Thursday, December 24, 2009

Diario de Bordo XII: Chegando ao paraiso







Dezesseis horas de viagem nao e moleza. De cara conheci dois meninos ingleses que estavam indo pra outra ilha do sul da Tailandia e tinham acabado de chegar da Inglaterra. Eles combinaram jet lag com cerveja e pilulas pra dormir, pois os dois tem dificuldade de dormir em onibus. Resultado, apagaram, comecaram a sonhar em voz alta e atrapalharam o sono de todo mundo. No final da viagem, ainda tinhamos que pegar uma hora e meia de barco ate Koh Pangang. Foi uma otima oportunidade para conhecer Carmella e Alexis, meus novos amigos franceses. Carmela e tatuadora e mora no sul da Franca e o Alexis trabalha com teatro e ja viajou o mundo todo. Ele conhece mais lugares no Brasil do que eu. Entao chegamos a Koh Pangang e eu resolvi seguir com eles para o norte da ilha, apesar de saber que a parte mais movimentada era no sul. Chegamos na praia que o Alexis escolheu e o cenario era simplesmente indescritivel. Agua transparente, coqueiros, resorts, areia branca, um sol maravilhoso e uma sensacao de que aquele lugar estava muito alem do meu orcamento. E assim que fomos ver os precos de alguns lugares ficou claro que era tudo extremamente caro em relacao ao que eu esperava. Entramos no primeiro lugar que vimos que era o mais caro pra tomar um suco, pois depois de dezesseis horas de viagem, precisavamos de um tempo pra respirar. Abordei um gringo que estava na recepcao do resort e comecamos a conversar e fiz um dos maiores elogios que se pode fazer a um estrangeiro: perguntei se ele era da Nova Zelandia. A Nova Zelandia possui algo de "cool" entre todos os viajantes. E algo que nao da pra explicar. Depois estrategicamente falei que eu era brasileiro e estava procurando por algo mais em conta. O mesmo papo de sempre explicando que eu nao ganho dolar nem euro, venho de pais pobre de terceiro mundo. Ele mencionou uns bungalows que eles haviam acabado de construir, mas eles ainda nao tinham tido tempo de acabar o entorno e, por isso, nao estavam nem alugando ainda. Vinte minutos depois la estavamos eu e meus amigos franceses, hospedados num resort de mergulho de frente pra praia em Koh Pangang por menos de dez euros por dia. O lugar dispensava comentarios. O primeiro dia foi de descanso. Ficamos pelo resort e aproveitamos a piscina e a praia. O Alexis acertou os detalhes do curso de mergulho e no final do dia conhecemos um casal alemao, Nick e Kathrin. Ele e piloto de aviao e ela aeromoca. A passagem deles pra Tailandia custou 150 euros, para os dois (!!!). Nao existe desculpa melhor do que essa pra viajar. Jantamos todos juntos num restaurante super legal e eu cai na besteira de experimentar o curry amarelo. Ao final da refeicao eu havia bebido cinco sucos de manga e cinco garrafas de agua mineral. Mas consegui comer tudo. Era uma questao de honra.
No segundo dia, o Alexis foi pro curso de mergulho e eu e a Carmela fomos conhecer a praia de Haad Rin, a mais movimentada da ilha e famosa por ser o local da realizacao das festas da lua cheia. Estava na hora de voltar para o ambiente de hostel e decidi que no dia seguinte iria pra la. Rodamos um pouco pela praia que nao era tao bonita quanto a outra em que eu estava, mas tinha muito mais gente e depois voltamos pro hotel. Quando encontramos o Alexis ele estava maravilhado com o que aconteceu durante o mergulho dele. Eles mergulharam com um tubarao-baleia de cinco metros e ele estava totalmente encantado.
Nesse dia, os barcos pesqueiros chegaram trazendo a pesca para o jantar. Todos os restaurantes tinham uma mesa cheia de peixes frescos na entrada para que os clientes pudessem escolher o jantar. Eu, Carmela e Alexis dividimos um atum e um vermelho. Mais um jantar maravilhoso. De barriga cheia dormi cedo mais um dia. Tirei um tempo pra arrumar minha mochila e seguir em frente na manha seguinte.
Acordei, fechei a conta no hotel e me preparei para seguir para Haad Rin. Eu ja havia visto um bungalow la por um preco bem mais em conta, mas assim que cheguei dei de cara com o Dancing Elephant Hostel que eu ja havia ouvido falar, mas nao consegui encontrar no dia anterior. Mudei meus planos na hora e decidi ficar por la mesmo. O hostel e muito simples, mas muito bem cuidado. Fiquei no dormitorio e conheci o Knox, um americano que estava de ferias por um mes na Tailandia. Fomos dar um pulo na praia e ele me apresentou a alguns amigos ingleses. Meia hora depois surgiram uns alemaes de origem marroquina e acabamos batendo uma pelada na praia. Foi muito bom, mas como os ingleses ja estavam tortos de tanta cerveja (afinal ja eram quatro da tarde e pra ingles de ferias, essa ja e hora de ressaca).
