetano e feito de manteiga de yak com sal. Uma verdadeira porcaria, mas que faz parte da cultura local. A tarde, visitamos o Jokheng Temple, um dos mais antigos do Tibet. Fizemos a kora que e uma das expressoes religiosas dos fieis tibetanos. E bem simples, consiste em simplesmente dar uma volta no sentido horario em volta do templo. Muitos giram as rodas de oracoes e algumas pessoas tem suas proprias pequenas rodas de oracao e vao girando enquanto dao a volta no templo. Tambem tiramos um tempo para comprar alguns souvenirs dos vendedores tibetanos e eles acabaram sendo os vendedores mais agressivos que eu vi ate agora de todos os lugares pelos quais passei. Eles agarram no braco do cliente e ficam falando "Look, Look! How much you pay on this? Come on give me your best price" Dificil de se livrar para caramba.
No ultimo dia, fomos a mais um monasterio e a tarde voltamos a rodar por Lhasa e a comprar souvenirs. Visitar o Tibet era sem duvida nenhuma um dos meus sonhos e a visita mexeu bastante com minha opiniao sobre a libertacao e autonomia da regiao. Para comeco de conversa, o Tibet e um buraco negro para o governo chines que esta investindo uma fortuna para desenvolver a infra-estrutura local sem a possibilidade de ter retorno. Por outro lado, o Tibet parece uma area de interesse pela concentracao de glaciers e por ser a area de origem de muitos rios fundamentais para a Asia. Nao so isso, a area que o Tibet ocupa e gigantesca, mas abriga somente 2,7 milhoes de habitantes. Nao parece uma regiao que teria forca para reclamar sua propria independencia, especialmente contra o governo chines. Entao, ao que tudo indica, apesar de toda a atencao da midia internacional, o destino do Tibet e de ser parte da China.
A minha saida do Tibet seria por trem. Eu peguei o sky train ate Beijing. 48 horas de viagem super confortaveis na ferrovia em maior altitude do mundo. A mudanca de paisagem do primeiro dia para o segundo dia de viagem tambem e bem interessante. Do seco e arido TIbet para o verde do verao chines.
Chegando de volta a Beijing, passei um pouco por um choque que eu achei que nao fosse acontecer. Apos viajar por algum tempo em lugares menos densos populacionalmente, o impacto de chegar em um lugar que tem gente em tudo que e canto e em grande quantidade foi meio estranho. Mas depois de algumas horas ja havia me alojado na casa de minha amiga romena Nicole e acostumado a cidade.
Passei uma semana em Beijing e foi um grande choque estar na cidade durante a onda de calor, pois em marco eu estava na cidade durante a onda de frio atrasou a primavera por mais de um mes. Em todo o periodo em que estive la, o tempo esteve pessimo. Alguns dias chuvosos e nublado direto.
No tempo em que passei em Beijing tive alguns problemas com o cartao de credito, o que atrasou um pouco meu retorno para o velho continente. Saimos para curtir a noite chinesa e ainda encontrei com Laetita, uma suica que conheci no Cambodia e estava estudando chines em Beijing. Saimos todos juntos algumas vezes e depois de resolver todos os problemas com meu cartao e conseguir comprar minha passagem, estou seguindo num longo voo de Beijing com escala em Moscou para Helsinki.

Wednesday, July 21, 2010

Diario de Bordo XXVII: Nepal, a caminho do ceu.






Nada como cruzar a fronteira entre India e Nepal. Para comecar a
bagunca e tamanha que eu passei a fronteira sem visto nem nada so para
ver se alguem ia falar alguma coisa e nada. Entao eu voltei, peguei o
carimbo dos detestaveis guardas da fronteira indiana e tive a
satisfacao de bater um papo com os dois senhores que estavam tomando
conta da fronteira no lado nepales. Eles foram super agradaveis e
simpaticos e batemos um papo sobre Copa do Mundo e futebol. No Nepal,
futebol e muito mais famoso que o cricket, o que ja e um bom comeco.
Depois de um bom papo, decidi que iria a Lumbini que fica a trinta
minutos da fronteira ao inves de encarar mais sete a oito horas de
onibus ate Kathmandu ou Pokhara. Em Lumbini, me hospedei no monasterio
coreano que alem de um lugar para dormir fornece cafe, almoco e janta.
