Sunday, May 16, 2010

Diario de Bordo XXV: Kimchi!






Mais de nove horas no aviao cruzando a Russia de ponta a ponta e chego
a Coreia do Sul. Sem saber o que esperar como sempre, desembarco do
aviao e em menos de tres minutos ja estou com a minha mala me
encaminhando para a parte mais inconveniente e burocratica de se
viajar por diversos paises que e sem duvida nenhuma o maldito
carimbinho no passaporte que em muitos lugares pode levar algumas
horas e em outros lugares custa ate dinheiro. E, sem exagero nenhum, o
oficial da alfandega me devolveu meu passaporte em menos de quinze
segundos com um simpatico "Seja bem-vindo a Coreia do Sul". Sendo
assim, em menos de quatro minutos apos desembarcar, eu estava sentado
no Dukin Donuts tomando cafe da manha. Mas nada pode ser assim tao
facil e apos o cafe me preparei para procurar o hostel onde ficaria
hospedado. Fui no balcao de informacoes e a atendente muito simpatica
me deu todas as dicas de como chegar. Peguei o onibus do aeroporto e
sem nenhuma dificuldade encontrei o hostel. Seoul e uma das maiores e
mais densas cidades do mundo. Os enderecos sao complicados e muitas
das estacoes do metro e das ruas tem nome muito parecido, mas basta
virar pro lado e pedir ajuda que a maioria esmagadora das pessoas faz
questao de colaborar.
Na Coreia do Sul, eu encontraria tres amigos que conheci viajando pela
Asia: Nicole, a romena que conheci em Beijing e estava passando duas
semanas na Coreia, Nils, o alemao que conheci no Laos e tambem estava
passando alguns dias na Coreia e Lee, um dos muitos ingleses que
conheci na Tailandia e mora em Seoul. Primeiro encontrei Nicole no
hostel em que eu ficaria, mas que infelizmente estava cheio. Achamos
outro hostel do outro lado da cidade e por la ficamos. Apos nos
alojarmos, a primeira coisa que fiz foi vestir chinelo e camiseta para
sair para dar uma volta pela cidade. Nao que estivesse quente, mas eu
nao via calor desde fevereiro. Entao os quase vinte graus foram
suficientes para me dar uma folga do frio. Parti para descobrir uma
das maravilhas da Coreia: a comida. Inicialmente, eu ouvi falar do
churrasco coreano e do kimchi (sem falar do soju, e claro!), mas nao
podia imaginar que ia gostar tanto da culinaria coreana.
Especialmente, o kimchi que incialmente tem um sabor um tanto peculiar
e diferente, mas que e delicioso. Depois do almoco, liguei para meu
amigo Lee e marquei de nos encontrarmos perto de onde estavamos
hospedados que era coincidentemente um dos hostels mais proximos de
onde ele morava. Como todo o bom britanico, Lee nos levou para um bar
para beber uma cerveja. E ao descobrir que tanto eu quanto Nicole
nunca haviamos provado o churrasco coreano nos levou direto para seu
restaurante predileto. O churrasco coreano e extremamente simples e
saudavel. O garcom tras a carne numa bandeja e a grelha que esta no
meio da mesa e operada pelos proprios clientes, de modo que ninguem
pode reclamar que a carne esta muito mal ou bem passada, pois cada um
toma conta de seu proprio pedaco. As guarnicoes sao super leves com
alguns vegetais muito bem temperados. Nada de arroz ou batata frita.
Para completar a refeicao, o Lee pediu ao garcon que nos trouxesse
algumas garrafas de soju. Soju e a bebida clasica da Coreia e e
extremamente facil de beber alem de ser extremamente barata. Do
restaurante fomos para outro bar onde bebemos mais soju e de alguma
forma acordei no hostel sem lembrar muito do que havia acontecido apos
chegarmos no bar. Segundo Lee, essa e uma das caracteristicas do soju.