A noite, fomos na Black Moon Party que e uma das festas mais importantes de Koh Pangang. A Full Moon era a festa original e pra encher o calendario turistico da ilha surgiram a Black Moon Party e a Half Moon Party. A festa tem um visual super interessante com paineis em neon e todo mundo pintado com tintas que brilham no escuro, mas a musica e tecno do inicio ao fim e chegamos pouco antes da meia noite e ja tinha gente desmaiada. Foi um pouco demais, mas valeu pela experiencia.
No dia seguinte, alguns dos meus companheiros de hostel foram embora e ficaram os desanimados. Ficamos de bobeira na praia e a noite fomos rodar pela praia. E sem o clima de Black Moon foi muito melhor. Um dos quiosques estava fazendo uma festa da espuma e eu encontrei perdidos na ilha meus dois amigos ingleses que haviam desmaiado no onibus e conheci duas meninas de Israel, Dana e Rave. E impressionante o numero de pessoas de Israel que eu conheci na Tailandia. Outra coisa importante que descobri em Koh Pangang e o milkshake de biscoito Oreo com banana. E um icone da ilha e e simplesmente delicioso.
O proximo dia seria o de despedida de Koh Pangang porque eu teria que ir ate Bangkok pegar meu passaporte com os devidos vistos no dia seguinte, mas eu estava gostando muito da ilha e decidi que voltaria logo depois que pegasse meu passaporte, ate porque ja havia cansado de Bangkok. Passei o dia com minhas amigas de Israel e no final do dia conheci o novo hospede do hostel, um ingles chamado Oliver. Fomos todos juntos pra praia e duas meninas inglesas que o Oliver conheceu no onibus se juntaram a nos. As festas a noite na ilha sao cheias de jogos valendo drinks. Queda de braco, lance livre, danca da cadeira e um jogo em que cada participante prende um balao na perna e tem que estourar o balao alheio enquanto protege o seu. Fui o vencedor do jogo do balao e ganhei de premio um dos buckets de rum tailandes que dividi com meus amigos e tivemos uma noite muito legal.
Acordei arrumei minha mala e segui para o porto. Com destino a Bangkok. Dessa vez, ao inves de ficar em hostel ou hotel fiquei na casa de uma americana amiga de uma amiga. Jelena esta morando faz quatro meses na Tailandia e trabalha numa ONG que elabora projetos em conjunto com o departamento de habitacao da Tailandia. Como o onibus chegou super cedo tive que fazer uma hora e acabou que fiquei conversando com um escoces e um canadense que estao viajando a respectivamente doze e quatorze anos. Os caras viajam um pouco, arrumam um emprego, juntam uma grana e depois voltam a viajar. O escoces chegou a montar um hostel na Guatemala, mas nao conseguiu ficar preso por muito tempo e seguiu em frente. Ainda que eu ache o estilo de vida um pouco extremo, e muito legal dividir experiencias com eles. especialmente pela atitude e perspectiva da vida. E sempre positivo e agrega muito. Se eu nao tivesse marcado com a Jelena teria seguido viagem com eles por um tempo. A Jelena foi uma super guia e me mostrou algumas coisas que eu nao havia visto em Bangkok como Chinatown e um dos distritos comerciais da cidade. A imagem de Chinatown corresponde exatamente ao que eu esperava encontrar na Asia. Ruas com milhares de lojas vendendo todo tipo de mercadoria por precos baixissimos e infestadas de gente. Tinha uma rua so com lojas de ursos de pelucia e a rua das flores tinha um perfume tao forte e doce que enjoava. Como nao podia deixar de ser, depois de vermos todas as coisas novas, acabamos na Khao San Road para mais uma longa noite. La encontrei, um frances chamado Harold que conheci em Koh Pangang que estava com uma amiga e eles se juntaram a nos. Fomos na pereginacao tradicional de bares e ainda encontrei com dois franceses que havia conhecido em Chiang Mai.
Dessa vez, a experiencia em Bangkok foi bem diferente, pois a Jelena me ensinou algumas palavras em tailandes que me ajudaram a me guiar e ter menos pinta de turista. E muito melhor entrar num taxi falando "oi" em tailandes e falar o nome do destino com "por favor" em tailandes. Se os motoristas sentem que estao lidando com gringo nem esbocam ligar o taximetro e jogam o preco la pra cima, mas depois que eu comecei a me dirigir a eles dessa forma, eles ligam direto o taximetro sem criar problemas. Uma coisa boa dos tailandeses e que eles sempre se esforcam muito pra falar ingles, mas eles gostam muito quando os estrangeiros falam tailandes.
O dia em Bangkok foi muito legal, mas eu ja estava com vontade de voltar pra Koh Pangang. Fui almocar com a Jelena proximo ao trabalho dela e me despedir. Ela me levou a um lugar a que tailandeses comem regularmente fora do circuito turistico tradicional. Os precos eram inacreditaveis. O meu prato custou quarenta centavos de euro. Mais inacreditavel do que os precos era o quanto a comida era apimentada. Eu simplesmente nao consegui acabar o prato e o pior e que a comida estava maravilhosa, mas simplesmente nao dava pra terminar. Me despedi de minha nova amiga "tailandesa" e segui pra pegar o onibus de volta pra Koh Pangang. Agora e rapidinho. Dezesseis horas e estou de volta...

