Dezesseis horas de viagem nao e moleza. De cara conheci dois meninos ingleses que estavam indo pra outra ilha do sul da Tailandia e tinham acabado de chegar da Inglaterra. Eles combinaram jet lag com cerveja e pilulas pra dormir, pois os dois tem dificuldade de dormir em onibus. Resultado, apagaram, comecaram a sonhar em voz alta e atrapalharam o sono de todo mundo. No final da viagem, ainda tinhamos que pegar uma hora e meia de barco ate Koh Pangang. Foi uma otima oportunidade para conhecer Carmella e Alexis, meus novos amigos franceses. Carmela e tatuadora e mora no sul da Franca e o Alexis trabalha com teatro e ja viajou o mundo todo. Ele conhece mais lugares no Brasil do que eu. Entao chegamos a Koh Pangang e eu resolvi seguir com eles para o norte da ilha, apesar de saber que a parte mais movimentada era no sul. Chegamos na praia que o Alexis escolheu e o cenario era simplesmente indescritivel. Agua transparente, coqueiros, resorts, areia branca, um sol maravilhoso e uma sensacao de que aquele lugar estava muito alem do meu orcamento. E assim que fomos ver os precos de alguns lugares ficou claro que era tudo extremamente caro em relacao ao que eu esperava. Entramos no primeiro lugar que vimos que era o mais caro pra tomar um suco, pois depois de dezesseis horas de viagem, precisavamos de um tempo pra respirar. Abordei um gringo que estava na recepcao do resort e comecamos a conversar e fiz um dos maiores elogios que se pode fazer a um estrangeiro: perguntei se ele era da Nova Zelandia. A Nova Zelandia possui algo de "cool" entre todos os viajantes. E algo que nao da pra explicar. Depois estrategicamente falei que eu era brasileiro e estava procurando por algo mais em conta. O mesmo papo de sempre explicando que eu nao ganho dolar nem euro, venho de pais pobre de terceiro mundo. Ele mencionou uns bungalows que eles haviam acabado de construir, mas eles ainda nao tinham tido tempo de acabar o entorno e, por isso, nao estavam nem alugando ainda. Vinte minutos depois la estavamos eu e meus amigos franceses, hospedados num resort de mergulho de frente pra praia em Koh Pangang por menos de dez euros por dia. O lugar dispensava comentarios. O primeiro dia foi de descanso. Ficamos pelo resort e aproveitamos a piscina e a praia. O Alexis acertou os detalhes do curso de mergulho e no final do dia conhecemos um casal alemao, Nick e Kathrin. Ele e piloto de aviao e ela aeromoca. A passagem deles pra Tailandia custou 150 euros, para os dois (!!!). Nao existe desculpa melhor do que essa pra viajar. Jantamos todos juntos num restaurante super legal e eu cai na besteira de experimentar o curry amarelo. Ao final da refeicao eu havia bebido cinco sucos de manga e cinco garrafas de agua mineral. Mas consegui comer tudo. Era uma questao de honra.
No segundo dia, o Alexis foi pro curso de mergulho e eu e a Carmela fomos conhecer a praia de Haad Rin, a mais movimentada da ilha e famosa por ser o local da realizacao das festas da lua cheia. Estava na hora de voltar para o ambiente de hostel e decidi que no dia seguinte iria pra la. Rodamos um pouco pela praia que nao era tao bonita quanto a outra em que eu estava, mas tinha muito mais gente e depois voltamos pro hotel. Quando encontramos o Alexis ele estava maravilhado com o que aconteceu durante o mergulho dele. Eles mergulharam com um tubarao-baleia de cinco metros e ele estava totalmente encantado.
Nesse dia, os barcos pesqueiros chegaram trazendo a pesca para o jantar. Todos os restaurantes tinham uma mesa cheia de peixes frescos na entrada para que os clientes pudessem escolher o jantar. Eu, Carmela e Alexis dividimos um atum e um vermelho. Mais um jantar maravilhoso. De barriga cheia dormi cedo mais um dia. Tirei um tempo pra arrumar minha mochila e seguir em frente na manha seguinte.
Acordei, fechei a conta no hotel e me preparei para seguir para Haad Rin. Eu ja havia visto um bungalow la por um preco bem mais em conta, mas assim que cheguei dei de cara com o Dancing Elephant Hostel que eu ja havia ouvido falar, mas nao consegui encontrar no dia anterior. Mudei meus planos na hora e decidi ficar por la mesmo. O hostel e muito simples, mas muito bem cuidado. Fiquei no dormitorio e conheci o Knox, um americano que estava de ferias por um mes na Tailandia. Fomos dar um pulo na praia e ele me apresentou a alguns amigos ingleses. Meia hora depois surgiram uns alemaes de origem marroquina e acabamos batendo uma pelada na praia. Foi muito bom, mas como os ingleses ja estavam tortos de tanta cerveja (afinal ja eram quatro da tarde e pra ingles de ferias, essa ja e hora de ressaca).