Pelo fato de ser tao leve e facil de beber quando a pessoa se da conta
de que passou do ponto ja e tarde demais. Acordei tarde, mas decidido
a ver um pouco de Seoul. Como o Lee tinha que trabalhar, fomos eu e
Nicole caminhar por Seoul. No metro que pegamos para o centro da
cidade, um senhor super simpatico nos aconselhou a saltar uma estacao
antes do que estavamos planejando e caminhar ate o centro da cidade o
que foi uma otima ideia. Vimos predios gigantescos e super modernos e
ao chegar ao centro da cidade descobrimos que segunda feira e o dia em
que todas as atracoes turisticas estao fechadas. Sem muito o que
fazer, caminhamos pela cidade e voltamos para encontrar Lee que estava
saindo do trabalho. O Lee teve a otima ideia de chamar seus amigo do
trabalho e nos levar para saborear uma das iguarias da Coreia do Sul:
polvo... vivo! E isso mesmo. Muitos restaurantes tem alguns tanques de
aquario em que o cliente pode escolher o peixe que eles preparam na
hora. No caso do polvo, eles tiram do tanque e cortam em pedacos
pequenos e o bicho fica la se mexendo no prato por um tempao. Quem ja
experimentou coloca o maior terror falando que teve gente que morreu
porque o polvo grudou na garganta e coisa e tal, mas a verdade e que e
bem saboroso. Tem um gosto de sushi so que e mais divertido porque e
uma luta do inicio ao fim. Foi sem duvida nenhuma uma experiencia
unica.
No dia seguinte, fomos visitar o maior e mais famoso mercado de
eletronicos de Seoul. Predios e predios de lojas de cameras, lap tops,
computadores em geral. Depois fomos ao palacio que estava fechado no
dia anterior. O cuidado que eles tem com os jardins chama a atencao.
Como estamos entrando na primavera, estava tudo florindo ao mesmo
tempo. Outra coisa que me chamou muita atencao foi a simpatia dos
coreanos. Estavamos tentando tirar uma foto saltando de uma
plataforma, um senhor que trabalhava no parque e tinha uma camera
super legal se ofereceu para tentar tirar a foto com sua camera e nos
mandar por email. Eu que ja vi todo tipo de sacanagem com turista por
todo canto que passei fiquei com o pe atras, mas ele foi super legal e
fez exatamente o que falou que faria. Tirou as fotos e na mesma noite
nos mandou por email com uma mensagem super legal, falando que
esperava que gostassemos muito da Coreia e que voltassemos o quanto
antes.
A noite, Lee marcou com alguns de seus colegas de trabalho de irmos a
um bar onde um dos professores apresentaria um numero de comedia, mas
ao chegarmos la tinha uma banda tocando e eles haviam cancelado o
show. Uma das meninas que estavam conosco teve a ideia de irmos para
outro bar. E la fomos nos para descobrir que estavamos adentrando algo
que eu nao conseguia conceber a existencia ate aquele momento: um bar
gay asiatico. No minimo curiosa e uma forma de descrever essa
experiencia. Por estarmos num grupo grande, os coreanos nos
respeitaram e nao mexeram com a gente e acabou sendo uma noite muito
diferente do normal.
No dia seguinte, era dia das criancas na Coreia do Sul e o Lee estava
de folga. Ele aproveitou para nos mostrar o maior palacio de Seoul e o
centro da cidade. Os palacios sao interessantes e muito bonitos, mas,
sem duvida, se ha algo impressionante na Coreia e a forma como tudo
funciona. Fomos abordados algumas vezes por estudantes que nos fizeram
algumas perguntas sobre o que estavamos achando de Seoul e da Coreia
em geral. Apos o passeio, mais um churrasco coreano e como o Lee tinha
que acordar cedo para trabalhar, marquei de encontrar com meu amigo
alemao Nils que estava num hostel do outro lado da cidade. Philip,
amigo de infancia de Nils, se juntou a ele no ultimo mes e eles
estavam viajando juntos desde entao. Claro que a primeira coisa que o
Nils fez questao de mostrar para mim e para Nicole foi sua mais nova
tatuagem. Ele se amarrou tanto em Vang Vien e no tubbing que tatuou um
"tube" (uma boia) nas costas. Inicialmente eu achei que fosse um zero,
mas e um tube, segundo ele. Em seguida, ele tinha que nos levar a um
bar que ele encontrou proximo de onde ele estava hopsedado que vendia
os buckets em Seoul, mas em Seoul os buckets custam treze dolares,
diferente de Vang Vien em que nao passam de dois dolares e cinquenta
centavos. Dividimos um bucket e fomos comer um pouco mais de comida
coreana e beber mais soju. Nils mostrou com orgulho sua mais nova
aquisicao, uma Itough que e uma camera que resiste a choque, e a prova
d'agua, de frio, de calor, enfim, e a prova de tudo. So que as fotos
que ela tira sao uma porcaria... Nao da pra ser perfeito.