Monday, December 14, 2009

Diario de Bordo XI: Welcome to the jungle






Amassado num trem tailandes por 14 horas. Quatorze horas e tempo pra caramba. Nao existe atividade no mundo capaz de me entreter por tanto tempo. Sendo assim temos que arrumar alguma coisa pra fazer. Por isso, foi otimo quando surgiu a(o) atendente do trem. Nattalie (com dois "t"s mesmo). Um travesti tailandes no melhor estilo Vera Verao. Cheia de tiques, espalhafatosa e barulhenta nos divertiu por boa parte da viagem. Do nosso lado havia um senhor e uma menina tailandeses que tambem conversaram com a gente por um bom tempo e ajudaram a passar o tempo. E assim, chegamos a Chiang Mai.
O hostel era bom e tirando o fato de que eu estava completamente empenado estava tudo otimo. Entao, o Paul teve a melhor ideia das ultimas semanas: massagem tailandesa. Segundo ele, a massagem foi otima. Eu nao faco a minima ideia. Entrei deitei e dormi. Ele disse que a mulher me estalava de um lado pro outro e eu so roncava. No final das contas, foi otimo. Pude descansar e ainda sai novo em folha. Demos uma olhada em alguns templos e no mercado noturno de Chiang Mai e fomos dormir.
No dia seguinte, era o dia do inicio do passeio de tres dias pelas florestas da Tailandia. Ja comecou meio torto quando vimos que nosso grupo de doze pessoas era composto por doze homens, sendo que um deles era extremamente afeminado (nada contra, so que nessa situacao nao da). Portanto, um de nos estava feliz. Mas as pessoas que compunham o grupo eram otimas: tres suecos altissimo astral, um senhor belga que apesar de ter 55 anos de idade fechou com a gente em todas as atividades, dois franceses que trabalham na industria de petroleo, um americano que da aula de ingles na Coreia do Sul, o alemao feliz, eu, Paul e dois belgas que so queriam ficar chapados. Harry, um dos belgas, comecou o primeiro dia com uma cerveja as nove da manha. E estava vomitando antes da hora do almoco.
Nossos guias eram dois tailandeses oriundos de aldeias da regiao.
Fomos pra primeira atividade que era bambu rafting. Os indios fazem umas canoas de bambu e nos descemos o rio nelas. Nada demais, nenhuma grande emocao, mas ai comecamos um jogando agua no barco do outro e na metade estavamos pulando de um barco pra outro e virando os barcos a torto e a direito. Em um ponto da descida, um dos guias perguntou se queriamos pular de uma pedra no rio. Tinha pelo menos uns seis metros de altura. Primeiro um dos guias tailandeses pulou e quando levantou estava com agua pouco acima da cintura. Sendo que ele tinha menos de 1,60m. O conceito de seguranca ainda nao chegou a Tailandia. O Harry ainda pulou em um outro ponto mais fundo, mas acabou que o resto da galera desceu como subiu.
Almocamos, fomos a uma cachoeira e fizemos uma trilha ate o primeiro acampamento com uma tribo. A tribo ainda conserva alguns habitos, mas esta bem civilizada. E a caminhada nao foi nada demais, pois a selva nao era tao selva assim. No fim do dia, nosso guia ainda arrumou uma fogueira pra galera, mas como o grupo era composto por doze homens, antes das dez da noite estavam todos dormindo.
No segundo dia, fizemos somente uma caminhada pelo mato e chegamos ao segundo ponto em que passariamos a noite. O lugar era muito bonito e proximo de uma cachoeira. O problema dessas trilhas era o frio da noite. O frio era simplesmente insuportavel, mas bastava o sol da manha pra voltar o calor.
No terceiro dia, fomos andar de elefante e encerrar o passeio. Era pra ser o ponto alto do passeio, mas infelizmente foi lamentavel. Pra fazer o elefante andar os caras literalmente enfiam a porrada no bicho. E lamentavel.
No final, quando visto em perspectiva acaba que fiz novos amigos e dei boas risadas com pessoas otimas e so isso ja faz valer a pena. Nossa alimentacao foi extremamente saudavel com vegetais colhidos na hora e carne de frango criado nas aldeias. Foi bom pra dar um descansada.
