Monday, December 14, 2009

Diario de Bordo XI: Welcome to the jungle






Amassado num trem tailandes por 14 horas. Quatorze horas e tempo pra caramba. Nao existe atividade no mundo capaz de me entreter por tanto tempo. Sendo assim temos que arrumar alguma coisa pra fazer. Por isso, foi otimo quando surgiu a(o) atendente do trem. Nattalie (com dois "t"s mesmo). Um travesti tailandes no melhor estilo Vera Verao. Cheia de tiques, espalhafatosa e barulhenta nos divertiu por boa parte da viagem. Do nosso lado havia um senhor e uma menina tailandeses que tambem conversaram com a gente por um bom tempo e ajudaram a passar o tempo. E assim, chegamos a Chiang Mai.
O hostel era bom e tirando o fato de que eu estava completamente empenado estava tudo otimo. Entao, o Paul teve a melhor ideia das ultimas semanas: massagem tailandesa. Segundo ele, a massagem foi otima. Eu nao faco a minima ideia. Entrei deitei e dormi. Ele disse que a mulher me estalava de um lado pro outro e eu so roncava. No final das contas, foi otimo. Pude descansar e ainda sai novo em folha. Demos uma olhada em alguns templos e no mercado noturno de Chiang Mai e fomos dormir.
No dia seguinte, era o dia do inicio do passeio de tres dias pelas florestas da Tailandia. Ja comecou meio torto quando vimos que nosso grupo de doze pessoas era composto por doze homens, sendo que um deles era extremamente afeminado (nada contra, so que nessa situacao nao da). Portanto, um de nos estava feliz. Mas as pessoas que compunham o grupo eram otimas: tres suecos altissimo astral, um senhor belga que apesar de ter 55 anos de idade fechou com a gente em todas as atividades, dois franceses que trabalham na industria de petroleo, um americano que da aula de ingles na Coreia do Sul, o alemao feliz, eu, Paul e dois belgas que so queriam ficar chapados. Harry, um dos belgas, comecou o primeiro dia com uma cerveja as nove da manha. E estava vomitando antes da hora do almoco.
Nossos guias eram dois tailandeses oriundos de aldeias da regiao.
Fomos pra primeira atividade que era bambu rafting. Os indios fazem umas canoas de bambu e nos descemos o rio nelas. Nada demais, nenhuma grande emocao, mas ai comecamos um jogando agua no barco do outro e na metade estavamos pulando de um barco pra outro e virando os barcos a torto e a direito. Em um ponto da descida, um dos guias perguntou se queriamos pular de uma pedra no rio. Tinha pelo menos uns seis metros de altura. Primeiro um dos guias tailandeses pulou e quando levantou estava com agua pouco acima da cintura. Sendo que ele tinha menos de 1,60m. O conceito de seguranca ainda nao chegou a Tailandia. O Harry ainda pulou em um outro ponto mais fundo, mas acabou que o resto da galera desceu como subiu.
Almocamos, fomos a uma cachoeira e fizemos uma trilha ate o primeiro acampamento com uma tribo. A tribo ainda conserva alguns habitos, mas esta bem civilizada. E a caminhada nao foi nada demais, pois a selva nao era tao selva assim. No fim do dia, nosso guia ainda arrumou uma fogueira pra galera, mas como o grupo era composto por doze homens, antes das dez da noite estavam todos dormindo.
No segundo dia, fizemos somente uma caminhada pelo mato e chegamos ao segundo ponto em que passariamos a noite. O lugar era muito bonito e proximo de uma cachoeira. O problema dessas trilhas era o frio da noite. O frio era simplesmente insuportavel, mas bastava o sol da manha pra voltar o calor.
No terceiro dia, fomos andar de elefante e encerrar o passeio. Era pra ser o ponto alto do passeio, mas infelizmente foi lamentavel. Pra fazer o elefante andar os caras literalmente enfiam a porrada no bicho. E lamentavel.
No final, quando visto em perspectiva acaba que fiz novos amigos e dei boas risadas com pessoas otimas e so isso ja faz valer a pena. Nossa alimentacao foi extremamente saudavel com vegetais colhidos na hora e carne de frango criado nas aldeias. Foi bom pra dar um descansada.