Novo dia, hora de seguir rumo a Busan. Eu e Nicole fomos por volta da
hora de almoco e Nils e Philip foram mais tarde. Apesar da pouca opcao
de hostels na Coreia do Sul, a grande maioria deles estava cheio e eu
e Nicole achamos um que tinha duas camas, mas somente por uma noite e
tivemos que ir para outro lugar no dia seguinte. Nils e Philip, mais
uma vez ficaram do outro lado da cidade. A unica coisa que conseguimos
fazer depois de achar o hostel foi partir para mais um churrasco
coreano, sempre acompanhado de kimchi e voltar para o hostel para
dormir.
Busan e uma cidade de praia e eu estava esperando ver um pouco de sol,
calor e mar so para variar depois dos meses de inverno pela China,
Mongolia e Siberia. Sem duvida, o sol e o mar estavam la, mas a praia
foi uma grande decepcao. Para comecar, a praia proxima de onde
estavamos tinha uma ponte gigantesca ao fundo que destruia a paisagem.
Caminhamos ate Haeundae, a praia principal da cidade e tambem nao vi
nada demais. A agua estava muito gelada e ninguem estava no mar. A
maioria dos asiaticos que eu conheci tomam cuidado excessivo com a
pele. Eles querem ter a pele mais clara possivel. Os coreanos nao sao
nada diferentes, pelo contrario, e um dos paises em que as pessoas
mais cuidam da aparencia e em qualquer esquina e possivel encontrar
uma loja vendendo cremes anti envelhecimento e protetor solar. Por
isso, sem camisa na praia, so estrangeiro. Os coreanos estao sempre
cobertos, muitas vezes usando mascara para se proteger do sol debaixo
do guarda sol. A noite, mais uma vez encontramos Nils e Philip e fomos
dar uma volta e comer mais churrasco coreano. Apesar de ser
sexta-feira, nada estava acontecendo na cidade e fechamos a noite
cedo.
No sabado, eu e Nicole rodamos de bobeira pela praia esperando para
encontrar Nils e Philip e ter um sabado a noite digno. Nos encontramos
e fomos comer mais um churrasco coreano (de novo, eu sei!) e depois
fomos para um bar e em seguida para uma boate chamada Ghetto que
estava abarrotada de gente. Apos uma noite sensacional, eu e Nicole
nos despedimos de Nils e Philip que seguiriam viagem para Singapura.
No domingo, compramos nossos bilhetes para seguir para Seoul de novo.
De la a Nicole voltaria para Beijing e eu tentaria seguir para India.
Na segunda feira de manha, pegamos o KTX que e o trem coreano que vai
a mais de 300km/h ate Seoul. Da estacao direto para o aeroporto onde a
Nicole embarcou para Beijing e eu tentei, mas nao consegui pegar um
voo para New Delhi. Passei a noite no apartamento do Lee e no dia
seguinte, bem cedo segui para o aeroporto e peguei o primeiro voo para
New Delhi que consegui. O itinerario era Seoul - Hong Kong, Hong Kong
- Bangkok, Bangkok - New Delhi. O tempo total da viagem era de
dezessete horas. De tanto que eu ouvi falar da India, acabei comprando
um "Lonely Planet" que e o guia de viagem que a maior parte dos
viajantes de baixo orcamento usa para viajar, bem que eu tentei
evitar, mas ao que tudo indica na India eu vou precisar de toda a
informacao possivel e mais um pouco.

Monday, May 3, 2010

Diario de Bordo XXIV: Cruzando o maior pais do mundo via transiberiana






De todos os trens que eu peguei ate o momento nada seria o suficiente
para me preparar para os 7855 quilometros da ferrovia transiberiana
entre Beijing e Moscou. De Ulaanbatar eu e Tyler, meu amigo canadense
que conheci na fronteira entre China e Mongolia, pegamos o trem para
Irkutsk, uma das maiores cidades da Siberia e principal da ferrovia
transiberiana para os viajantes que pretendem conhecer o Lago Baikal.