A noite saimos para beber uma cerveja e acabamos num bar bem morto. Foi ai que eu conheci um brasileiro que mora em Chiang Mai e ele me indicou um lugar chamado Warm Up Club. Como a Tailandia e um lugar de miseria e turismo, boa parte da vida noturna se limita a prostituicao e como nos queremos distancia disso, perguntamos qual seria o lugar pra fugir desse sub mundo. Fomos parar numa boate gigante, cheia de tailandeses em que os unicos estrangeiros eramos eu e o Paul. Tinha uma banda tocando musica tailandesa e todos os tailandeses estavam cantando acompanhando a banda. Ai o Paul compensou todas as boas ideias que ele teve ate hoje quando pediu pra um tailandes uma dica do que ele deveria beber e o cara falou que ia resolver isso pra gente. Por menos de sete euros ele nos arrumou uma garrafa de whisky tailandes e duas de soda. E ai compensamos por todas as noites que passamos na selva dormindo cedo. Mas estava tudo muito divertido e animado ate descobrirmos que uma das meninas que estava dancando com a gente era um travesti tailandes. Ai azedou a noite e acabou que fomos embora. Esse e o problema da Tailandia. Essa cultura de travesti e prostituicao fazem com que diversos dos hoteis daqui tenham um aviso que proibe o acesso de mulheres tailandesas ao predio. E realmente uma lastima que um pais com tanta coisa incrivel e tamanha vocacao pro turismo seja um antro de charlatanismo e bandidagem, mas lembra algum outro pais que eu conheco bem e vivi a maior parte da minha vida.
Sexta-feira, era dia de despedida dos meus novos amigos e hora de voltar pra Bangkok pra depois seguir pras praias do sul. Me despedi de meus novos amigos e de meu novo grande amigo, Paul. Uma das coisas mais aprendemos viajando e como pessoas que conhecemos por tao pouco tempo e que provavelmente nunca mais veremos causam impacto na nossa vida. Muitas vezes um comentario vale por anos de convivencia. O Paul e um cara muito simples que virou um grande amigo e que causou grande impacto na minha forma de ver as coisas. E uma daquelas pessoas que tira o maximo de qualquer situacao. Vou ser pra sempre grato as pessoas que passam correndo na nossa vida e nos ajudam a crescer. E fico muito feliz quando sinto que fiz isso por alguem. E gratificante e nao ha dinheiro no mundo que pague essa sensacao. Me chateia ver o tanto de tempo que corri atras de coisas que nao me faziam feliz.
Entro no onibus pra Bangkok e chego direto na Khao San Road... dez horas depois. Arrumei um hostel com preco otimo e paguei duas noites. Fui no primeiro hostel em que eu fiquei pra ver qual a situacao dos vistos que eles estavam agilizando pra mim e conheci a Bethany, uma menina super gente boa da Nova Zelandia. Acabou que fomos juntos no MBK que e um super shopping center de Bangkok. Incrivelmente barato e gigantesco, localizado famosa por ser o distrito comercial de Bangkok, o que e um tanto impressionante numa cidade em que cada beco possui seu proprio mercado. Muito mais que um shopping center o MBK e uma atracao turistica.
Apos o MBK seguimos para Khao San Road e depois a Bethany seguiu para o hostel para dormir e eu fui passar mais uma noite em Bangkok. Dessa vez sozinho, fui para o meu bar predileto, Roof. Em alguns minutos, conheci umas meninas holandesas e comecei a beber os "buckets" de rum tailandes junto com elas. Resultado, sai de la pra uma boate, depois pra outra e por ai vai.
Entao, no dia seguinte eu percebi que minha vida em Bangkok e um tanto como o "The Hangover". Eu acordo na hora do almoco, olho na minha camera fotos de pessoas que eu nunca vi antes, eu nao lembro de ter conhecido e provavelmente nunca mais vou ver e no bolso da minha bermuda encontro um monte de papeis com contatos de facebook e email de pessoas que eu nao faco a minima ideia de quem sejam. Entao, naquele momento eu percebi que era hora de seguir em frente. Olhei as opcoes de ilhas e praias no sul e escolhi Koh Pagnang. As tres da tarde comprei uma passagem de onibus para viajar as seis da tarde. Dezesseis horas de viagem. Sem problema. O unico problema e que eu tinha pago o quarto por mais uma noite e ia morrer numa grana, mas a diaria era seis euros e nao era nada demais. Quando de repente, do meu lado escuto uma voz dizendo: "Olha, veio, nos tem que pagar barato nesse hostel ai senao ja era!" E conheci Pedro e Thiago, dois mineiros de BH que tinham acabado de chegar do Brasil n Tailandia. Estavam viajando fazia mais de um dia. Conversei com eles e, no final das contas, eles ficaram com meu quarto no hostel e me pagaram a diaria a mais que eu pagaria e ainda me convidaram para passar o ano novo com eles em Koh Pagnang que e exatamente o lugar onde eu quero passaro ano novo de qualquer jeito. Ou seja, no final das contas tudo deu certo. Dois meses e meio atras eu nunca ia conseguir me sair bem dessa, mas agora, bem agora sao dezesseis horas de viagem ate o paraiso...

Sunday, December 6, 2009

Diario de Bordo X: de turcos a tigres.






No final de semana, tive a confirmacao do o Mario havia me ensinado na semana anterior: "nunca volte a um lugar em que voce foi feliz." Eu cismei que Istambul ia ser tao legal quanto no fim de semana anterior e forcei uma barra, mas acabou que era realmente impossivel juntar tanta gente legal que nunca havia se conhecido antes. Especialmente por dois fins de semana seguidos.