Sensacional para o preco se o cafe, almoco e janta nao fossem o mesmo
menu: dalbat. Dalbat e o prato tradicional do Nepal e e nada menos do
que arroz com lentilha. Apos duas refeicoes eu nao conseguia mais
olhar para dalbat, mas de nada adiantava porque Lumbini e uma cidade
muito pequena e a unica alternativa que eu achei foi chowmein que nao
e nada demais, mas pelo menos serve para variar um pouco o cardapio.
Eu esperava que Lumbini fosse um pouco como Bodhgaya, mas nao chegou
nem perto. O parque esta em construcao e o que ha de construido esta
em pessimo estado de conservacao. Se eu nao estivesse tao cansado,
teria ido para Kathmandu no dia seguinte, mas estava sem condicoes.
Acordei no dia seguinte e perdi o cafe da manha, o que nao era nada de
ruim, pois depois de almoco e janta nao dava mais para ver dalbat. Sai
para caminhar pelo parque e para ver o local de nascimento do budha
que ficava bem proximo do templo onde eu estava. No caminho, decidi
sentar para tomar um cha e conheci Andrea, uma americana da California
que foi a unica pessoa nao oriental que conheci em Lumbini. Ela estava
la para fazer o curso de meditacao vipassana. Sao dez dias sem falar,
o que no meu entender inviabiliza o curso para todas as mulheres do
mundo. Dez dias sem falar? Sai fora...
Enfim, rodamos pela cidade de Lumbini e vimos o local de nascimento do
budha, o pilar comemorativo construido pelo imperador Ashoka proximo
do local, enfim, mas nada que impressionasse. Ainda caminhamos pela
cidade, nos entupimos de manga e no fim mais uma refeicao de dalbat
para dormir cedo e seguir para Kathmandu no dia seguinte.
No templo coreano, havia uma holandesa chamada Helga que tambem estava
seguindo para Kathmandu no dia seguinte. Helga, assim como dezenas de
holandeses estao fazendo trabalho voluntario no Nepal. No caminho, ela
me deu varias dicas e ainda me recomendou um lugar para ficar bom,
bonito e barato. Ainda me recomendou uma agencia de turismo para
organizar qualquer tipo de passeio no Nepal. Aproveitei que a Copa do
Mundo estava rolando para assistir um pouco dos jogos e fui no dia
seguinte conhecer o tal cara que a Helga me recomendou. Para minha
surpresa, Nil Hari, o dono da empresa de turismo foi super gente boa e
me ajudou a matar dois coelhos com uma porrada so. Claro que estando
no Nepal eu teria que dar um passeio pelos Himalaias, mas apos tentar
duas vezes, parecia que seria possivel ir pro Tibet via Nepal. So que
ficaria muito caro. Entao Nil Hari me propos fazer um passeio basico
pela regiao do Anapurna, ver algumas das montanhas por conta propria o
que faria o passeio muito mais barato e seguir para o Tibet com a
ajuda dele.
Entao fiquei mais dois dias em Kathmandu e aproveitei no primeiro dia
para ver o Monkey Temple, o templo dos macacos, e o jogo do Brasil
contra a Coreia do Norte que foi uma piada. No segundo dia, fui
resolver os detalhes das permissoes que sao necessarias para entrar na
area de protecao dos Himalaias e, em seguida, peguei o onibus para
visitar uma area chamada Boudha que e famosa pela presenca massiva de
tibetanos e do budismo tibetano em Kathmandu. No onibus, conheci um
rapaz chamado Bishnu e pude ver a diferenca gritante entre Nepal e
India. Na India, todo mundo tentava tirar dinheiro de tudo que e
turista enquanto Bishnu estava satisfeito em fazer um novo amigo.
Nepal 10, India 0.
Novo dia, dia de seguir para Pokhara e ver os Himalaias.