O Lago Baikal e o maior lago em volume de agua doce do mundo, o mais
profundo e o mais antigo do mundo. O Lago Baikal em alguns pontos
chega a ter mais de 1600 metros de profundidade e contem mais de 20%
da agua doce do mundo.
Mas antes de chegarmos a Irkutsk tinhamos quase quarenta horas no trem
para percorrer 1151 quilometros. Nada de mais, nao fosse o pessimo
horario de saida do trem. Como o trem sai as nove da noite, chega na
fronteira antes das cinco da manha e nos somos obrigados a ficar
esperando na fronteira ate as nove horas da manha, hora em que os
guardas da fronteira da Mongolia comecam a trabalhar. O trem era muito
bom e dormi muito bem. Acordamos de manha na ultima cidade antes da
fronteira onde nosso trem foi invadido por contrabandistas de tralha
da Mongolia. Na nossa cabine entrou uma senhora com um carregamento de
meia, camisa, jaqueta de couro, sapato, enfim todo tipo de porcaria
falsificada feita na China. Ela comecou a esconder em tudo que e
buraco que podia e assim que ela acabou de esconder toda a porcaria
que ela estava levando chamou um cara gordo para caramba que estava
usando tres calcas jeans ao mesmo tempo e com fita durex amarrou cinco
calcas jeans em volta da barriga do condenado que colocou duas
jaquetas por cima para disfarcar. Chegamos a fronteira e apos alguma
enchecao de saco entramos na Russia. Na primeira parada, eles
comecaram a tirar toda a tralha que estavam contrabandeando dos seus
esconderijos e deixaram o trem. Foi um bom comeco de dia para meu
companheiro de viagem que estava fazendo aniversario. Mais um dia
inteiro que nao foi nada dificil de encarar, ja que nossas camas no
trem eram otimas, mas na noite seguinte, tinhamos um novo hospede na
cabine e o cara se entupiu de vodka e roncou a noite inteira. O teto
da cabine chegava a tremer e eu chutava a cama do cara por baixo quase
jogando ele no chao e nada. Depois de uma noite muito mal dormida,
chegamos na manha seguinte a Irkutsk. A primavera da Siberia se
mostrou tao fria quanto o inverno chines. A neve e o vento frio eram
um convite para nao fazer nada especialmente para quem havia passado
duas noites anteriores em um trem, mas tinhamos que comemorar o
aniversario do Tyler. No hostel onde ficamos, conhecemos dois
britanicos, um alemao e um canadense. Uma das meninas que trabalha no
hostel onde estavamos hospedados ficou de nos levar para uma boate.
Com tudo que escutamos sobre os russos e de se esperar que tomassemos
muito cuidado com os nativos. Estabanado como so eu posso ser, em
menos de dois minutos consegui derrubar a cerveja de um russo que
estava passando. Olhei em volta e vi o desespero no olhar de meus
colegas. Para minha surpresa, o rapaz virou para mim e simplesmente me
falou que nao tinha nenhum problema. Pelo contrario, ele ficou muito
feliz em nos conhecer e pela oportunidade de nos conhecer. E em alguns
minutos, tudo que esperavamos dos russos foi por agua abaixo. Todo
mundo foi super simpatico e agradavel. Foi uma grande comemoracao para
o aniversario do meu amigo Tyler e serviu para que ficassemos muito
mais a vontade na Russia. Toda hora que me perguntavam de onde eu era
e eu respondia Brasil, escutava a mesma resposta: "UAU!!". Nesses
momentos nao ha nada melhor do que ser brasileiro. Apos a longa noite,
descansamos no domingo enquanto a neve caia do lado de fora. Na
segunda feira, resolvemos finalmente conhecer o Lago Baikal. Nao sem
antes checar a internet e ver os gols que fizeram do Fogao campeao
carioca devolvendo tres vices ao rival de uma vez so. No hostel,
conhecemos um casal de australianos que resolveram nos acompanhar em
nosso passeio ate Listvyanka, um pequeno vilarejo as margens do lago
com menos de dois mil habitantes. Chegamos a Listvyanka e passamos
algum tempo para entender o que estavamos fazendo la. Fora o Lago
Baikal que e realmente um lago gigantesco que estava quase que
completamente congelado, nao havia mais nada na cidade. A unica coisa
que nos restava fazer era comer omul que e um peixe da familia do