A noite, fomos na Black Moon Party que e uma das festas mais importantes de Koh Pangang. A Full Moon era a festa original e pra encher o calendario turistico da ilha surgiram a Black Moon Party e a Half Moon Party. A festa tem um visual super interessante com paineis em neon e todo mundo pintado com tintas que brilham no escuro, mas a musica e tecno do inicio ao fim e chegamos pouco antes da meia noite e ja tinha gente desmaiada. Foi um pouco demais, mas valeu pela experiencia.
No dia seguinte, alguns dos meus companheiros de hostel foram embora e ficaram os desanimados. Ficamos de bobeira na praia e a noite fomos rodar pela praia. E sem o clima de Black Moon foi muito melhor. Um dos quiosques estava fazendo uma festa da espuma e eu encontrei perdidos na ilha meus dois amigos ingleses que haviam desmaiado no onibus e conheci duas meninas de Israel, Dana e Rave. E impressionante o numero de pessoas de Israel que eu conheci na Tailandia. Outra coisa importante que descobri em Koh Pangang e o milkshake de biscoito Oreo com banana. E um icone da ilha e e simplesmente delicioso.
O proximo dia seria o de despedida de Koh Pangang porque eu teria que ir ate Bangkok pegar meu passaporte com os devidos vistos no dia seguinte, mas eu estava gostando muito da ilha e decidi que voltaria logo depois que pegasse meu passaporte, ate porque ja havia cansado de Bangkok. Passei o dia com minhas amigas de Israel e no final do dia conheci o novo hospede do hostel, um ingles chamado Oliver. Fomos todos juntos pra praia e duas meninas inglesas que o Oliver conheceu no onibus se juntaram a nos. As festas a noite na ilha sao cheias de jogos valendo drinks. Queda de braco, lance livre, danca da cadeira e um jogo em que cada participante prende um balao na perna e tem que estourar o balao alheio enquanto protege o seu. Fui o vencedor do jogo do balao e ganhei de premio um dos buckets de rum tailandes que dividi com meus amigos e tivemos uma noite muito legal.
Acordei arrumei minha mala e segui para o porto. Com destino a Bangkok. Dessa vez, ao inves de ficar em hostel ou hotel fiquei na casa de uma americana amiga de uma amiga. Jelena esta morando faz quatro meses na Tailandia e trabalha numa ONG que elabora projetos em conjunto com o departamento de habitacao da Tailandia. Como o onibus chegou super cedo tive que fazer uma hora e acabou que fiquei conversando com um escoces e um canadense que estao viajando a respectivamente doze e quatorze anos. Os caras viajam um pouco, arrumam um emprego, juntam uma grana e depois voltam a viajar. O escoces chegou a montar um hostel na Guatemala, mas nao conseguiu ficar preso por muito tempo e seguiu em frente. Ainda que eu ache o estilo de vida um pouco extremo, e muito legal dividir experiencias com eles. especialmente pela atitude e perspectiva da vida. E sempre positivo e agrega muito. Se eu nao tivesse marcado com a Jelena teria seguido viagem com eles por um tempo. A Jelena foi uma super guia e me mostrou algumas coisas que eu nao havia visto em Bangkok como Chinatown e um dos distritos comerciais da cidade. A imagem de Chinatown corresponde exatamente ao que eu esperava encontrar na Asia. Ruas com milhares de lojas vendendo todo tipo de mercadoria por precos baixissimos e infestadas de gente. Tinha uma rua so com lojas de ursos de pelucia e a rua das flores tinha um perfume tao forte e doce que enjoava. Como nao podia deixar de ser, depois de vermos todas as coisas novas, acabamos na Khao San Road para mais uma longa noite. La encontrei, um frances chamado Harold que conheci em Koh Pangang que estava com uma amiga e eles se juntaram a nos. Fomos na pereginacao tradicional de bares e ainda encontrei com dois franceses que havia conhecido em Chiang Mai.
Dessa vez, a experiencia em Bangkok foi bem diferente, pois a Jelena me ensinou algumas palavras em tailandes que me ajudaram a me guiar e ter menos pinta de turista. E muito melhor entrar num taxi falando "oi" em tailandes e falar o nome do destino com "por favor" em tailandes. Se os motoristas sentem que estao lidando com gringo nem esbocam ligar o taximetro e jogam o preco la pra cima, mas depois que eu comecei a me dirigir a eles dessa forma, eles ligam direto o taximetro sem criar problemas. Uma coisa boa dos tailandeses e que eles sempre se esforcam muito pra falar ingles, mas eles gostam muito quando os estrangeiros falam tailandes.
O dia em Bangkok foi muito legal, mas eu ja estava com vontade de voltar pra Koh Pangang. Fui almocar com a Jelena proximo ao trabalho dela e me despedir. Ela me levou a um lugar a que tailandeses comem regularmente fora do circuito turistico tradicional. Os precos eram inacreditaveis. O meu prato custou quarenta centavos de euro. Mais inacreditavel do que os precos era o quanto a comida era apimentada. Eu simplesmente nao consegui acabar o prato e o pior e que a comida estava maravilhosa, mas simplesmente nao dava pra terminar. Me despedi de minha nova amiga "tailandesa" e segui pra pegar o onibus de volta pra Koh Pangang. Agora e rapidinho. Dezesseis horas e estou de volta...