A noite saimos para beber uma cerveja e acabamos num bar bem morto. Foi ai que eu conheci um brasileiro que mora em Chiang Mai e ele me indicou um lugar chamado Warm Up Club. Como a Tailandia e um lugar de miseria e turismo, boa parte da vida noturna se limita a prostituicao e como nos queremos distancia disso, perguntamos qual seria o lugar pra fugir desse sub mundo. Fomos parar numa boate gigante, cheia de tailandeses em que os unicos estrangeiros eramos eu e o Paul. Tinha uma banda tocando musica tailandesa e todos os tailandeses estavam cantando acompanhando a banda. Ai o Paul compensou todas as boas ideias que ele teve ate hoje quando pediu pra um tailandes uma dica do que ele deveria beber e o cara falou que ia resolver isso pra gente. Por menos de sete euros ele nos arrumou uma garrafa de whisky tailandes e duas de soda. E ai compensamos por todas as noites que passamos na selva dormindo cedo. Mas estava tudo muito divertido e animado ate descobrirmos que uma das meninas que estava dancando com a gente era um travesti tailandes. Ai azedou a noite e acabou que fomos embora. Esse e o problema da Tailandia. Essa cultura de travesti e prostituicao fazem com que diversos dos hoteis daqui tenham um aviso que proibe o acesso de mulheres tailandesas ao predio. E realmente uma lastima que um pais com tanta coisa incrivel e tamanha vocacao pro turismo seja um antro de charlatanismo e bandidagem, mas lembra algum outro pais que eu conheco bem e vivi a maior parte da minha vida.
Sexta-feira, era dia de despedida dos meus novos amigos e hora de voltar pra Bangkok pra depois seguir pras praias do sul. Me despedi de meus novos amigos e de meu novo grande amigo, Paul. Uma das coisas mais aprendemos viajando e como pessoas que conhecemos por tao pouco tempo e que provavelmente nunca mais veremos causam impacto na nossa vida. Muitas vezes um comentario vale por anos de convivencia. O Paul e um cara muito simples que virou um grande amigo e que causou grande impacto na minha forma de ver as coisas. E uma daquelas pessoas que tira o maximo de qualquer situacao. Vou ser pra sempre grato as pessoas que passam correndo na nossa vida e nos ajudam a crescer. E fico muito feliz quando sinto que fiz isso por alguem. E gratificante e nao ha dinheiro no mundo que pague essa sensacao. Me chateia ver o tanto de tempo que corri atras de coisas que nao me faziam feliz.
Entro no onibus pra Bangkok e chego direto na Khao San Road... dez horas depois. Arrumei um hostel com preco otimo e paguei duas noites. Fui no primeiro hostel em que eu fiquei pra ver qual a situacao dos vistos que eles estavam agilizando pra mim e conheci a Bethany, uma menina super gente boa da Nova Zelandia. Acabou que fomos juntos no MBK que e um super shopping center de Bangkok. Incrivelmente barato e gigantesco, localizado famosa por ser o distrito comercial de Bangkok, o que e um tanto impressionante numa cidade em que cada beco possui seu proprio mercado. Muito mais que um shopping center o MBK e uma atracao turistica.
Apos o MBK seguimos para Khao San Road e depois a Bethany seguiu para o hostel para dormir e eu fui passar mais uma noite em Bangkok. Dessa vez sozinho, fui para o meu bar predileto, Roof. Em alguns minutos, conheci umas meninas holandesas e comecei a beber os "buckets" de rum tailandes junto com elas. Resultado, sai de la pra uma boate, depois pra outra e por ai vai.
Entao, no dia seguinte eu percebi que minha vida em Bangkok e um tanto como o "The Hangover". Eu acordo na hora do almoco, olho na minha camera fotos de pessoas que eu nunca vi antes, eu nao lembro de ter conhecido e provavelmente nunca mais vou ver e no bolso da minha bermuda encontro um monte de papeis com contatos de facebook e email de pessoas que eu nao faco a minima ideia de quem sejam. Entao, naquele momento eu percebi que era hora de seguir em frente. Olhei as opcoes de ilhas e praias no sul e escolhi Koh Pagnang. As tres da tarde comprei uma passagem de onibus para viajar as seis da tarde. Dezesseis horas de viagem. Sem problema. O unico problema e que eu tinha pago o quarto por mais uma noite e ia morrer numa grana, mas a diaria era seis euros e nao era nada demais. Quando de repente, do meu lado escuto uma voz dizendo: "Olha, veio, nos tem que pagar barato nesse hostel ai senao ja era!" E conheci Pedro e Thiago, dois mineiros de BH que tinham acabado de chegar do Brasil n Tailandia. Estavam viajando fazia mais de um dia. Conversei com eles e, no final das contas, eles ficaram com meu quarto no hostel e me pagaram a diaria a mais que eu pagaria e ainda me convidaram para passar o ano novo com eles em Koh Pagnang que e exatamente o lugar onde eu quero passaro ano novo de qualquer jeito. Ou seja, no final das contas tudo deu certo. Dois meses e meio atras eu nunca ia conseguir me sair bem dessa, mas agora, bem agora sao dezesseis horas de viagem ate o paraiso...

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