E chegamos no Bahaus de novo e de cara fomos super bem recebidos pelo staff. Eles deram um descontao pra mim e pro Art e ficamos muito bem alojados. Tinha muita gente legal sim, mas de cara deu pra ver que nao seria nem de perto o que foi a semana anterior. Sexta feira ninguem saiu. Ficamos de bobeira no hostel jogando conversa fora. Foi bom pra acordar um pouco mais cedo porque eu e o Art nao tinhamos visto o Palacio de Topkapi e la fomos nos. Cajado do Abraao, cabelo de Maome e realmente e impressionante ver esse tipo de coisa, mas incrivel mesmo sao os diamantes. Um deles e maior que uma bola de golfe.Era quilate que nao acaba mais.
De volta ao hostel, conheci um mexicano que se tornou um super camarada em tempo recorde. Luiz Miguel Arrieta esta viajando faz dois meses e esta fazendo o caminho oposto do meu. Ele esta vindo da Asia pra ver a Europa. Ainda fiz amizade com uma americana super gente boa chamada Marlena que esta estudando em Moscou. Chegando a noite, a galera que estava esperando pra sair nao era nem metade da semana anterior e nao era porque o hostel nao estava cheio. As pessoas simplesmente nao estavam no mesmo ritmo. Algumas americanas que foram dormir as dez da noite, uns portugueses que nao animaram em nada, diferente do portugues da semana anterior que sozinho animou por Portugal inteira e as norueguesas que ainda que tenham saido com a gente so queriam ficar sentadas conversando. Mas fomos em frente pra primeira boate e estava morta, mas o grupo ate que animou o lugar. Brad, Britney, Reesee, Donna, Luiz Miguel, Jimmy foram super legais e o comeco da noite foi bem tranquilo. Um dos turcos bebados que estava la perdido no lugar deu meio que uma bundada de brincadeira em uma das meninas que estava com a gente e jogou ela no chao, ai o Art deu uma bundada no cara devolvendo a gentileza e ele se espatifou no chao de forma igualmente espalhafatosa, mas um pouco menos graciosa. No final das contas eu acho que os turcos perceberam que o Art era maior pros lados do que os tres caras juntos e deixaram por isso mesmo. Ate ai tudo bem, mas no caminho pro segundo local que iriamos, um dos rapazes que estava conosco esbarrou numa menina e criou-se uma confusao gigantesca. Um bando de babacas turcos cismaram de bater no cara so porque ele era pequeno e magro, mas ai chegou a cavalaria (basicamente eu...) e a porrada estancou. Eu nao sofri nem um aranhao, mas minha camisa ficou cheia de sangue e sem querer entrar em detalhes foi o suficiente para azedar a noite. Foi ai que parei pra perceber como tem gente arrumando confusao de graca nas ruas de Istambul. Os caras so querem brigar e pronto. A policia nem se mete. Os caras trocam tres ou quatro tapas, o pessoal separa e fica tudo bem. Esse acontecimento matou a noite e assim acaba o meu segundo fim de semana em Istambul. Confirmou o que eu tinha sentido na semana anterior de que era hora de seguir em frente.
E assim passei o domingo de bobeira com meu amigo Luiz Miguel, Art e Donna, uma americana super legal que se juntou a nos na noite anterior.
Donna e Art foram para Cappadoccia no domingo a noite. Donna voltava na segunda a noite, mas o Art ia depois voltar pra Arabia Saudita e nao nos veriamos mais tao cedo. Entao assim nos despedimos. Meu companheiro de road trip turca segue em frente.
Na segunda, eu tentei ver se conseguia alguns vistos, mas estava tudo fechado e percebi que se eu continuasse naquele ritmo nao ia sair de Istambul nunca. Entao decidi que terca era o limite. Eu tenho que ir a algum lugar
Pra sempre vou lembrar dos kebabs, do baklavha, do por do sol e da incrivel vista da Mesquita Azul e do Hagia Sofia um de frente pro outro. Eu acredito que em nenhum lugar do mundo, dois monumentos tao incriveis estao tao proximos. Meu amigo Luiz Miguel me sugeriu a Tailandia. Entrei na internet e vi que nao precisava de visto, pensei um pouco e, para decidir de forma responsavel, joguei uma moeda pra cima, deu cara, pronto proximo destino escolhido: Bangkok. Meu amigo Luiz Miguel estava seguindo pra Madri e fomos juntos pro aeroporto.
Sem passagem, hostel e sem saber basicamente nada da Tailandia, entrei na internet e achei um voo que ia pra Bangkok e saia as 19h. Eu e Luiz Miguel queriamos viajar juntos, mas nao fazia muito sentido, pois estavamos indo em direcoes opostas. Chegamos no aeroporto e ele quase perdeu o voo pra Madri. Se ele perdesse falou que iria seguir comigo. Bem que eu tentei atrasar ele o quanto pude, mas ele chegou a tempo e seguiu viagem. E assim dei adeus a meu novo amigo mexicano.
