E chegou o ano novo. O Phil estava esperando tres outros amigos ingleses que estavam hospedados em outra ilha para se juntarem a nos na festa. Essa festa tinha um marco especial a ser comemorado. Sao mais de vinte anos pra lua cheia coincidir com o ano novo, o que faz de uma Full Moon Party de ano novo um acontecimento e tanto na ilha.
Eu cochilei a tarde para ter energia para a festa e as dez da noite nos encontramos. Bebemos um pouco e levamos quase trinta minutos para chegar na praia, um percurso que nao deveria levar nem dez minutos, tamanho o fluxo de pessoas na ilha. Para o turista que nao da a minima, a Tailandia e um paraiso, mas para o turista minimamente consciente, a dinamica de algumas coisas as vezes assusta um pouco. Por isso, fiquei um pouco indignado quando vi a policia nas entradas da praia revistando e verificando documentos somente dos tailandeses. Uma das situacoes mais pitorescas que eu ja vi se desenhou quando um policial pediu o passaporte para uma menina japonesa pra verificar se ela era mesmo estrangeira e ela o tinha deixado em outra ilha.
Quando chegamos na praia, me lembrei um pouco do que e o reveillon em Copacabana em muito menos escala e claro. Nao se via areia em lugar nenhum, era gente que nao acabava mais.
Em cinco minutos, todo mundo se perdeu, ai depois se encontrou, ai depois se perdeu e se encontrou sucessivamente. Chegou uma hora que ninguem mais dava a minima. Eu me perdia de todo mundo, daqui a pouco encontrava e dava os cumprimentos de feliz ano novo e tudo mais, virava pro lado e me perdia de novo. Conhecemos umas meninas da Australia que tiveram uma mega surpresa quando uma delas foi comprar uma cerveja e cade o dinheiro, a camera e o bilhete do barco de volta? Roubaram tudo. Foram ver se avisavam a policia e tinha uma fila de gente que tinha passado pela mesma coisa. Um monte de gente machucada, especialmente com cortes nos pes por causa de garrafas quebradas. Ficou a sensacao de que a ilha nao tinha a minima condicao de receber tantas pessoas. Nao posso dizer que nao aproveitei a festa, pois pra nos o ano novo acabou as 20:30 do dia primeiro em outra ilha. Nada mal para comecar 2010 com o pe direito.
A noite no dia primeiro, ficou aquela sensacao de que chega de festa. Estava na hora de ir embora. Acordei no dia 2 e fui numa agencia de viagens perto do hostel para comprar uma passagem pra sair da ilha. So havia um tiquete disponivel para as 11h da manha. Eram 10:55. Eu pedi cinco minutos a mais e em dez minutos estava com tudo empacotado para sair da ilha. Foi uma surpresa pro Phil me ver esperando pela balsa ja que menos de 30 minutos antes tinhamos nos despedido e achavamos que nunca mais nos veriamos. Seguimos juntos pra Bangkok. No mesmo onibus estavam Clara e Kajsa, duas meninas suecas que conhecemos na ilha. A sensacao de que a ilha nao tinha a minima condicao de hospedar tanta gente ficou ainda mais clara na hora em que estavamos tentando entrar na balsa e tinha gente entrando por todos os lados sem o menor controle. Tres horas depois chegamos ao porto, entramos em um onibus e depois mais um onibus para chegar de volta a Bangkok. Ja pretendia seguir para o Cambodia no dia seguinte, mas meu amigo australiano Tim estava vindo de outra ilha e me encontraria em Bangkok para seguir em frente. Foi bom porque tive a oportunidade de reencontrar Sean, um ingles muito gente boa que eu conheci no meu segundo dia em Bangkok. Ele estava voltando do Cambodia e pode me dar algumas dicas pro meu proximo destino.
O Tim chegou e ficamos mais dois dias em Bangkok esperando pelo visto dele para o Vietnam. Quem tambem chegou em Bangkok foi Francesca, namorada do Phil que estava vindo da Inglaterra para viajar um pouco pelo sudeste asiatico e depois se mudar para a Australia junto com ele.
Em dois dias em Bangkok, reencontrei onze pessoas que estavam no mesmo hostel que eu em Koh Pangang. Nos encontramos para jantar, mas antes de meia noite ja estava todo mundo morto, pronto para dormir. Algumas pessoas foram embora na manha seguinte. Das pessoas que encontramos na noite anterior, sete seguiriam para o Cambodia. Siem Reap seria uma cidade um tanto familiar para todos nos.
O que posso dizer da viagem para Siam Reap e que foi pessima. As estradas do Cambodia sao muito ruins e o onibus era pior ainda. Os motoristas de onibus no Cambodia buzinam a cada trinta segundos, o que faz com que seja impossivel dormir por mais do que vinte e nove segundos consecutivos durante a viagem. A vantagem de viajar de onibus, especialmente pelo sudeste asiatico, e que todo mundo sabe que vai levar seculos pra chegar a qualquer lugar, entao vira uma oportunidade para conhecer gente nova. No onibus conhecemos dois noruegueses, duas suicas, um senhor italiano, sem contar um italiano chamado Francesco que o Tim tinha conhecido na Malasia que tambem estava no onibus. Chegamos em Siem Reap e junto com as pessoas que conhecemos no onibus fomos em busca de um lugar pra ficar. Achamos uma guest house em que eu e Tim pagamos tres dolares cada um por um quarto bem razoavel. As coisas no Cambodia sao tao baratas que algumas pessoas que conheciamos estavam ficando num hostel pagando um dolar por noite. A comida tambem e bem barata. Uma refeicao sai por algo em torno de dois dolares. Ou seja, todo turista pao duro do mundo tem obrigacao de visitar o Cambodia. Nao e a toa que la tem frances por tudo que e lado. Algo que eu descobri recentemente e que nao existe povo no mundo mais pao duro que frances. Eu nao conheci nenhum frances viajando pela Europa, mas na Tailandia e no Cambodia, eles estao por todo lado. Se alguem acha que eu sou pao duro, tem que conhecer os turistas franceses. Eles reclamam quando e caro quando e barato e se transformam quando abrem a carteira, ate a fisionomia muda. O que me leva a concluir que tenho muito que aprender com os franceses.