Inacreditaveis sete horas e meia para percorrer algo em torno de 250
km. Por causa das montanhas, as estradas sao pessimas e super
perigosas. Cheguei, me alojei e me preparei para o dia seguinte seguir
para as montanhas. Por estar fora de temporada e por nao ter conhecido
ninguem em Kathmandu que tivesse planos similares aos meus, me
preparei para seguir sozinho. O plano era seguir uma rota simples que
deveria levar entre cinco e seis noites e fazer em no maximo quatro,
pois afinal estavamos no meio da Copa do Mundo. Acordei cedo e fui
pegar o onibus que deveria me levar ate Nayapul que e o local de
inicio da trilha. Claro que o onibus estava abarrotado e eu nao
conseguia entrar e acabei tendo uma experiencia que poucos
estrangeiros tem o "privilegio" de vivenciar. Eu, mais dez nepaleses e
duas cabras fomos no topo do onibus. Era um daqueles onibus que de vez
em quando vemos fotos na internet abarrotado de gente e bicho com
gente pendurada para tudo que e lado. No inicio, o cobrador nao me
deixou ir no teto, mas ai conheci mais um nepales chamado Karma gente
boa que e do exercito nepales e falou que nao tinha problema nenhum e
tudo se resolveu. Chegando em Nayapul comecou minha jornada. Eu estava
me planejando para ir sozinho, mas o comeco ja estava meio chato, foi
ai que depois de algumas horas de caminhada alcancei duas lituanas
perdidas no meio do caminho que estavam planejando seguir o mesmo
itinerario que eu so que em mais alguns dias. Depois de conversarmos
um pouco, decidimos unir forcas para seguir em frente, eu porque nao
queria seguir sozinho e elas porque nao tinham um plano exato e
estavam um pouco perdidas. Ruta e Audra, estavam viajando juntas ha
mais ou menos cinco meses e chegaram no Nepal via Tibet, caminho
oposto do que eu pretendia fazer. Mais incrivel do que todos os
lugares pelo que passamos juntos, foi ver as condicoes em que o povo
das montanhas vive no Nepal. Em quatro dias que passamos nas
montanhas, nada de estradas e somente um posto medico.
No segundo dia, chegamos a Ghorepani, o vilarejo de acesso a Poon
Hill, ponto mais alto pelo qual passariamos com 3200 m de altitude e
local perfeito para observar a regiao do Anapurna e algumas das
montanhas mais altas do mundo. Essa epoca do ano e offseason porque e
epoca de monsao e chove grande parte do tempo. Logo ficamos sabendo
que Poon Hill estava nublado fazia duas semanas a maior parte do
tempo. Durante a noite, caiu uma tempestade daquelas e pensavamos que
nao veriamos nada quando chegassemos em Poon Hill que ficava a
quarenta e cinco minutos de caminhada de Ghorepani. Acordamos de manha
e estava chovendo, tomamos cafe e comecamos a subida. A chegada no
topo foi sublime. O ceu estava claro o suficiente para que pudessemos
ver todos os picos e a danca das nuvens que estavam proximas faziam da
vista ainda mais espetacular. Passamos umas duas horas em Poon Hill,
tempo suficiente para que pudessemos ver tudo o que queriamos e para o
tempo ficar completamente nublado novamente como havia ficado nas
ultimas semanas. Foi muita sorte. Apos vermos Poon Hill, voltamos a
Ghorepani, pegamos nossas mochilas tomamos cafe da manha e nos
preparamos para voltar. Ainda passamos uma noite em Tadapani e ate
atingirmos Nayapul novamente e voltarmos para Pokhara.
Na volta a civilizacao, comemorei a chegada em Pokhara comendo um
churrasco coreano sensacional. Passamos mais um dia em Pokhara. De la,
minhas amigas lituanas foram para um safari pelo Chitwan National Park
e eu me encaminhei para Kathmandu para assistir um pouco da Copa e
organizar os detalhes da minha viagem para o Tibet.
Mais uma longa viagem que demorou ainda mais porque ao chegar em
Kathmandu pegamos duas horas de transito dentro da cidade. Voltei para
a mesma guesthouse e assiti um pouco da Copa ate minhas amigas
lituanas chegarem na cidade. No dia em que elas chegaram conheci mais
uma holandesa chamada Eline que tambem estava viajando pela Asia.
Andamos bastante por Kathmandu e visitamos a famosa Durbar Square e,
claro, assistir a todos os jogos possiveis da Copa do Mundo. E apos
tres meses e duas tentativas frustradas, eu finalmente me preparava
para ir a um dos destinos mais complicados e sagrados do mundo: Tibet,
o teto do mundo.