salmao caracteristico do Lago Baikal. O lago e tao gigantesco que em
alguns pontos fica a impressao de que o que estamos vendo e na verdade
um oceano, pois nao da para ver a outra margem. Depois de algumas
fotos e muito omul, eu e Tyler voltamos para Irkutsk onde pegamos
nossas mochilas e seguimos para a estacao de trem para enfrentar 77
horas e 5153 quilometros ate Moscou. Chegamos na estacao e passamos um
grande perrengue burocratico para conseguir pegar nossos tickets. A
partir dai, foi entrar no trem e ver o tempo passar. Optamos por
comprar as passagens mais baratas no vagao em que nao ha cabines e
sentamos do lado da porta do banheiro onde durante toda a noite a
porta batia quando alguem ia ao banheiro, mas surpreendentemente dormi
muito bem. O trem estava indo de Vladivostok ate Moscou. Ou seja,
algumas pessoas ja estavam viajando ha tres dias quando entramos no
trem. A nossa volta, ninguem falava ingles, o que nao impedia que
fossem super legais conosco. Um senhor que sentou proximo a nos sempre
nos oferecia comida e tentava se comunicar nos ajudando a passar o
tempo. Havia tambem um casal com um menininho com quem eu brincava de
vez em quando. Em menos de trinta horas as baterias dos ipods e dos
lap tops ja tinham ido pro brejo. A paisagem tambem nao tinha nada de
interessante e nao ajudava em nada a passar o tempo. Nossa chegada em
Moscou foi um dos momentos mais felizes da viagem... ate vermos os que
nos aguardava no metro. Na minha opiniao, e o metro mais complicado do
mundo. O hostel em que planejavamos ficar nao tinha cama disponivel,
entao ficamos em um hostel menor pelos dois primeiros dias. No
primeiro dia em Moscou andamos pela cidade que encanta pelos predios
antigos em todo canto, pelas igrejas belissimas e, principalmente,
pelo Red Square e pelo Kremlin. A noite fomos a uma boate que nao
tinha nada demais e era super afrescalhada. Eu era o unico que estava
vestido de camisa e calca jeans. O resto do publico estava super
arrumado. Moscou e famosa pelo "face control" da vida noturna. So
entra na boate quem o host fala que pode entrar. Mas eles normalmente
deixam gringos entrar em tudo que e canto e e provavelmente isso que
aconteceu porque estavamos totalmente deslocados. Dia seguinte, meu
aniversario seria comemorado na gelida primavera de Moscou. Apesar de
estarmos quase em maio a temperatura ainda beirava zero e chegou a
nevar no dia do meu aniversario. Aproveitei o pessimo tempo para
comprar minha passagem para a Coreia do Sul. Comprar a passagem foi
sem duvida o retrato do quao burocratica a Russia pode ser. A empresa,
por alguma razao, nao vende o bilhete pela internet e eu teria que ir
ate algum estande de venda para poder efetuar a compra. Ate preencher
tudo e resolver todas as burocracias, levou mais de uma hora e meia,
mas no final tudo deu certo. A noite estavamos meio desanimados, mas
sair era uma obrigacao, pois era sabado e meu aniversario! Ja no novo
hostel sentado na recepcao conheci um grupo de holandeses aos quais
nos juntamos e fomos para uma boate muito mais barata e tranquila.
Conheci uma menina que mora em Moscou chamada Elena e que eu jurava
que era brasileira. Acabou que ela me mostrou um pouco da cidade nos
dias seguintes e foi super gente boa como todo mundo que conhecemos.
Tanto eu quanto o Tyler ficamos surpresos com a simpatia dos russos.
Inicialmente, andando na rua o que vemos sao caras serias de poucos
amigos, mas uma vez que comecamos a conversar todos foram super
agradaveis. No nosso hostel, por exemplo, havia um rapaz que foi a
Moscou para assistir o show do Metallica que estava acontecendo no fim
de semana. Ele falava uma meia duzia de palavras em ingles, mas ele
tentava tanto fazer com que entendessemos o que ele estava falando em
russo que acabavamos entendendo (ou achando que haviamos
entendido...). Outro rapaz que estava no mesmo quarto fez questao de
nos ajudar a marcar o hostel de Sao Petersburgo.
Novo dia, andamos seguindo o rio pelo centro de Moscou. Cruzamos o red
square e caminhamos ate a catedral de St Basil.