Consegui comprar o bilhete e esperei um pouco para embarcar para Abu Dhabi. Eu desisti de tentar entender os horarios dos voos porque qas diferencas de horarios eram tao grandes e os voos tao longos que e melhor esquecer. Mas chegando em Abu Dhabi, ficou claro que eu ia ficar no aeroporto esperando por dez horas meu proximo voo.
E embarquei para Tailandia no dia seguinte, sem ter dormido por um segundo. Chegando em Bangkok, tomei a vacina contra a febre amarela e segui pro hostel que eu marquei pela internet no aeroporto.
O hostel era muito interessante, mas parecia mais um hotel que um hostel. Dividindo o quarto comigo estava meu amigo ingles Paul Colin Mitchel que em breve se transformou em "Paulo" e adotou o meu sobrenome para falar pra todo mundo que nasceu no Brasil, mas foi criado em Londres. Para sacramentar a nova nacionalidade ele mandou fazer uma carteira de estudante falsificada com seu novo nome Paulo Goncalves por 150 bath, o equivalente a tres euros.
Na minha primeira noite em Bangkok, conheci o "Paulo" e duas inglesas, Luisa e Jess, que estavam indo para o Laos no dia seguinte. Eu nao dormia fazia mais de 20 horas, mas ja que todo mundo ia sair, por que nao? E la fomos nos. Nao existe cidade do mundo com mais esquemas para enganar turista do que Bangkok. E nos deviamos saber que nao devia ser a melhor ideia do mundo pedir dica de noitada para o taxista parado na frente do hostel. Fomos parar numa boate chamada "Spice" que inicialmente pareceu muito legal. Mas algo nao estava certo. Entao em alguns minutos percebemos o que nao estava certo na boate. Apesar da boate parecer ter mais mulher que homem a primeira vista, um olhar um pouco mais cuidadoso revelava que mais das metades das "mulheres" eram lady boys tailandeses. Era travesti que nao acabava mais. Saimos de la e pegamos um tuk-tuk que e um carrinho feito a partir de uma moto com uma carroceria bem vagabunda que serve de taxi por aqui e leva os turistas pra cima e pra baixo por toda a cidade. Fomos para um outro lugar com menos lady boys e com muito mais gente. Quando voltamos pro hostel ja estava claro. Eu e Paul dormimos por tres horas e acordamos pra visitar alguns monumentos. Pegamos a barca e fomos ate o Grande Palace. O Grand Palace difere muito de tudo que vi pelas formas, cores e principalmente porque tudo parece sempre muito novo. As cores sao sempre vibrantes, diferente do cinza desbotado de igrejas e mesquitas. Durante nossa visita, vimos que o telhado de um dos templos estava sendo reformado, paineis sendo renovados e algumas estatauas sendo retocadas. O engracado e como a todo momento tem alguem querendo passar os turistas pra tras nessa cidade. Nos chegamos no Grand Palace e um cara com um cracha simplesmente falou que estava fechado porque era aniversario do rei no dia seguinte. Eu nao entendi nada, mas o Paul falou que ja tinha ouvido essa de algum amigo dele. Algumas pessoas sao contratadas para ficar na frente de monumentos falando pros turistas que aquela atracao esta fechada e recomentdando que eles sigam para as atracoes para as quais eles trabalham. A toda hora na rua tem alguem na rua tentando passar a perna no turista. Mas pra quem esta vindo da Turquia, nao tem nem graca. Os turcos sao implacaveis em negociacoes, eles xingam, falam alto, fazem cara de mal e conseguem fazer isso por horas enquanto que os tailandeses desistem no primeiro nao. O problema e que a Tailandia e tao barata que eu fico ate com vergonha de pechinchar. No final das contas, eu pechincho so por diversao para depois pagar o preco cheio. Uma camisa custa mais menos 100 bath que equivale a, aproximadamente, dois euros. Nossas refeicoes saem por algo em torno de 30 e 60 bath, ou quinze a trinta centavos de euro. Uma cerveja custa 50 bath. A unica certeza que eu tenho e que se eu tivesse comecado minha viagem pela Asia, eu ia chegar na Europa e voltar correndo pra ca. Ia me sentir ainda mais roubado.
Quando voltamos pro hostel, conhecemos Marc, nosso novo colega de quarto espanhol de Barcelona. Estavamos conversando e ele mostrou que na cama do lado haviam seis guias do sudeste asiatico, alem de uma bandeira do Chelsea. Estavamos fazendo piada sobre que tipo de mochileiro levaria seis guias do mesmo lugar quando Sean entrou vestindo a camisa do Chelsea e se juntou a nosso grupo. O Marc ja tinha estado em Bangkok antes e sugeriu um restaurante para jantarmos. O restaurante era muito bom, bem sofisticado, todo mundo bem vestido e os unicos largados eramos nos. Comemos dois pratos cada um, bebemos a vontade, sobremesa pra todo mundo e pagamos sete euros cada um incluindo a gorjeta. O assunto do jantar nao deve ser nada dificil de adivinhar qual foi, afinal o que dois ingleses, um brasileiro e um espanhol tem em comum? Todos adoram futebol. Dali seguimos para Khao San Street. O lugar estava abarrotado de gente, boates e bares para todos os lados, uma atmosfera incrivel. Entramos num bar e no meio da bagunca que estavamos fazendo conhecemos algumas meninas holandesas, uns caras de diversas partes da Europa e ate o cantor do bar que era um tailandes que cantava pra caramba. Seguimos dali para um boate na propria Khao San Road e percebemos de cara que aquele era o melhor lugar da cidade. Alem de ser um ponto central da area turistica da cidade, temos facil acesso as carrocinhas de "pad thai". O "pad thai" e o atual substituto do kebab na minha dieta, o que significa que eu como pelo menos uns cinco pad thais por dia. E um misto de macarrao com legumes que pode ser servido com carnes diversas ou ovos. E saboroso, saudavel e barato. Um pad thai sai por algo em torno de 30 bath, uns 60 centavos de euro.