Enfim, estava nos planos da maior parte das pessoas no nosso grupo descansar da viagem no primeiro dia no Cambodia, mas como eu nao estava de brincadeira pilhei todo mundo pra ir ja no dia seguinte ver Angkor Wat. E como um dos baratos de Angkor Wat e ver o nascer do sol, la fomos nos. Antes das seis horas da manha ja estavamos na estrada de tuk-tuk. E a grande expectativa pelo nascer do sol foi uma grande decepcao porque estava nublado. Fora isso foi interessante ver uma das maravilhas do mundo. Angkor Wat era a capital do imperio Khmer. Pra se ter uma ideia da dimensao de Angkor Wat, a cidade tinha uma populacao de mas de um milhao enquanto Londres na mesma epoca nao tinha mais de 50.000 habitantes. Nao so isso, Angkor Wat e o maior monumento religioso do mundo. A verdade e que o complexo de templos e tao gigantesco que so da pra ver uma pequena parte. Entao escolhemos os principais templos e fomos em frente. Nosso grupo era formado por dois noruegueses, duas suicas, eu e Tim. Os italianos preguicosos ficaram pra tras e deixaram pro dia seguinte. Em meia hora os noruegueses e o Tim decidiram ir em outra direcao, mas acabou que nos perdemos e passei a manha com minhas novas amigas da Suica. Foi bem legal, mas na hora do almoco ja estavamos mortos pela visita. Entao seguimos pro hotel para descansar um pouco e voltar. A ideia era voltar para o por do sol. Dormimos algumas horas e depois quando estavamos saindo surigiram o Tim e os dois noruegueses que se perderam da gente. Eles andaram o tempo todo e estavam se arrastando, enquanto nos aproveitamos a comodidade de ter um tuk-tuk levando a gente de templo em templo. Foi realmente a melhor coisa que fizemos.
Tambem nao vimos muito do por do sol, pois o tempo continuava nublado, mas foi o suficiente pra descobrir que Angkor Wat por mais do que um dia e demais. E muito interessante e grandioso ver as ruinas do imperio Khmer, mas depois de algumas horas fica aquela sensacao de que e tudo muito parecido e estamos vendo mais do mesmo.
A noite, fomos reecontrar meus amigos de Koh Pangang. Foi otimo rever todo mundo. Nossas amigas suicas se juntaram ao grupo e foi mais uma longa noite no sudeste asiatico. Por isso, tivemos que remarcar o passeio que tinhamos marcado na manha do dia seguinte para a hora do almoco. O passeio do dia era pelo vilarejo flutuante nos arredores de Siem Reap. Fomos eu, as duas suicas e um dos noruegueses, pois o outro estava tendo um dia de rei apos provar os sabores locais e nao podia ficar a mais de dez passos do banheiro mais proximo. O TIm estava mais ou menos na mesma situacao, entao foi quem estava em condicoes. O nosso guia ainda arrumou um grupo de quatro franceses para dividir o barco com a gente pra ficar mais barato. Foi extremamente chocante ver as condicoes em que as pessoas vivem no Cambodia. Eu nunca vi nada tao extremo na minha vida. Criancas flutando em panelas, remando com pedacos de madeira pedindo esmola em volta dos barcos abarrotados de turistas. Casas flutuantes de um comodo em que vivem familias inteiras. Outro fato curioso e inimaginavel e a variacao do nivel do rio entre temporada de seca e de chuva. Para chegar no barco nos descemos pelo menos dez metros no porto em uma area extremamente vasta. Segundo os locais o rio cobre toda essa area na temporada de chuva. Nao e a toa que dizem que o Cambodia na temporada de chuva visto do alto lembra uma grande poca. Parte do passeio foi uma visita a uma fazendo de crocodilos e cobras.
Acabado o passeio, ja tinha decidido que no dia seguinte eu iria seguir em frente e meu proximo destino seria Ho Chi Min, no Vietnam. Enquanto que o Tim iria para Phnom Penh, capital do Cambodia. Nossos planos de viajar juntos ainda existem, mas vamos tentar nos reecontrar no Laos para tentar viajar pela China juntos. Por enquanto, eu volto para a estrada sozinho. A verdade e que eu ja estava sentindo falta. Mais uma noite com meus amigos de Koh Pangang. Mais uma vez muito divertido, foi um prazer reencontra-los, mas era mais do que hora de seguir em frente e recomecar sozinho num lugar diferente e conhecer pessoas novas. Mais uma vez encontrei o Phil e a Francesca no onibus. Seis horas depois me despedi de vez dos meus amigos britanicos em Phnom Penh. Entrei no onibus pra Ho Chi Min, olhei em volta e nao vi nenhum rosto conhecido. Finalmente de volta a estrada.
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