No dia seguinte, eu e Tyler aproveitamos para ir ao Kremlin. As
igrejas e os predios sao belissimos. Quando estavamos pensando se
iriamos embora no mesmo dia para Sao Petersburgo, eis que Opuni, nosso
amigo de Gana que conhecemos na Mongolia chega no hostel e decidimos
ficar mais uma noite. No dia seguinte, eu e Opuni fomos dar uma volta
pela cidade. Visitamos o interior da igreja de St Basil e rodamos pelo
red square quando vimos um cara com uma aguia. Aproveitamos para tirar
umas fotos e voltar para o hostel, pois na mesma noite eu e Tyler
seguiriamos para Sao Petersburgo. Mais uma confusao burocratica para
conseguir os bilhetes que haviamos comprado na internet, mas no final
com a ajuda do Opuni e de uma menina russa que falava algum ingles e
percebeu nosso desespero para pegar o trem tudo acabou dando certo.
Mais dez horas de trem e chegamos a Sao Petersburgo. E nao demorou
muito para que a cidade se tornasse minha cidade europeia favorita. A
cidade e tao bonita que nem Barcelona consegue superar na minha
opiniao. Fomos a Peter-Paul Fortress e a Igreja do Sangue Derramado,
local onde Alexandre II foi assassinado. Conhecemos um americano que
era o unico que estava no mesmo andar do hostel que nos e fomos juntos
conhecer a vida noturna de Sao Petersburgo. Acabamos num bar muito
tranquilo e agradavel chamado Fidel que seria o local onde iriamos nas
duas proximas noites. La conheci Alana e Sonja que se juntaram a nos
em nossas noites no Fidel.
Para melhorar, uma amiga minha da Suecia que conheci no Laos me deu o
contato de uma amiga dela de Sao Petersburgo. Assim conheci Julia, que
me guiou por Sao Petersburgo nos proximos tres dias e ate me arrumou
um ingresso gratuito para a Hermitage que e um dos museus mais bonitos
que eu visitei ate agora e e considerado o maior museu de arte do
mundo. Eu bem que queria ter passado mais tempo no Hermitage, mas
estava incomodando o fato de estar numa cidade tao bela sem camera.
Entao, Julia me levou para comprar um camera nova. Saimos e mais uma
vez encontramos Alana e Sonja para uma longa noite em Sao Petersburgo.
No dia seguinte, Julia nos levou ate a Catedral da Trindade e demos
uma volta pelo rio novamente. A Julia esta terminando a graduacao em
Ciencias Politicas na Universidade de Sao Petersburgo. Faz parte do
curso dela estudar a historia e os acontecimentos politicos da Russia
a fundo. Ela agregou muito valor as nossas caminhadas pela cidade nos
contando alguns acontecimentos historicos ocorridos por onde
passavamos.
Na volta ao hostel, reecontramos o terceiro membro da odisseia pela
Mongolia. Alex que viajou comigo e com o Tyler pela Mongolia havia
chegado na cidade e estava nos esperando no hostel conversando com
Phil e Kate, um casal da Australia que conhecemos em um gher na nossa
primeira noite na viagem pela Mongolia. Fomos todos juntos para o
Fidel, mais uma vez, onde encontramos Alana e Sonja para minha ultima
noite na Russia.
No sabado, acordei para meu ultimo dia em Sao Petersburgo. Eu, Tyler,
Kate, Phil, Sonja, Julia e Kate caminhamos um pouco pela cidade e eu
entrei na igreja do Sangue Derramado para ver os belissimos mosaicos e
o local onde o czar foi assassinado. Nunca vi igreja mais bonita na
minha vida. Os mosaicos sao sensacionais. Sao Petersburgo nao podia
ter um monumento simbolo mais belo. Terminada a visita, voltei ao
hostel e me despedi de meus amigos e peguei minha mochila para seguir
para o aeroporto. A Sonja me deu uma carona e me deixou no aeroporto.
O balanco da minha visita a Russia foi extremamente positivo. Tive
muita sorte e conheci pessoas sensacionais e fiquei supreso com os
russos. Sem duvida, nao foi nada do que eu ouvi dizerem de que os
russos sao antipaticos e fechados. Eu adorei a Russia e especialmente
Sao Petersburgo e gostaria muito de voltar... no verao! Mas agora e
hora de seguir de volta para a Asia. Coreia do Sul ai vou eu...