No dia seguinte, como eu e o Paul ja haviamos combinado de ficar mais dois dias em Bangkok pegamos nossas coisas e seguimos pra Khao San Road pra escolher nosso novo hostel. Acabamos num hotel com piscina pagando mais barato que no hostel que estavamos antes.

Pegamos um tuk-tuk e fomos ver alguns templos e budas famosos. Depois seguimos para o "TAT" que e a autoridade de turismo do governo tailandes e funciona como um agencia de turismo do proprio governo tailandes. E a melhor forma de evitar os golpes que os tailandeses aplicam nos turistas. Fomos atendidos por um senhor tailandes que nos recebeu com um "Good Day, mate!" Parecia montagem, mas era mesmo um taialndes falando como sotaque australiano chamado Geoffrey. Parece que alguns tailandeses tem nomes ocidentais e outros, como o Geoffrey que ja era mais coroa, simplesmente escolhem um e passam a usa-lo, alem dos travestis que simplesmente escolhem um nome de striper americana. Entao, enquanto o Geoffrey nos ajudava a montar nossa viagem pra Chiang Mai no norte da Tailandia eu nao conseguia parar de pensar porque de todos os nomes do mundo ele foi escolher o do mordomo do "Fresh Prince of Bel Air"? Ainda acabou que ele marcou para nos um passeio no dia seguinte para visitar o mercado flutuante, a ponte do rio Khwai e o templo dos tigres.
Seguimos para Khao San Road e fomos pro mesmo bar da noite anterior. A ideia era ficar numa boa pra acordar cedo e ir no passeio no dia seguinte quando o Paul teve uma ideia incrivel: "Acho que deviamos provar esse rum tailandes. Todo mundo fala muito bem." Entao, por seis euros nos recebemos simplesmente um balde de rum, Coca-Cola e Red Bul. Bebemos dois e a noite tranquila ficou por ali mesmo. Meu amigo Paul foi se engracar e falar pra uma menina que era brasileiro e ficou com uma cara de bunda gigante quando ela perguntou em portugues de onde ela era. Foi se engracar logo com a brasileira. Ela se chamava Paola e e de Bauru. Assim como nos esta viajando o mundo e tinha acabado de conhecer um grupo composto por um sueco, dois inglesas e ela de brasileira. Fomos pra mesma boate da noite anterior e acabou voltamos pro hotel as cinco da manha.
No dia seguinte, o despertador tocou mais de vinte vezes ate levantarmos. Com uma dor de cabeca insuportavel de ressaca do rum tailandes, nos aprontamos em cinco minutos e corremos pra pegar a van que nos levaria pro passeio. No caminho, eu vivia aquele momento "eu nunca mais vou beber na minha vida" enquanto o motorista me lembrava das tecnicas de direcao utilizadas pelos motoristas de onibus do Rio de Janeiro numa danca de "aceleradas e freadas" que nos deixa a certeza que o carro e da empresa e nao dele. A primeira coisa que vimos foi o mercado flutuante e ate foi interessante, mas a unica coisa que me ocorria era porque diabos nos tinhamos provado o maldito rum tailandes. Na hora de sentar no tal do barquinho eu queria sentar longe do Paul porque eu sabia que aquela porcaria ia balancar pra cacete e eu nao queria que caso o cara passasse mal vomitasse em cima de mim. Sentei no ultimo lugar do barquinho, mas a moca que pilotava pegou uma almofada e pediu pra ele sentar imediatamente atras de mim. Ainda bem que conseguimos passar sem nenhum incidente. Em seguida, fomos conhecer a ponte do Rio Khwai. A historia e muito triste. Na segunda guerra mundial, os japoneses escalaram prisioneiros de guerra pra construir tal ponte em condicoes sub-humanas. Pra piorar a ponte ainda foi bombardeada pelos proprios aliados com muitos dos prisioneiros nela. Acabou que a historia virou filme e a ponte virou celebridade. A verdade e que todo mundo que estava no tour com a gente nao tinha dado atencao pro programa e ninguem ali tinha a minima vontade de ver a ponte, mas ninguem falou nada antes e la fomos nos. De legal, so o filhote de leopardo com que eu tirei uma fotos. O nosso guia era um tailandezinho engracado pra caramba. O cara queria fazer churrasco de toda a fauna tailandesa. Ele foi nascido e criado numa aldeia que sobrevive basicamente de caca e o cultivo de alguns legumes, entao toda vez que alguem falava de tigre, elefante, iguana, cobra, macaco e qualquer outra coisa, ele sempre adicionava um comentario de que a carne era muito saborosa e se tivessemos a oportunidade deveriamos provar.
A proxima e ultima parada era, na verdade, o motivo pelo qual estavamos no passeio. Um templo budista que virou abrigo para animais e hoje abriga quase cinquenta tigres. La quem quiser pode tocar e tirar fotos com tigres. Com a caca, muitos tigres sao mortos e os filhotes ficam orfaos perdidos na mata sem a minima chance de sobrevivencia. Quando esses animais sao encontrados sao enviados para o templo, alem dos animais que sofreram maus-tratos ou sao recuperados doentes na mata e precisam de assitencia e tratamento. La os voluntarios e os monges tomam conta de todo tipo de animal que lhes sao encaminhados. Eu esperava ver um ou dois tigres de perto, mas de repente me vi no meio de uns quinze presos apenas por coleiras. Eles sao acostumados desde cedo ao contato com seres humanos, mas assusta um pouco estar tao proximo de um animal que pode literalmente arrancar a cabeca de uma pessoa com uma mordida, por isso que a visita e cercada de cuidados. Valeu muito a pena. Foi o maximo, nao e todo dia que temos a oportunidade de ver um tigre de perto, quanto mais um monte deles.
A volta me lembrou um pouco da Turquia... Mais especificamente de Troia e da Odisseia. Curiosamente, algo que eu nao tinha conhecimento ate chegar na Tailandia e que a Tailandia tem um rei. E nos escolhemos o dia do aniversario do rei para fazer nosso passeio. A noite todo os tailandeses estavam indo em direcao a Bangkok para o aniversario do rei e nos pegamos um transito dos infernos. Ao chegar proximos do hotel, um mar de gente vestida de rosa. Os tailandeses admiram e respeitam muito o rei. No momento, ele esta bem doente no hospital. O rosa seria a cor que eles usam pra demonstrar que estao todos torcendo para que o rei melhore.
Conversando com o Paul, ele me falou como era estranho que eu nao conseguia aceitar a ideia de que um pais ainda tivesse um rei, enquanto que para ele como ingles e uma situacao no minimo natural. Mas as situacoes de Tailandia e Inglaterra sao um tanto distintas. Bangkok e um dos piores lugares que ja fui. Miseria, turismo sexual em larga escala, todo tipo de esquema para enganar os turistas, muita poluicao, calor infernal, transito caotico, a sensacao e de um Rio de Janeiro muito piorado.
Com a confusao armada para o aniversario do rei e por ainda estarmos mal da noite anterior decidimos que iamos descansar um pouco para podermos seguir viagem para Chiang Mai no dia seguinte. So que no dia seguinte era aniversario do Paul e eu nao podia deixar barato. Saimos para beber um cerveja e sentamos no bar pra assistir um jogo do campeonato ingles como ele queria. Foi ai que eu derrubei um pouco de cerveja na minha camisa e tive que voltar pro hotel pra trocar. Quando voltava pro bar passei por uma barraquinha que estava vendendo insetos fritos. Parei, olhei, pensei e comprei um pratinho com um pouquinho de gafanhoto, um pouquinho de barata, vespa e alguns outros insetos e fui pro bar. De repente nossa mesa estava cheia de gente querendo nos ver experimentar as iguarias. Conhecemos Kate e Lauren, duas meninas americanas que ja tinham viajado por todo o sudeste asiatico e nos deram varias dicas de onde ir, um mexicano que mora em Barcelona muito gente boa, mas que nao teve coragem de provar os insetos e um zoologo que eu esqueci o nome que quase nos convenceu de ir pra Nova Guine direto dali. Ele falou que sem sombra de duvida e o lugar onde mais viu casos de turistas que largaram tudo pra ficar por la. Ele conhece muito bem o sudeste asiatico assim como o resto do mundo e falou que nao ha lugar mais bonito. Quem sabe nao consigo dar um pulo la? No final das contas, nossa noite tranquila acabou ali mesmo. Chegamos de volta no hotel de manha cedo e o Paul teve um aniversario muito maneiro.
Acordamos no dia seguinte, prontos pra arrumar tudo e seguir viagem pro norte da Tailandia. Encontramos novamente com Kate e Lauren que iam seguir pro sul para ver as praias e fizemos a tal da massagem em que os nos enfiamos os pes num tanque e os peixes comer pele da perna so por curticao e depois nos despedimos de Bangkok. Agora sigo num trem que leva 14 hoas para percorrer 400 quilometros bem no estilo baiano. Pra quem vem da Europa de trens a mais de 200 km/h e um baita choque, mas tambem e uma nova experiencia. O trem tem cama e seria bem confortavel se eu tivesse menos de 1,80m, mas como nao e o caso, aqui me encontro amassado numa de um trem tailandes. Feliz da vida por seguir em frente.